quinta-feira, maio 02, 2013

22 milhões de euros no Dia do Trabalhador...



O dia 1 de Maio, feriado nacional ontem celebrado, representa um pouco por todo o mundo, a luta do trabalhador pelo direito ao trabalho (não confundir com direito ao emprego), por melhores condições de trabalho, pelo justo pagamento da sua prestação, etc. Trata-se de uma luta eterna de todos os trabalhadores, consagrada neste dia, para lembrar tempos idos onde a escravidão e a exploração eram o mote.

Esse tempo passou. Mas apesar da nossa sociedade já não tolerar abusos por parte das entidades patronais - pelo menos aquelas tão óbvias para o trabalho-escravo - não significa que os mesmos não existem. Há de tudo. Mas, ao contrário daquela visão dogmática da velha esquerda social/comunista, onde todos os patrões são diabos vestidos de homem, e que todos deviam arder no inferno com um pau de dois metros e meio espetado pelo rego acima, a realidade é que sem patrões não há empresas, sem empresas não há trabalho. E, na minha modesta opinião, nos dias que correm, proteger as empresas é sinónimo de protecção dos postos de trabalho e, consequentemente, dos trabalhadores.

Do dia 1 de Maio - dia do trabalhador - a notícia que retirei, para mim extremamente alarmente, foi o relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) - a versão nacional da Inspecção Regional do Trabalho - que detectou em 2012, salários em atraso, ou pagos abaixo do mínimo definido por lei ou convenções coletivas, em mais de 13 mil trabalhadores, num montante de perto de 22 milhões de euros

É um valor que representa um aumento de 14% face ao montante global sinalizado pela ACT em 2011 (19,2 milhões de euros) relativos a créditos das empresas aos trabalhadores.

De acordo com o Relatório de Actividades de 2012, de um total de perto de 30 mil empresas inspeccionadas, a ACT encontrou ainda cerca de 4,6 milhões de euros de dívidas correspondentes a contribuições não pagas à Segurança Social. Em 2011, este montante é inferior ao apurado em 2011 que foi de 5,6 milhões de euros.

Esta é a verdade face da crise que assola o nosso país. Mesmo retirando a parte dos 'empresários diabólicos', estes números reflectem um tecido empresarial enfraquecido, sem capacidade de criação de postos de trabalho e de impulsionar a economia. E isto, definitivamente, mata qualquer trabalhador.

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