terça-feira, novembro 30, 2010

Os 'segredos' do WikiLeaks

 


 
Poder-se-ia pensar que os Estados Unidos da América andariam fulos com o WikiLeaks. Afinal são derramados neste site segredos à catadupa dos serviços norte-americanos. Seria de supor que existisse uma forte campanha de desacreditação e tentativa de encerramento do local, ameaçando os seus autores de "traição". Mas não temos assistido a nada disto. Na verdade, a última versão não autorizada de cerca de 250 mil documentos no WikiLeaks, francamente não me parece constituir uma crise de segurança nacional, embora possa causar mais do que um pouco de estranheza no curto prazo e criar alguns problemas a longo prazo para os Estados Unidos e os seus parceiros.


Muito do que vimos até agora confirma mais do que informa. Os relatórios diplomáticos dos EUA que no Afeganistão descrevem uma corrupção galopante, que proeminentes líderes árabes sunitas estão mais preocupados com o Irão e seu programa nuclear do que com Israel, que tem sido difícil conseguir que outros governos aceitem presos de Guantánamo; que o governo da Síria mantém estreitos laços com o Hezbollah, apesar das garantias em contrário, ou que primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi é um homem de carácter duvidoso, não é propriamente notícia, nem nos deixa propriamente surpreendidos.


Outros casos a informação é curiosa. Acaba por ser bom saber que os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão em conversações sérias sobre como reduzir o desconforto da China sobre a dissolução da Coreia do Norte e a unificação da península. Esta é a única maneira de acabar uma situação que, como os recentes eventos demonstram, ameaçam não apenas a regional, mas a paz mundial.


No entanto, concede-se que em alguns casos a publicação desses documentos irá muito provavelmente causar alguns problemas imediatos. Veja-se o exemplo do Paquistão: provavelmente conseguir o apoio do governo paquistanês para garantir que seus materiais nucleares estão sob controlo apertado (um processo que vem descrito nos documentos WikiLeaks), provavelmente tornar-se-á mais difícil. Igualmente os Governos estrangeiros podem pensar duas vezes antes de partilhar os seus segredos ou até mesmo as suas opiniões 'sinceras' com os seus homólogos americanos para que não os tenha mais tarde espalhados pela net. E, por outro lado, os diplomatas norte-americanos podem estar menos dispostos a comprometer seus pensamentos para o papel. Supostamente.


A informação divulgada pelo WikiLeaks não é nova, nem é inovadora. Seja como for, é indiscutível que o WikiLeaks trouxe uma nova visão à política global, uma espécie de facebook da globalização política, uma Ágora dos tempos modernos. Resta saber se tudo é verdade...

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