quinta-feira, dezembro 23, 2010

Hospital "excomungado"

 
(Foto: Ken Alltucker/Arizona Republic)


O St. Joseph Hospital, em Phoenix, nos EUA, fundado há 115 anos por freiras católicas, tem 697 camas e uma equipa de 5000 pessoas. Este ano já admitiu cerca de 4000 pacientes, é especialmente reconhecido pelos seus departamentos dedicados à doença de Parkinson e de neurocirurgia e habitualmente é classificado como um dos 10 melhores hospitais norte-americanos.


Em Novembro de 2009 uma mulher de cerca de 20 anos foi diagnosticada uma elevada pressão arterial que não tinha sido detectada antes da gravidez. Vários exames demonstraram que o estado de saúde se deteriorou de forma significativa durante as primeiras semanas de gestação. Órgãos vitais como o coração e os pulmões estavam a ser afectados e os médicos consideraram que a vida da paciente estava em risco. A equipa de médicos chegou mesmo a informa-la que o risco de morte se aproximava dos 100 por cento se avançasse com a gravidez.


Depois de ouvida a paciente e a família, foi decidido interromper a gestação. A directora do hospital, Linda Hunt, defendeu que a decisão “foi consistente com os valores da dignidade e da justiça”. E adiantou: “Se estamos perante uma situação em que a gravidez ameaça a vida de uma mulher, a nossa prioridade é salvar os dois. Mas se isso não for possível iremos sempre salvar a vida que podemos salvar, e foi isso que fizemos neste caso.”


No entanto, O bispo Olmsted discordou desta posição. Consultou o comité de doutrina da conferência norte-americana de bispos católicos, que faz uma distinção entre abortos directos que nunca são justificáveis e abortos indirectos que acontecem acidentalmente no decorrer de procedimentos médicos para salvar a vida da mãe, e foi considerado que a situação em causa se tratara de um aborto directo. Ou seja, como o bebé estava saudável e não havia problemas com a gravidez, mas apenas uma doença da mãe que precisava de ser tratada, e como o St. Joseph decidiu que o bebé saudável de 11 semanas deveria ser morto directamente, esta unidade hospitalar violou os ensinamentos da Igreja.


Assim, o St. Joseph Hospital em Phoenix deixou assim de ser considerado uma instituição católica. Felizmente, neste caso, este hospital não é financiado pela Igreja católica, pelo que continuará a funcionar normalmente. Apenas deixará de haver actos religiosos neste estabelecimento de saúde. Mas e se fosse? Fecharia a 'torneira' a Igreja a um dos mais reputados hospitais dos Estados Unidos? Isto dá mesmo que pensar...

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