quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Nove anos morta em casa

(Foto: Vincenzo Cosenza)

Há coisas que a mim me custam a perceber. Augusta, que no próximo sábado faria 96 anos, terá morrido em Agosto de 2002. Foi nesta altura que uma vizinha deixou de ver a idosa e alertou as autoridades. Segundo esta vizinha, o alerta foi feito à GNR em Novembro do mesmo ano. A Guarda chegou a dirigir-se ao apartamento, mas não entrou, argumentando que não podia arrombar a porta. Quanto a sinais de que a idosa estaria morta em casa, a vizinha contou ao jornal que nunca “houve mau cheiro”.

9 anos - sim, leram bem - foi o tempo que demorou a ser encontrada num apartamento, rodeada de outros apartamentos e de outras pessoas. E só foi encontrada porque o Estado só reagiu, não através dos órgãos policiais, mas da maneira que melhor sabe, através dos órgãos fiscais e judiciais, movendo-lhe um processo por falta de pagamento de impostos. E apesar de ela nunca ter aparecido, o processo correu e o apartamento onde a senhora estava morta foi vendido em hasta pública, sem nunca ninguém lá entrar a ver o que lá estava, como estava, onde estava a anterior proprietária ou os seus familiares. Será possível? Aparentemente sim.

O corpo de Augusta acabou por ser encontrado esta semana pela nova proprietária da casa. Como prenda, além de Augusta, a mulher encontrou ainda o cão que lhe fazia companhia morto numa varanda, sabe-se lá há quanto tempo...
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