domingo, fevereiro 08, 2009

Psicose!

 
A minha pequena contribuição para o Diário de Notícias. Desta vez apeteceu-me falar de uma experiência muito particular...



A PSICOSE DO JOGADOR MADEIRENSE


Domingo passado fui ver o Marítimo juntamente com amigos. O jogo contra a Naval marcava a volta no campeonato e era também uma oportunidade de ver algumas das novas “contratações de inverno”. Daí que a expectativa era grande. Mas cedo os jogadores trataram de apagar a chama. Num jogo pastoso, sem velocidade e com apenas uma cara nova no onze – um perdido Rodrigo – a impaciência começava a tomar lugar face à esperança num bom resultado. Tanto que, a meia da primeira parte, após uma sequência de passes disparatados do Fernando lá saiu, de um dos meus amigos, a primeira frase digna de honrar nos anais da brejeirice…


Até aqui tudo normal. Mas então não é meu espanto quando um senhor, visivelmente exaltado, se levanta e insurge contra aquilo que ele chamou de ofensa aos madeirenses! E após vociferar algumas considerações sobre a condição psicológica dos meus amigos, começa a culpabilizar os brasileiros pelo passe errado, pela jogada que não saia, pelo remate ao lado, mesmo que o único lance perigoso da Naval na primeira parte tenha sido causado por uma perda de bola infantil do Luis Olim; ou que o Bruno tenha andado o jogo todo a passo; ou o Fernando que, apesar de toda a boa vontade, andou entretido a passar a bola ao adversário.


Não quero com isto, de alguma forma, perseguir os jogadores aqui visados. Até sou daqueles que acha importante ter referências da terra na equipa, quer pelo sentimento que trazem ao jogo, quer pela ligação mais íntima que permitem ao adepto – afinal é um da terra, é um de nós!


No entanto, não é, nem pode ser, alguém imune a críticas. Não é por ser da terra que se desculpará uma asneira grossa, que ponha em causa todo o trabalho da equipa. A esta ideia, a noção de qualidade é algo que não pode deixar de estar presente. O nível de exigência deve e terá que ser, no mínimo, tão elevado como o dos estrangeiros. A esta aparente quotização não pode bastar que seja madeirense. Nivelar por baixo, como corolário de um princípio de igualdade, é uma castração da evolução do madeirense, quer seja no pontapé da bola ou noutra arte qualquer.


Valha-nos que o jogo foi resolvido por um Aquino, um rapaz natural de São Pedro, concluindo uma bela jogada de um Ytalo, pauleiro de gema!


 
Publicada no DN Madeira, a 06/02/2009.

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