quarta-feira, julho 04, 2012

A Partícula de Deus, pela primeira vez...




Há pouco menos de um ano atrás escrevia aqui no Cantinho sobre aquela que era considerada a experiência científica do século. Nada mais, nada menos, que fazer um feixe de milhões de protões dar uma volta completa ao enorme túnel de 27 quilómetros que constitui o Grande Acelerador de Hadrões (LHC na sigla inglesa), o mais potente do mundo, bem debaixo dos pés do pessoal do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). Parece simples não é? Mas não é.

É só uma coisa que custa só um balúrdio de milhões e milhões de euros, e mete as equações matemáticas mais complexas da história da humanidade. Mas também não é para menos: o objectivo é simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, há cerca de 13,7 mil milhões de anos atrás, ou seja, o Big Bang e o que veio a seguir. E, em plena força, recriar 600 milhões de colisões por segundo que, em teoria, irão gerar uma floração de partículas tal como aconteceu no início do mundo, algumas das quais nunca puderam ser observadas. Entre elas o Bosão de Higgs.

Até à data o bosão de Higgs, carinhosamente chamada de "particula de Deus" (por, no fundo, ser a mais importante e aquela que dá massa a todas as outras), era apenas uma hipótese, já que ela, aparentemente é bastante tímida, e nunca havia sido detectada com os aceleradores existentes, embora muito menos potentes que o nosso LHC. Porque é importante, perguntam vocês. Boa pergunta, respondo eu. 

Explicação científica: o Bosão de Higgs é uma partícula elementar escalar maciça hipotética predita para validar o modelo padrão actual de partícula, sendo a única do modelo padrão que ainda não foi observada. Para os leigos (nós), basta-nos saber que os meninos do CERN defendem que, a se comprovar a sua existência, representará a chave para explicar a origem da massa das outras partículas elementares, confirmando a teoria de que a origem do Universo foi uma grande explosão, e que toda a vida como a conhecemos nasceu dali e dessa partícula... daí o cognome "de Deus". Se existir, é claro...

Pois bem, o CERN anunciou esta quarta-feira de manhã, em Genebra, a descoberta de uma partícula totalmente nova que pode ser o bosão de Higgs, entidade subatómica cuja procura dura há quase 50 anos. A identificação feita chega bem próximo do imaginado, tendo sido detectado um sinal de 4,9 sigma pelo LHC (oi?!) de uma partícula com uma massa de de 125,3 GeV (mais ou menos 0,6 GeV), ou seja de cerca de 125 vezes a massa do protão... (hã?!!!)... bem, é melhor dizer que os gajos andam nos 95% de certezas que se trata mesmo da partícula que procuram há uma tempão.

É um grande dia para a ciência, e um grande dia para a humanidade. Ainda mais para o físico britânico Peter Higgs, que em 1964 propôs a existência do bosão que veio a ficar conhecido pelo seu nome. E aliviado, de certeza: afinal não voltaremos à estaca zero face ao desenho do mundo subatómico, e a sua teoria justifica os euros empatados neste grande projecto (ufa!!). 

Por isso, muitos parabéns!!
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