quinta-feira, outubro 06, 2011

O último primeiro dia na vida de Alberto João

(Foto: DN-M)

Hoje foi um dia "diferente" para Alberto João Jardim. Por duas razões muito particulares: as sondagens divulgadas hoje; e os apupos à "Barreiros" que foi alvo em São Vicente.

A 3 dias das eleições as sondagens indicam uma escolha popular a rondar entre a perca da maioria absoluta (48% - RTP/Católica) e uma maioria absoluta à rasca (50,5% - DN/Eurosondagem). Estas mesmas sondagens mostram um crescimento da direita, com o CDS/PP a subir para níveis impensáveis há alguns anos e provavelmente assegurando o posto de segunda força política na Região, o que demonstra igualmente a queda acentuada da esquerda pós-sócrates, numa confirmação da falência total do projecto, de pessoas e de ideias. É certo que sondagens valem o que valem, no entanto, indiciam algo, quiçá uma mudança.

Essa mudança já é visível e já saiu à rua, em movimentos outrora impensáveis. Já não é só o PND a interferir nas inaugurações de Jardim. Como tinham prometido, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, foi hoje recebido com apupos durante a inauguração de um troço da nova ligação em Via Expresso entre Boaventura e São Vicente, pelos trabalhadores da construção civil da empresa Tâmega, em greve por tempo indeterminado pelo pagamento de retribuições em atraso, exibindo uma faixa "Os trabalhadores não vão pagar o que a RAM e os patrões estão a roubar". Nem as vivas a Jardim foram suficientes para abafar o mal-estar que toda a situação gerou. Indiferente a tudo o resto, partiu de São Vicente, para a sua campanha de inaugurações noutros concelhos, brindando todos os que puderam ouvir com gritos de "abaixo o fascismo".

Já há tempos escrevi sobre isto e cada vez mais tenho esta ideia. De facto, quer em termos de comportamentos, quer em termos de estilização, e da ideia de Madeira Nova que tanto se bate e defende, considero que Alberto João Jardim conseguiu algo que ninguém à data conseguiu: um quase perfeito regime socialista disfarçado de democracia. Atenção que uso aqui o termo socialista de acordo com o velhinho e clássico socialismo. O problema é o sistema faliu, a obra já não chega, e medidas sociais urgem. Mas não deixa de ser engraçado ver a "esquerda" tão danada com Jardim.

Seja como for, Domingo promete também ser um dia histórico para a Madeira pelas mais diversas razões. A possibilidade de Alberto João Jardim e da sua máquina laranja ser obrigada a negociar com os 'traidores' e 'fascistas' para fazer Governo (que eu duvido que consiga); pela necessidade de ser, pela primeira vez em toda a sua governação, um governo impopular, de cortes, subida de impostos, de despedimentos, sem obras e sem dinheiro para distribuir e, sobretudo, ser alvo de criticas do "seu povo".

Mais do que nunca o seu voto conta. Para o bem e para o mal. Vote!

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