quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A festa dos Óscars

 


Nestes dias conturbados, o mundo não parou. E enquanto o Orlando dizia adeus a este mundo, do outro lado do Atlântico realizava-se um dos mais esperados espectáculos do mundo - os Óscares.


A Academia prometeu inovações. E cumpriu. A começar pelo apresentador. Hugh Jackman foi o surpreendente mestre de cerimónias da 81ª edição dos prémios mais cobiçados da industria cinematográfica. E com ele, cantou-se e dançou-se ao melhor estilo da Broadway, dando vida, cor, ritmo e alegria ao espectáculo. O dueto com Beyonce foi claramente um dos melhores momentos da noite, já madrugada em Portugal.


Esta edição foi também a consagração de "Slumdog Millionaire" de Danny Boyle. Das 10 nomeações conseguiu 8 estatuetas, entre elas a de melhor filme e realizador. Um feito enorme para uma pequena produção que quase não via a luz dos projectores. Mesmo com a concorrência do excelente filme de David Fincher, "O Estranho Caso de Benjamin Button", o sabor indiano foi convincente para a Academia. E foi para mim também. É igualmente uma vitória para o cinema independente.


Nas estatuetas para melhor actor e actriz, pesos pesados gladiavam-se pelo pódio. Entre favoritos e menos favoritos, à sexta tentativa, o óscar foi para Kate Winslet. Ainda não vi o "The Reader" mas vi as concorrentes. Meryl Streep (Doubt) e Angelina Jolie (Changeling) estão fantásticas. Mas já as vimos nestes registos. Igualmente já foram consagradas com este prémio. Anna Hathaway e Melissa Leo eram estreantes nestas andanças, pelo que o caminho estava mesmo aberto para Winslet. E assim foi. Merecido.


Sean Penn foi para mim a maior surpresa. Brad Pitt (Benjamin Button) e, sobretudo, Mickey Rourke (The Wrestler) eram os mais falados. E, de facto, Randy "The Ram" Robinson é uma das personagens mais interessantes e cativantes dos últimos anos. Rourke deixa tudo lá. Alma e coração. É com pena que não o vejo premiado. A Academia preferiu Harvey Milk, o primeiro político norte-americano assumidamente homossexual e defensor das causas gay. Foi um papel de risco de Penn e, como sabemos, muito apreciado pela Academia.


Apesar da concorrência de peso, Josh Brolin (Milk), Robert Downey Jr. (Tropic Thunder), Philip Seymour Hoffman (Doubt) e Michael Shannon (Revolutionary Road), confirmou-se o favoritismo de Heath Ledger, com o seu fantástico Joker em "The Dark Knight". Em 2006 foi Hoffman que ganhou a Ledger, apesar do extraordinário papel em "Brokeback Mountain". Desta vez os papeis inverteram-se. Justíssimo, na minha opinião.


Torcia pela Marisa Tomei (The Wrestler). Verdade seja dita, este foi um dos meus filmes favoritos do ano (juntamente com WALL-E). E apesar de ter gostado dos registos de Amy Adams e Viola Davis (Doubt), com Taraji P. Henson (Benjamin Button) a correr por fora, a Marisa Tomei tinha-me cativado. Mas o prémio foi para Penelope Cruz. Eu ainda não vi o filme, mas dizem que a mulher está sensacional. Acredito. Este Oscar atribuído à actriz espanhola Penelope Cruz, depois de Bardem o ter conseguido o ano passado, é uma grande vitória para o cinema espanhol.


Foi uma noite bem passada. Foi uma cerimónia bem mais musical que o habitual, com uma feliz renovação do formato. E vários momentos marcaram a noite. Antigos vencedores subiram ao palco e fizeram da entrega das estatuetas mais significativas grandes momentos. A emoção na entrega do prémio póstumo a Heath Ledger. O Óscar por mérito a Jerry Lewis, num reconhecimento pela entrega ao cinema e a causas humanitárias. A projecção de inúmeras caras falecidas o ano passado com destaque para Paul Newman, ao som da voz de Queen Latifah. Fez-se magia no Kodak Theater. Magia do cinema.


Veja aqui a lista completa dos vencedores.

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