segunda-feira, fevereiro 21, 2005

A vontade de votar era muita...

Abstenção caiu mais de 2,5 por cento

A abstenção nas eleições legislativas de ontem caiu 2,68 pontos percentuais relativamente às eleições de 2002, diminuindo de 37,66 para 34,98 por cento, segundo dados do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE).

Nas legislativas de 2002, em eleições ganhas pelo PSD, dos 8.715.630 eleitores inscritos no país deslocaram-se às urnas 5.433.190, o que representou uma taxa de participação de 62,34 por cento, segundo dados do STAPE. Nas eleições de ontem, e excluindo também a votação nos círculos da Europa e Fora da Europa, a afluência subiu para os 65,02 por cento, já que, em 8.784.702 inscritos, exerceram o seu direito de voto 5.710.440 eleitores.

Deste modo, votaram hoje mais 277.250 eleitores que nas legislativas de 2002, sendo no entanto preciso atender ao facto de estarem inscritos mais 69.072 eleitores que há três anos.

Nas eleições legislativas de 1999 - ganhas pelo PS, que ficou então à beira da maioria absoluta -, a abstenção atingira os 38,6 por cento, pelo que, contrariando os receios de um afastamento dos cidadãos das urnas, a taxa de afluência registou sempre uma subida nas últimas três eleições legislativas. É preciso recuar até 1995 para verificar uma taxa de afluência superior àquela verificada hoje. Então, numas eleições que assinalaram a primeira vitória do PS de António Guterres, a taxa de abstenção quedou-se pelos 33,7 por cento.

Numa análise por círculos eleitorais - e quando faltam ainda os dados referentes aos círculos da Europa e Fora da Europa -, Braga foi aquele que registou uma menor taxa de abstenção (30,18 por cento) e os Açores a mais significativa (51,81), ainda segundo os dados do STAPE.

Nos lugares seguintes dos respectivos "rankings", surgem na lista dos distritos com uma maior afluência às urnas Porto e Lisboa (com taxas de abstenção de 30,18 e 33,88 por cento, respectivamente), enquanto os segundo e terceiro distritos mais "abstencionistas"foram Bragança (44,29 por cento) e Vila Real (42,98).

Nas eleições de ontem registaram-se boicotes em duas freguesias, Germil (Ponte da Barca) e Soito (Sabugal), onde não haverá lugar a repetição da votação por estar concluído o processo de atribuição de mandatos de deputados nos respectivos distritos, Viana do Castelo e Guarda, como prevê a lei eleitoral.

A queda dos valores da abstenção foi um dos factos das eleições de ontem mais saudados pelos dirigentes partidários, ainda que os valores reais tenham ficado um pouco aquém daqueles inicialmente avançados nas projecções, que apontavam para uma taxa de abstenção entre os 28 e os 32 por cento.

De acordo com vários analistas, o grande beneficiado com esta afluência às urnas foi o PS, que conquistou a sua primeira maioria absoluta ao recolher 45 por cento dos votos, que correspondem à eleição a 120 deputados, em 230 assentos.

Também os votos brancos e nulos cresceram nestas eleições, comparativamente a 2002. Ontem, 1,81 por cento dos eleitores que se deslocaram às urnas (mais de 100.000), votaram em branco, contra 1,01 em 2002, e 1,12 por cento votaram nulo, contra 0,93 há três anos.

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