quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Tecnologia de ponta de... cavalo!

 


Uma curiosidade que passo a transcrever: a bitola dos caminhos de ferro. A bitola é a largura determinada pela distância medida entre as faces interiores das cabeças de dois carris (ou trilhos) numa via férrea.


As companhias ferroviárias adoptaram várias medidas de bitola, sendo a mais frequentemente usada a de 1435 mm (4 pés e 8 1/2) polegadas, por isso chamada de bitola padrão, bitola standard ou bitola internacional. A popularidade dessa bitola deve-se inicialmente à sua maior utilização nas primeira vias férreas construídas no Reino Unido e, posteriormente, ao uso da mesma nos EUA em função do uso de material rodante britânico, comprado pelas primeiras companhias férreas americanas.


O vaivém espacial americano, o Space Shuttle, utiliza 2 tanques de combustível (SRB - Solid Rocket Booster) que são fabricados pela Thiokol no Utah. Este material pesado é transportado normalmente de comboio. Como já vimos, a bitola dos caminhos-de-ferro dos Estados Unidos é de 4 pés e 8,5 polegadas - adoptada e construída desde o tempo dos ingleses.


Mas por que é que os ingleses usavam esta medida? Sobretudo porque as empresas inglesas que construíam os vagões eram as mesmas que construíam as carroças antes dos caminhos-de-ferro e, nesse sentido, utilizaram as mesmas bitolas das carroças.


Mas porque é que era usada esta medida para as carroças? Simplesmente porque a distância entre as rodas das carroças deveria caber nas estradas antigas da Europa que tinham esta medida.


E por que tinham as estradas esta medida? Porque a maioria destas estradas foram abertas pelos romanos - principais impulsionadores da construção de vias na Europa por altura da expansão do seu Império - e eles usavam estas medidas baseadas nos seus "carros" puxados por 2 cavalos.


Mas por que é que as medidas dos carros romanos foram assim definidas? Porque, curiosamente, foram feitas para acomodar dois traseiros de cavalo!


Voltando ao space shuttle, os engenheiros que projectaram os seus tanques de combustível, queriam fazê-los mais largos, porém, tinham a limitação dos túneis ferroviários por onde eles seriam transportados, que tinham as suas medidas baseadas na bitola da linha, que estava limitada ao tamanho das carroças inglesas que tinham a largura das estradas europeias da época do império Romano, que tinham a largura de dois cus de cavalo...


Assim, um dos exemplos mais avançados da engenharia mundial em design e tecnologia, é baseado no tamanho do cu do cavalo romano! Dá que pensar!


 
Uma curiosidade: a bitola em Portugal não é esta, mas sim a Ibérica. A bitola ibérica adotada na Espanha e Portugal, mais larga que a bitola internacional utilizada nos demais países europeus, é de 1.668 mm, o que corresponde a seis pés castelhanos. Esta bitola foi criada em primeiro lugar por motivos estratégico-militares, de modo a impedir uma possível invasão francesa, pois o facto de usarem uma bitola diferente tornava impossível a utilização de outro tipo de locomotivas, dificultando assim a progressão de tropas e logística pelo interior da península, pelo que actualmente esta diferença entre as bitolas ibéricas e continentais tem sido uma barreira nas comunicações ferroviárias entre a Península Ibérica e os demais países europeus.


Após a Guerra Civil Espanhola, a gestão das linhas férreas passou a ser feita pelo Estado, que para esta finalidade criou a "RENFE - Red Nacional de Ferrocarriles". Por este motivo, a bitola ibérica também é conhecida como bitola "RENFE".

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