segunda-feira, maio 04, 2009

Um sindicato pouco Evangelista!

 


Há uma certa criatura que ultimamente tem-me irritado profundamente. Falo de Joaquim Evangelista, o presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol. É provavelmente o mais conhecido rosto do flagelo dos ordenados em atraso que se têm verificado nos vários clubes de futebol de Portugal.


Não pondo minimamente em causa o reconhecimento da irresponsável gestão desportiva promovida por vários clubes desportivos e da necessidade de alterar e regulamentar esta situação, o que me incomoda neste sujeito é a sua forma de actuar. É persecutório, maldoso e, sobretudo, manipulador. Se por um lado apresenta-se como patrono salvador do coitado do jogador de futebol, ao menos tempo omite certos e determinados factos.


Como por exemplo a percentagem que o Sindicato recebe por cada transmissão televisiva de uma partida de futebol (em média 1000 euros por jogo). Como por exemplo a percentagem do vencimento de cada jogador que vai directamente para os cofres do Sindicato, na forma de fundo de solidariedade. Ou ainda pelas verbas entregues pela Federação Portuguesa de Futebol (prémio 'Fair Play') e pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Estamos ainda a falar de uma instituição que paga ao seu presidente (o próprio Evangelista), e ainda uma série de trabalhadores assalariados, todos à custa, curiosamente, dos subsídios e quotas de sindicalização.


Pior ainda é a forma como trata alguns clubes. Foi curioso verificar a dualidade de critérios que utilizou com o Vitória de Setúbal ou com o Boavista, por exemplo. A forma como 'trabalhou' para evitar a greve dos futebolistas do Estrela da Amadora, em vésperas de embate com o Benfica. Ou a constante perseguição que move contra os clubes madeirenses, forçando a sua inclusão na lista dos clubes devedores para vir a retira-los mais tarde, sem um qualquer pedido de desculpa.


Como disse logo no início, há que combater a questão dos ordenados em atraso, já que quem trabalha tem de receber a contra-prestação. Agora o que pretende Joaquim Evangelista? Aparentemente punir e fechar os clubes não cumpridores, através de sanções de descida de divisão. O que não faz absolutamente sentido nenhum. Se não vejamos. É inquestionável que a maior fonte de rendimento dos clubes está na presença destas na primeira liga, quer pelas receitas televisivas, quer pela maior visibilidade e possibilidade de comercialização da marca. Se um clube nestas condições já está 'à rasca', atendendo ao passivo acumulado de anos de exploração, o que lhe acontecerá de descer administrativamente? Morre. E o que acontecerá então aos seus jogadores e funcionários? Desemprego. De que serve aos jogadores fechar a sua entidade patronal?


Medidas de combate. Sim. Mas consciencializadas e coerentes com a realidade nacional. Crie-se um tecto salarial. Crie-se medidas de fiscalização das contas dos clubes e contratos. Altere-se a distribuição das receitas geradas pelas competições desportivas. Limite-se o número de atletas a registar pelos clubes. Regule-se a inflação salarial gerada pelos maiores clubes portugueses.


Um sindicato que defende o encerramento das empresas que empregam os trabalhadores, seus sindicalizados, deve ser caso único no mundo. Esta figura de presidente de Sindicato é mais uma caricatura burlesca do futebol português, mais uma em busca de protagonismo a qualquer custo. E desta vez à custa dos jogadores.

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