terça-feira, outubro 17, 2006

Professores em greve

A greve nacional de dois dias foi decretada conjuntamente pelos 14 sindicatos do sector a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, durante a marcha nacional de protesto, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.

Esta é a segunda paralisação nacional convocada para contestar a proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), depois da greve de 14 de Junho, que contou com uma adesão de 70 a 80 por cento, de acordo com a Federação Nacional dos Professores, e inferior a 30 por cento, segundo o gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), a imposição de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação de desempenho (que inclui critérios como a apreciação dos pais, as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos) são alguns dos aspectos mais criticados pelas organizações sindicais.

E justamente, pergunta-se? Para todos os efeitos o plano a aplicar pretende implementar um sistema que distinga os competentes dos incompetentes, num sector específico de função pública.

Um sistema que a maioria dos professores não quer. E em vez de considerarem dignificante para a sua classe, que exista uma política governamental que a expurgue de uma "minoria" de incompetentes que por lá andam a dar mau nome a uma classe que merece maior dignidade e prestígio, seguem os chamamentos dos sindicatos.

E o que pretendem? Ora, o acesso automático ao topo da carreira a todos os docentes, pela sua mera antiguidade e independentemente do mérito profissional demonstrado no exercício da sua profissão. A avaliação do seu desempenho é logicamente prejudicial.

Quem nunca apanhou um mau professor? Incompetente? Autoritário e ditatorial? Até quando será permitido que a incompetência forme as novas gerações? Se o professor foi bom e competente não terá receio do seu trabalho. Só os maus trabalhadores temem uma diferenciação ou uma progressão nas suas carreiras baseadas no mérito.

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