segunda-feira, junho 06, 2011

PSD, PS e CDS em noite eleitoral

(Imagem: Público)

Há vários pontos a retirar da noite eleitoral de ontem. Os principais foram a vitória do PSD, a derrota estrondosa do PS e a consequente demissão do secretário-geral José Sócrates. Destaque ainda para o excelente resultado do CDS/PP que impediu um governo de maioria absoluta na AR.

O PS sofreu uma derrota histórica, descendo abaixo dos 30% da escolha do eleitorado, algo que não acontecia desde os anos 80. É um justo castigo para o partido que governou Portugal na última década, com resultados desastrosos. O PS, e José Sócrates em particular, foram responsabilizados. Pelo que, o desfecho verificado tornou-se inevitável: Sócrates regressa à militância base. Só não entendo como é possível continuarmos a deixar que as pessoas saiam destes cargos sem que essa responsabilização seja visível, não só em termos políticas mas igualmente em termos civis, mas enfim, essa é outra história. Sem o homem que instrumentalizou o aparelho do partido, meios de comunicações social e empresas estatais (e não só), o PS tem agora uma oportunidade única para rever as suas posições, procurar nas suas fileiras uma nova linha ideológica e moderna, promovendo um novo fulgor para o partido mais importante da esquerda portuguesa.

Praticamente toda a esquerda foi penalizada, com destaque para a abrupta queda do BE, outro dos grandes derrotados da noite. E, mesmo tendo perdido metade do seu grupo parlamentr no entanto, Louçã insiste num discurso de radicalização (até aos próprios "colegas" da esquerda) e anti-europeu, cujas ideias os Portugueses em massa chumbaram.

De qualquer forma o PSD é o grande vencedor. E a vitória tam alguns pormenores interessantes. Para já, e com excepção para o caso de Pedro Santana Lopes, de contornos muito particulares, é a primeira vez que um primeiro-ministro em exercício de funções, não é reconduzido ao cargo através de eleições. É, porventura, a primeira vez também que um partido ganha umas eleições sabendo o público de antemão do programa carregado de palavras duras e muito complicadas para serem ditas em período eleitoral. Basta lembrar-mo-nos das discussões à volta das alterações à Lei laboral (indemnizações, depedimentos, etc), a taxa social única, as privatizações necessárias, etc. Disse-o antes das eleições e ganhou, do Norte ao Sul, incluindo as ilhas. Na Madeira, o resultado foi esmagador em comparação com o PS.

Também não posso deixar de referenciar o resultado do CDS/PP. O CDS cresceu percentualmente, cresceu em número de votos e cresceu em número de deputados. Por si só já seria óptimo. Mas o CDS ainda superou o facto de estarmos a atravessar um momento crítico na história e economia do país, ultrapassou a pressão para o voto útil no PSD e o ódio quase geral sobre Sócrates, e impediu uma maioria absoluta. O partido conseguiu não diminuir a sua votação em nenhum distrito, o que vem corroborar a tese de que não há eleitores do CDS arrependidos do seu voto, como muito se bateu Portas e José Manuel Rodrigues aqui na Madeira. Depois, reforça a sua votação, aumentando a sua representação em Lisboa e Setúbal, e especialmente, sua votação em bastiões da esquerda, como o Alentejo. O CDS está a crescer solidamente, desde a sua base, conseguido até ser mais atractivo para os jovens do que o próprio PSD.

Procura-se agora um rápido compromisso entre o PSD e o CDS/PP para a formação de Governo. O plano da troika assim o exige. Os compromissos são duros, com prazos limites apertados, mas que têm de ser cumpridos. E, porque os próximos tempos não estão para brincadeiras, não me admirarei se vir no elenco do XVIII Governo Constitucional um elemento do PS...

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