domingo, junho 14, 2009

Irão a quente...

 
(Foto: Damir Sagolj/Reuters)


Os manifestantes voltaram às ruas de Teerão gritando “morte ao ditador!”. Regressaram também os confrontos entre a polícia e os partidários do candidato derrotado nas eleições presidenciais Mir-Hossein Mousavi, que hoje formalizou um pedido oficial ao Conselho dos Guardiões para a anulação dos resultados, num claro desafio ao Líder Supremo, o "ayatollah" Ali Khamenei, que na véspera pediu a todos os candidatos que apoiem o Presidente reeleito.


Enquanto isso, o Presidente Mahmoud Ahmadinejad fez o seu discurso de vitória, negando suspeitas de fraude eleitoral. Ahmadinejad, considera que não há quaisquer os problemas no país, apenas propaganda mentirosa dos jornalistas estrangeiros que quer que saiam do país, e até a Al-Arabyah parece estar banida do Irão.


Este choque eleitoral mascara a verdadeira luta que actualmente ocorre no Irão, entre as duas facções clericais, unidas no passado e ora dissidentes: a facção de Ali Khamenei, o Líder Supremo, forte apoiante de Ahmadinejad, e a apoiante de Mousavi, o candidato derrotado, de que Ali Akbar Rafsanjani é a face mais visível.


Se Ali Khamenei é desde 1989 o Ayatollah, o líder espiritual e político do Irão, também é verdade que Rafsanjani é um clérigo muito respeitado no Irão e é o presidente da Assembleia dos Peritos - que supervisiona o Parlamento e o Conselho dos Guardiães e elege e demite o Líder Supremo. O que poderá estar em jogo, mais que a presidência do Irão, é uma revolução clerical de fundo no país, com a substituição de Khamenei pelo próprio Rafsanjani...


A seguir com muita atenção.

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