sexta-feira, Dezembro 02, 2005

300 milhões de crianças passam fome no mundo

África, Índia e China no topo da lista

Trezentos milhões de crianças “passam hoje fome em todo o mundo”, o que representa “a maior vergonha da nossa época” e é “inaceitável”. O balanço e negro é de James Morris, responsável do Programa Alimentar Mundial (PAM), a agência da ONU especializada na ajuda alimentar.

“Trezentos milhões de crianças têm fome”, enquanto “sabemos como resolver esse problema”, começou por afirmar James Morris numa entrevista à AFP, acrescentando que entre “90 milhões a 100 milhões delas estão em África, 80 milhões na Índia, 40 milhões na China, países que apresentaram bons progressos em termos de luta contra a pobreza”. Ainda de acordo com o responsável do PAM, os restantes casos sofrem de malnutrição e repartem-se pelo resto da Ásia, em países como o Afeganistão (seis milhões), e na América Latina.

“Por apenas alguns euros podemos alimentar uma criança, abrigá-la do frio e enviá-la para a escola”, continuou Morris, sustentando que “não há investimento mais frutuoso que o de alimentar uma criança”. Não se trata “de um investimento oneroso, já que o ‘benefício’ é enorme quando essas crianças estão no caminho de terem a sua própria vida, estarem bem de saúde e educados”, afirmou o responsável do PAM, que em Janeiro abre uma delegação em Paris.

Sublinhando que “França tem sido sempre muito generosa sobre este problema e que pode ter um papel motor nesta questão”, Morris indicou que é necessária “uma nova forma de parceria (...) nomeadamente com pessoas do mundo dos negócios e do desporto”.

fonte: PUBLICO

300 milhões de crianças à fome. Quantas mais milhões de adultos. À fome! Creio que só quem passa por esta situação é que poderá saber o terrível que isso é. Querer comer e nada ter a não ser o pó do chão. Ver os filhos com fome e nada lhes ter para dar. O desespero que se apodera das pessoas. E nós, no nosso cantinho bem quente, com um repasto cheio e volumptuoso...

Não me sinto culpado por ter essa sorte. Sorte de ter nascido no seio de uma família que felizmente não tem desses problemas. Não me sinto, como ninguém o deve sentir. Fico é incrédulo como se pode deixar a raça humana chegar ao ponto da total miséria. Sei que há muitas pessoas que ajudam e tentam o melhor para aquela gente. Mas o que tem de mudar são os poderes políticos. São os interesses económicos. Tudo conjugado para parar a evolução daqueles povos. Da mão de obra barata e descartável. Dos iletrados que não sabem que são explorados. Gente sem direitos e sem vida.

Isto sim revolta-me. Não me sinto culpado. Mas sinto-me revoltado.
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