domingo, novembro 16, 2008

Uma história bonita

 
(Foto: Ray Pettit)


Esta história veio ontem no Diário de Notícias e, no meu entender, quer pela sua ingenuidade pura, quer pela comoção envolvente, merece aqui a reprodução.


Conheceram-se num dos programas de conversação através da Internet, há cerca de seis meses. Trocaram fotografias e poemas e alimentaram o sonho de um dia vencerem o mar que separa o Estoril, onde reside a jovem de 14 anos, e Câmara de Lobos, terra-natal do rapaz, de 17.


Ambos queriam conhecer-se pessoalmente. O casal acertou que o encontro teria lugar na Madeira. Havia agora que planear a forma de o conseguir. Tudo foi preparado ao mais ínfimo pormenor, de modo a não levantar suspeitas aos adultos.


A miúda juntou 80 euros em dinheiro da mesada que lhe era dada pelo pai e, a 29 de Outubro último, dirigiu-se a uma agência de viagens para comprar a passagem aérea com destino ao Funchal. Nos últimos dias que antecederam a data do embarque, a rapariga preparou sigilosamente a sua mala de viagem. Diariamente transportava peças de roupa na mochila e guardava-as no cacifo da escola.


Chegando ao dia da viagem - na quinta-feira - a pequena apanhou um táxi e dirigiu-se ao Aeroporto de Lisboa. Foi com relativa facilidade que embarcou sozinha naquele que é um voo doméstico, não encontrando dificuldades no controlo da segurança aeroportuária de Lisboa. Se o voo tivesse como destino um país estrangeiro, o mais provável seria a jovem menor de idade ser barrada na zona de embarque, já que não estava na posse de uma declaração de autorização dos pais ou tutores, devidamente registada num notário, para poder sair do país. Mas não era esse o caso.


Chegada à Madeira, apanhou um taxi Aeroporto-Funchal, onde se uniu ao seu amado. Jantaram no McDonalds e apanharam um autocarro para Câmara de Lobos, onde passaram o resto do dia namorando à porta de casa do rapaz. Pouco tempo depois, a PSP aparecia na casa para levar a menor ao Comando da PSP e de regresso ao Estoril. Não faz mal, o sonho já estava concretizado.


É evidente que foi um acto muito perigoso e impensado, sobretudo dos dias que correm e com a quantidade malucos que por aí andam. É verdade que tanto ela como ele vão ficar de castigo durante 50 anos pela aflição que causaram aos pais. Mas, ao mesmo tempo, é bonito ver que o amor ainda resiste a tempos duros. Mesmo que seja pela fogosidade e ingenuidade de uma criança.

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