Voltando ao assunto Irão, à margem do conflito nasce um novo tipo de jornalismo, à qual a censura típico destes Estados tem se mostrado incapaz de controlar. À medida que se desenrolam os acontecimentos, as notícias vindas de Teerão surgem quase em tempo real na Internet, e não apenas pela mão dos jornalistas no local, mas sobretudo através da torrente de informação que os próprios iranianos estão a colocar online.
Os iranianos estão a usar muitos serviços da Web para contornar a censura que o Governo de Ahmadinejad tenta impor aos jornalistas e para escapar às restrições das autoridades sobre os meios de comunicação (no fim de semana, por exemplo, foram cortados os SMS).
No Flickr abundam fotos da contestação nas ruas e da reacção policial. O YouTube está repleto de vídeos (muitos dos quais filmados com telemóveis). Os blogues, o Facebook e o Twitter servem para divulgar as notícias que não chegam (ou são mais lentas a chegar) aos media. O Twitter, por exemplo, tem sido particularmente eficaz na divulgação quase instantânea de informação.
A população jovem e informatizada do Irão é responsável pelo fenómeno: dois terços dos habitantes têm menos de 30 anos e estima-se haver cerca de 30 milhões de telemóveis entre os 67 milhões de iranianos. Já em finais de 2008 a BBC dava conta que cerca de 65 mil cibernautas usavam blogues para contornar a censura das autoridades iranianas.
É o nascimento de um novo tipo de jornalismo.
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