sexta-feira, setembro 16, 2005

Política de mal educados


O debate entre os dois principais candidatos à câmara de Lisboa ficou marcado por insultos, acusações e ataques pessoais.

Infelizmente, nos dias que correm, toda a gente parece que anda de cabeça perdida. Frustrados, zangados, irados, mal criados. É esta a política e os políticos que temos hoje em dia? É esta gente que nos governa? São estes os exemplos que passam para a malta mais nova, quando são eles próprios que se insultam, muitas vezes com acusações graves e irresponsáveis, em jornais, perante as câmaras da televisão, na rádio...

Ainda ontem à noite, Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues, candidatos à presidência da Câmara de Lisboa pelo PS e pelo PSD, respectivamente, em pleno debate televisivo num canal prestigiado como a SIC Notícias, trocaram acusações de forma brejeira e vulgar.

Moderado pelo jornalista João Adelino Faria, o frente-a-frente televisivo teve um desfecho insólito, mas que acabou por traduzir o ambiente da anterior hora e meia de discussão entre Carrilho e Carmona. Carmona Rodrigues, já de pé e pronto para abandonar o estúdio da SIC, aproximou-se de Manuel Maria Carrilho, estendendo-lhe a mão para o cumprimentar, mas este recusou o aperto de mão. "Ordinário", desabafou Carmona Rodrigues, dirigindo-se ao ex-ministro da Cultura de António Guterres que, entretanto, lhe tinha voltado as costas.

Já hoje, O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, inquirido sobre sobre se ontem, dia 15, se iniciou ou não uma nova sessão legislativa no Parlamento, de uma forma bastante rude remeteu a resposta para a Constituição da República. "A resposta está na Constituição e não é de agora. Está desde que ela foi aprovada", declarou à comunicação social.

Perante o pedido dos jornalistas para que esclarecesse então qual a presente sessão legislativa, o presidente da Assembleia da República disse: "Leiam-na [à Constituição]". De seguida voltou as costas aos jornalistas e foi-se embora.

Como se em todos os lares deste país existisse um exemplar da Constituição da República Portuguesa e, a existir, conseguissem todos interpretar esta questão, que até na doutrina especializada tem levantado polémica. Não será obrigação do Presidente da Assembleia da República de Portugal esclarecer o POVO português, questões como esta?

Estes exemplos de má-educação espalham-se pelo país. Desde presidentes de câmaras que se julgam Deus na terra, a outras criaturas cuja cargo parece que os capacitam a tratar o seu inferior com desprezo.

Ninguém faz nada? Estas pessoas não são punidas? Pois não... não o são realmente. Porque o resto do país está mais preocupado com quem entra nos "reality shows" da TVI, em saber se uma tal de Luisa tem uma qualquer doença grave, e se vai dizer aos filhos ou não, na novela da noite, se o Benfica contrata meio mundo, se o McCarthy vai cortar o cabelo ou não...

Já diz o ditado: "cada um tem o que merece!"
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