segunda-feira, fevereiro 25, 2013

A 85ª Edição dos Óscares da Academia




Por mais insonsa, longa  ou enfadonha que às vezes se possa tornar, é impossível não gostar daquela festa que junta a nata das natas do cinema de Hollywood. E, a 85ª edição dos Óscares da Academia não foi excepção.

Pela primeira vez com Seth McFarlane ao comando, o célebre e politicamente incorrecto criador de "Family Guy", "American Dad" e "Ted" (que lá fez uma perninha na cerimónia), a Academia voltou a apostar numa cerimónia com uma vertente musical muito marcada (ao qual não é alheia a presença de "Lés Miserábles" na lista dos melhores de 2012, dez anos depois de "Chicago"), com vários números musicais (vá lá perceber-se a insistência com "Chicago", com tantos bons musicais na história do cinema), homenagens e o regresso ao palco das "reformadas" Shirley Bassey e Barbra Streisand.

Gostei do Seth, que mesmo não sendo nenhum Billy Cristal, e apesar de muito contido - o protocolo assim o obriga - ainda lá lançou umas piaditas muito atrevidas (a do Lincoln é excelente)! A dupla com o Will Shatner também foi bem conseguida e o "sketch" dos bonecos em "Flight" foi a melhor da noite.

A homenagem aos 50 anos de Bond, com Adele a levar o óscar com "Skyfall", fechou a cerimónia no que concerne à celebração da música nos filmes.


No que importa, nas principais categorias, para mim a única surpresa foi o óscar entregue a Jennifer Lawrence. Não que não o mereça, bem pelo contrário, mas atendendo às fortes interpretações de Jessica Chastain, de Naomi Wats, da menina Quvenzhané Wallis (a mais nova nomeada de sempre e com uma interpretação que eu particularmente gostei muito), e especialmente de Emmanuelle Riva (Ameur), nunca pensei que lhe dessem a estatueta, particularmente aos 22 anos. Depois de já ter sido nomeada em 2011 com os "Despojos de Inverno", adivinho que este prémio será o primeiro de muitos de uma carreira que ainda dá os seus primeiros passos.


Incontornável é o terceiro óscar de melhor actor para Daniel Day-Lewis. É o primeiro a consegui-lo nesta categoria e, novamente, apesar da forte concorrência, o prémio é, na minha opinião, indiscutível. A sua encarnação do mais famoso presidente norte-americano, Abraham Lincoln, é assombrosa e carrega todo um filme algo desapontante. Com uma carreira marcante com grandes filmes e brilhantes interpretações, ganha um estatuto de lenda entre os maiores de Hollywood.

Christoph Waltz ('Django Libertado') - pela segunda vez, e ambas com Tarantino - e Anne Hathaway ('Os Miseráveis') foram os premiados com o prémio de actores secundários, e ambos, na minha visão, com inteira justiça.

A "Vida de Pi", de Ang Lee, foi o mais consagrado da noite com quatro estatuetas, incluindo a de melhor realizador, numa categoria onde Ben Affleck está inexplicavelmente ausente, fruto de uma alteração nos prémios que leva 9 filmes e apenas cinco realizadores. Alias continuo sem conseguir perceber como é que um filme que, para todos os efeitos, é o melhor do ano, não consegue ter o seu realizador ou algum dos seus actores referenciados. É quase como dizer que o filme é bom independentemente de quem o realizasse - o que naturalmente não é o caso.


Seja com for o grande vencedor da noite é "Argo". Este belíssimo trabalho de Ben Affleck, o meu filme preferido dos nove levados ao escrutínio, levou para casa o prémio de "Melhor Filme" e "Melhor Argumento Adaptado", embora os "sábios" académicos tenham conseguido ignorá-lo em tudo o resto. Um prémio entregue, nada mais, nada menos, pela Primeira Dama Michelle Obama, em directo da Casa Branca, o que atendendo ao teor político do filme, não deixa de ser bastante curioso.

Destacar ainda o prémio para Quentin Tarantino. Quase 20 anos depois de "Pulp Fiction", possivelmente aquele que é o maior escritor desta Hollywood contemporânea, leva pela segunda vez o prémio de Melhor Argumento Original com "Django Libertado".

Em suma, uma noite bem passada!

Podem consultar aqui a lista completa dos vencedores.


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