quarta-feira, fevereiro 20, 2013

3 anos depois: só não sabe quem não quer!




Faz hoje 3 anos desde o terrível aluvião e deslizamento de terras na nossa Madeira, que matou (oficialmente) 46 pessoas, e deixou muita gente sem casa. Porque a memória dos homens tem sempre a tendência de ser curta, nunca deixa de ser conveniente relembrar, nem que seja para que os erros humanos que potenciaram ou agravaram o incidente natural não sejam repetidos.

Numa ilha como a Madeira, com as suas condições geomorfológicas e meteorológicas, a sua população está permanentemente sujeita a situações de riscos naturais, da mais variada índole. Desde a mais comuns (aluviões, fogos, deslizamentos, desabatementos) e outras mais raras (transporte de substâncias perigosas, os acidentes industriais graves, os sismos).

Mas há uma que me chamou à colação. A possibilidade de erupção vulcânica. Algo que nem o mais antigo dos madeirenses põe sequer em consideração.

Numa passagem interessante da sua tese de mestrado da Dra. Maria Justina Pio Fernandes, pode-se ler: "O risco vulcânico também deve ser considerado, pois e segundo Prada (2000), a ilha da Madeira atravessa um período de inactividade eruptiva, por ainda existir actividade vulcânica secundária incipiente. Conclusões que resultam, das análises recolhidas aquando da abertura do túnel rodoviário Rosário/Serra de Água e da galeria da Fajã da Ama, onde foram encontradas, associadas a falhas, nascentes de água quente, com elevados teores de CO2 livres. As referidas análises demonstraram existir CO2 em grande quantidade (cerca de 8%) e a persistência da saída de gases ao longo da falha, indica não se tratar de gases acumulados nas rochas, mas sim, associadas a uma manifestação vulcânica incipiente". (Riscos no Concelho da Ribeira Brava movimentos de vertente cheias rápidas e inundações, 2009, cáp. VI, página 132)

E esta obra é de 2009 e, para além da situação vulcanica, aborda todos os riscos inerentes e potenciais da ilha, mormente os deslizamentos de terra e as cheias rápidas, antes do fatídico 20 de Fevereiro de 2010. É caso para dizer que só não sabe quem não quer...

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