terça-feira, dezembro 15, 2009

Ad te usque ad finem

 


 



ATÉ AO FIM


Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.


 
Por Nuno Júdice in "Pedro, Lembrando Inês"
Publicações Dom Quixote

1 comentário:

Luísa Henriques Gouveia disse...

É lindo. Até ao fim é o caminho.