O Katrina já matou mais de 50 pessoas nestes últimos diasOs furacões integram o grupos dos desastres naturais de origem meteorológica. Fazem parte das chamadas tempestades tropicais. Destas, uma em cada dez atinge uma velocidade de vento superior a 118 quilômetros por hora, adquirindo o estatuto de furacão. Conforme a velocidade do vento, os furacões são organizados em categorias. As mais baixas, com ventos entre 118 e 150 quilômetros por hora. Categorias acima de três são considerados grandes furacões. Os da categoria cinco, com vento superior a 250 quilômetros por hora são catastróficos.
Os furacões originam-se sobre os oceanos aquecidos. Para isso, a temperatura da superfície das águas tem que ser superior a 26,7 °C (80 °F). Geralmente, formam-se no final do verão ou no início do outono. A energia para o sistema vem do calor latente (relacionado com mudança de estado físico da água) que é libertado quando o ar húmido que se eleva no interior da tempestade acaba por esfriar e condensa-se, formando nuvens. Nesse processo, a energia que foi usada para evaporar à água (ao redor de 590 calorias por grama) é libertada na atmosfera, quando o vapor de água condensa, constituindo-se no combustível que dá a força destruidora ao furacão.
Os furacões são ciclones tropicais formados por um conjunto organizado de tempestades ao longo de uma faixa em espiral que se estende dentro de um centro de baixa pressão. Usualmente movem-se para oeste (W), acompanhando os ventos alísios, porém, frequentemente ruma para o norte e deslocam-se para leste (E), nas latitudes médias. Além dos ventos, podem causar chuvas fortes, com inundações severas associadas.
O Pacífico tropical, parte oeste, com suas águas quentes é a região onde se origina o maior número de ciclones tropicais no mundo. Também o oceano Atlântico é considerado um ninho de ciclones, que acabam atingindo as ilhas das Caraíbas e a região sudeste dos Estados Unidos.
Um aspecto curioso dos ciclones tropicais é o chamado "olho", que se forma quando o ar que se eleva na faixa de tempestades acaba por descer ao centro do sistema. O ar descendente cria uma condição de céu claro no centro. Ao redor do "olho" é formado um anel de nuvens do tipo "cúmulo-nimbo", que deixam um faixa de 16 a 80 quilômetros de ar calmo e de céu claro. Durante a passagem de um furacão, quando "olho" atinge uma dada região, pela condição de calmaria, fica a impressão que o pior já passou. Puro engano pois apenas metade da tempestade passou, sendo que a outra metade acaba por chegar algumas horas depois. Os ciclones tropicais enfraquecem sobre os continentes, pela razão óbvia de que deixa de ser alimentado com a energia decorrente do processo de evaporação-condensação da água (calor latente), acabando por desaparecerem.
Os ciclones tropicais possuem nomes diversos, dependendo do local onde ocorrem. São conhecidos no Atlântico Norte e Caraíbas como furacões; nos mares da China e no Pacífico Norte como tufões; nas Filipinas como Baguío; no Oceano Índico e na Baía de Bengala como ciclones; no oeste do México como "El Cordonazo de San Francisco"; e na Austrália como Willy-Willies. Como o nome diz, trata-se de uma tormenta tropical formada por um sistema meteorológico de baixa pressão, cujo núcleo central está mais quente do que a atmosfera em volta e a velocidade do vento é maior do que 118 km/h.
Muito tempo antes do início, em 1950, das previsões oficiais dos ciclones tropicais, as populações das regiões atingidas já davam nomes próprios a esses fenômenos. Nas áreas de língua hispânica, as tormentas eram denominadas pelo nome do santo do dia em que eram observadas. Por isso, Porto Rico teve dois furacões San Felipe, o primeiro a 13 de Setembro de 1876, e o segundo a 13 de Setembro de 1928.
Em 1941, George R. Stewart lançou o livro chamado "Storm", cujo personagem principal era um jovem meteorologista que acompanhou uma tempestade, que ele chamou de Maria, desde o seu nascimento, no Pacífico norte, até sua morte, na América do Norte, alguns dias depois. O livro foi transformado em filme por Walt Disney e promoveu a ideia de dar nomes às tempestades. Durante a II Guerra Mundial, os militares passaram informalmente a dar nomes de mulheres às tempestades. Quase sempre, os nomes das suas esposas ou namoradas.
