sexta-feira, outubro 06, 2006

Estes americanos querem saber tudo...


O conhecimento é o poder máximo. E não há país no mundo que leve esta premissa mais a sério que os Estados Unidos da América. Para os americanos conhecimento é mesmo poder. E o objectivo é criar formas mais eficazes, mais rápidas, mais absolutas, que alcançar esse conhecimento. E aqui viram-se para a "deusa ciência".

Satélites, aviões-espiões, escutas, GPS, nanotecnologia, supercomputadores, "sistema Echelon", são palavras complicadas que a maioria dos americanos apenas tem uma ligeira noção muito rudimentar. Este é o jeito tradicional dos americanos de encarar a ciência: as pessoas não conhecem a ciência e o método científico; é natural sentir medo do desconhecido; consequentemente, as pessoas têm medo da ciência e das aplicações tecnológicas, têm reverência e pavor do cientista, que é visto como um bruxo.

Esse silogismo é, para alguns, tranquilizante. Todavia contém só uma parte da verdade, tanto nas premissas como nas conclusões: os Estados Unidos estão entre os países com pior nível de alfabetização científica, e é também um dos lugares onde as pessoas têm maior confiança em relação à ciência e suas aplicações.

O melhor exemplo é o que se sucedeu a partir do 11 de Setembro. Os trágicos acontecimentos deram carta branca ao Governo Americano, com a ajuda dos mais sofisticados meios tecnológicos, para abolir segredos bancários, segredos fiscais, bisbilhotar caixas de correio electrónico, controlar fronteiras, investigar e deter pessoas suspeitas - num verdadeiro estado "orweliano".

Sem se aperceberem, a família americana abriu a porta da sua privacidade à devassa governamental. Mas o melhor ainda estava para vir. A "expansão norte-americana" não se reteve nas suas fronteiras. Foram alargados os poderes da CIA. Foram aumentados os recursos da já gigantesca NSA. Os tentáculos do arsenal científico norte-americano, expandiram-se ao resto do mundo, com uma força nunca vista anteriormente.

Ainda ontem, os Estados Unidos conseguiram que a União Europeia (UE) cedesse e aprovasse a troca de dados de passageiros entre ambos os continentes, mesmo depois de em Maio passado o Tribunal Europeu de Justiça ter anulado esta pretensão, por não ser fundada “em bases jurídicas apropriadas”, segundo a justificação oficial.

Assim, e partir de agora, a UE facilita aos Estados Unidos, uma lista até um máximo de 34 dados pessoais sobre os passageiros que voam para aquele país. Informações como o nome, a morada, os telefones de contacto, a forma de pagamento do bilhete, o número do cartão de crédito ou o itinerário completo da viagem. Transmite ainda informação sobre passageiros frequentes (milhas acumuladas e em que viagens), agências e agentes de viagens envolvidos, endereço electrónico, ou lugar atribuído no avião, entre outros dados. Ficam de fora alguns aspectos particulares como a raça, religião, saúde ou opções sexuais.

Estes dados serão entregues ao Departamento de Alfândegas e Fronteiras dos Estados Unidos, que os poderá fornecer a outras agências de segurança dos EUA (entre as quais a CIA, a NSA, o FBI, etc). Apenas Deus e os "top dogs" do intrincado sistema de influências norte-americano sabem a forma como esses dados serão utilizados. Para todo o resto, essa informação é "classified".
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