terça-feira, janeiro 08, 2013

O melhor?


(Foto: Christof Koepsel/Getty Images)

Messi venceu a quarta Bola de Ouro consecutiva. É até à data o único a consegui-lo. O nosso Cristiano Ronaldo foi novamente segundo, o que, apesar de tudo, não deixa de ser prestigioso. Este prémio consagra aquele que foi para a FIFA, os seleccionadores, capitães e jornalistas, o melhor do ano desportivo que findou. Os critérios? Honestamente não há: é a escolha destas pessoas, seja ela influenciada ou não por terceiros interessados.

Assim sendo, poder-se-á falar de justiça? Ou de prémio bem entregue? Bem, o Messi fez uma época estrondosa a título individual, totalizando 91 golos em 2012, o que é obra! Mas, verdade seja dita, "pouco" mais fez (aqui pouco terá que ser tido em noção bastante relativa, como é evidente). Mas, se o prémio é para coroar o melhor do ano, o que está em causa é o jogador que mais se destacou nesse ano, o que não tem de forçosamente ser o melhor jogador.

Na minha opinião (e logicamente é uma mera opinião), para mim o prémio não é justo. Não desconsiderando naturalmente o génio de Messi, este tem atrás dele dois gigantes do futebol, Xavi e Iniesta. Xavi para mim teria sido o vencedor em 2008. Ganhou o mesmo que Messi no Barcelona nessa temporada e ainda foi campeão do mundo, levando a Espanha a tiracolo. Mas foi Messi quem ganhou. Esta temporada, estava dividido entre Ronaldo e Iniesta. Iniesta fez uma temporada fantástica (mais uma!), coroada com o título europeu pela Espanha, sendo eleito o melhor jogador do torneio. Mas Xavi e Iniesta são menos mediáticos. E não esqueço Falcao! Mas quem ganhou foi Messi.

O próprio Cristiano fez uma época fantástica: venceu a Liga espanhola, destronando a "armada invencível" da Catalunha, venceu a Supertaça, marcou 60 golos na época, à frente de uma equipa que bateu todos os recordes em Espanha. Foi ainda semifinalista na Liga dos Campeões e fez um bom Europeu por Portugal, caindo apenas nas meias finais da competição. Mas tudo isto não foi suficiente para que quem votou o considerasse o melhor! O que será preciso então?

A verdade é que a atribuição do prémio de melhor do mundo "A Bola de Ouro" é algo sem qualquer espécie de critério. Alias, pouco se compreende que em 2010/2011, onde o madeirense fez uma época absolutamente fulminante, batendo um recorde com 30 anos, tornando-se no melhor marcador do campeonato com 41 golos, numa época em que marcou um total de 53 golos, o título seja entregue a Messi pelos títulos alcançados pelo Barcelona, e já este ano este mesmo critério já não serviu para premiar o Cristiano, já que Messi apenas o bateu nos golos marcados. Resumindo, não há qualquer critério, a não ser o gosto pessoal. E assim, quem gosta do Messi vai gostar sempre deste em detrimento de outros, como o inverso é verdade.

É cada vez mais pertinente que a FIFA crie critérios de atribuição deste prémio e que os relacione com dados concretos da época. Que o torne mais objectivo, mais fácil de perceber. Caso contrário, corremos o risco de estarmos perante um prémio para servir meros interesses ou caprichos, já que não deixa de ser perverso em estar a querer endeusar Messi como o melhor de todos os tempos, quando outros grandes do futebol, como Pelé ou Maradona, carregaram sozinhos as suas equipas e as suas selecções ao topo do mundo (como fez Ronaldo em Manchester e Madrid) e não tiveram o privilégio de ter uma equipa de outras estrelas a jogar exclusivamente para si! Pode não parecer mas isto faz muita diferença...


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