No pós-guerra, os previsores continuaram descrevendo os furacões pelo nome do local de ocorrência. Porém, em 1950, houve três furacões simultâneos, e os boletins às vezes eram confusos. Assim o alfabeto fonético internacional - Able, Baker, Charlie etc. - foi usado para denominar as tempestades de 1950 a 1952.
De 1953 a 1978, foram usados somente nomes de mulheres. Dizem que por pressão dos movimentos feministas americanos, de 1979 em diante, passou-se a alternar nomes masculinos e femininos na lista dos furacões.
A definição da lista de nomes de furacões é feita pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), a partir de sugestões dos países afectados. Para um ciclo de 6 anos, todos os furacões que ocorrerem estão previamente batizados. Alguns apenas passam, outros, pelo rastro de destruição, tornam-se inesquecíveis, tais como: David (1979), Allen (1980), Alicia (1983), Elena (1985), Glória (1985), Gilbert (1988), Joan (1988), Hugo (1989), Bob (1991), Andrew (1992), Gordon (1994) e Luis (1995), Mitch (1998), Ivan (2004) e provavelmente Katrina (2005).
Na relação a seguir, veja a lista das "personas non gratas" que você teve a sorte de não ter encontrado ou poderá ter o desprazer de encontrar em algum dos paraísos tropicais do Atlântico Norte, no mar do Caribe e na região do golfo do México:
1995: Allison, Barry, Chantal, Dean, Erim, Felix, Gabrielle, Humberto, Iris, Jerry, Karen, Luis, Marilyn, Noel, Opal, Pablo, Roxanne, Sebastien, Tanya, Van e Wendy.
1996: Arthur, Bertha, Cesar, Diana, Edouard, Fran, Gustav, Hortense, Isidore, Josephine, Klaus, Lili, Marco, Nana, Omar, Paloma, Rene, Sally, Teddy, Vicky e Wilfred.
1997: Ana, Claudette, Danny, Erika, Fabian, Grace, Henri, Isabel, Juan, Kata, Larry, Mindy, Nicholas, Odette, Peter, Rose, Sam, Teresa, Victor e Wanda.
1998: Alex, Bonnie, Charley, Danielle, Earl, Frances, Georges, Hermine, Ivan, Jeanne, Karl, Lisa, Mitch, Nicole, Otto, Paula, Richard, Shary, Tomas, Virginie e Walter.
1999: Arlene, Bret, Cindy, Dennis, Emily, Floyd, Gert, Harvey, Irene, José, Katrina, Lenny, Maria, Nate, Ophelia, Philippe, Rita, Stan, Tammy, Vince e Wilma.
2000: Alberto, Beryl, Chris, Debby, Ernesto, Florence, Gordon, Helene, Isaac, Joyce, Keith, Leslie, Michael, Nadine, Oscar, Patty, Rafael, Sandy, Tony, Valerie e Willi.
2001: Erin, Fenix, Humberto, Gabrielle, Iris, Karen, Michelle, Noel e Olga.
2002: Gustav, Isidore, Kyle e Lili.
2003: Claudette, Danny, Erika, Fabian, Grace, Isabel, Juan e Kate.
2004: Alex, Charley, Danielle, Ivan, Gaston, Jeanne, Karl e Lisa.
2005: Dennis, Gert e muito provavelmente o Katrina.
Para cada novo ciclo de seis anos, os nomes que causaram grandes estragos são retirados e substituidos por outros nomes na lista. O Katrina, que em 1999 já havia dado um ar da sua graça, aparece em força, como uma das maiores tempestades naturais da história do Atântico Norte.
O Furacão Katrina é um grande ciclone tropical que se esperava que causasse prejuízos catastróficos ao sudeste da Luisiana (especialmente a região metropolitana de Nova Orleans), assim como o sul do Mississippi, sul do Alabama e possivelmente outras áreas continente adentro. O furacão já passou pelo sul da Flórida, causando cerca de 2 bilhões de dólares de prejuízo e causando 6 mortes directas. É a 11ª tempestade a receber nome, sendo o quarto entre os furacões, e o terceiro maior de 2005.
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