sexta-feira, outubro 06, 2006

Perder um filho

(Foto: Mohammed Adnan/AP)

Um pai chora a morte do filho de 3 anos no hospital de Baquba, no Iraque. Kerar Sadiq foi morto durante um tiroteio à porta da casa da família em Khan Bani Saad.

A morte do cônjuge ou de um filho é a situação mais temida e geradora de ansiedade na vida de uma pessoa. E quando tal sucede, não existem palavras de conforto que possam ser verdadeiramente eficazes. Frases como "O tempo cura tudo", "tens de ser forte", "os outros filhos precisam de ti", não fazem o menor sentido. Durante um longo período nada faz sentido. As pessoas arrastam-se, o tempo passa, mas a recuperação é lenta e dolorosa.

Cada pessoa faz o luto à sua maneira e, de um modo geral, o tempo acaba por ser um bom aliado. Provavelmente a ferida nunca chegará a cicatrizar, mas ainda é possível viver o resto da vida. As famílias podem reagir de modo variadíssimo a esta perda. Por exemplo, muitos casais não são capazes de continuar unidos, o que os leva inevitavelmente ao divórcio e ao desmembramento do resto da família. O recurso a substitutos como o álcool, substâncias psicotrópicas, o perigoso isolamento, até à vontade de acabar com a vida, são formas recorrentes de "luto".

Agora, quem tira a dor a um pai que vê o seu filho morrer num conflito insano e sem regras? Essa dor que rapidamente se transforma em raiva e ódio, os mesmos que alimentam ferozmente esse mesmo conflito que gerou a morte inicial. Na regra do "olho por olho, dente por dente", ninguém ganha e toda a gente perde.

Até ao dia em que não haja mais nada a perder...
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