terça-feira, julho 28, 2009

O Dirigível que nunca voou

 


Era uma vez, num tempo muito distante, numa terra longínqua rodeada por mar, um bicho voador sem asas, de uma imensidão de branco, imponente, que prometia deixar os olhos das pessoas virados para o céu. Prometeu mas não cumpriu. Esta é a história do dirigível que nunca voou.


Contam os antigos que aquele dirigível era a coisa mais impressionante que tinham visto na sua vida. Tinha sete metros de comprimento e dois motores. A sua cor branca, com inscrições a azul e vermelho, contrastavam com o verde da paisagem do seu local de lançamento.


O dia era o 26 de Julho. Centenas de pessoas vestidas de laranja encontravam-se reunidas naquela que, à data, era considerada a maior festa do ano. Havia autocarros por todo o lado. Havia bandeirinhas e chapéus. Havia comes e bebes, gente a cantar, algumas pessoas a discursar contra o inimigo externo que constantemente tentavam perturbar e destruir a harmoniosa vida daquele pedaço de terra a meio do mar.


Ali perto, ultimavam-se os preparativos para o lançamento do dirigível. Os homens da lei quer por lá tinham passado haviam tomado conta da ocorrência e verificado a ordem. Estava tudo pronto. O azul das palavras "Olho na Ladroagem" brilhava ao sol da montanha. Algumas curiosas almas aproximavam-se espantadas com tal visão. O dirigível eleva-se orgulhoso. Em breve juntar-se-ia à festa laranja. A contagem descrescente iniciou-se. 10, 9, 8, 7, 6, 5, todos os sistemas prontos, 3, 2...


Pum, Pum, Pum!!!... três tiros de arma, vindos do desconhecido, atingiram o dirigível. Pânico. Uns correram a abrigar-se. Outros olharam à volta. Fumo no arbustros. Alguém tinha disparado contra o dirigível. Alguém que não gosta de festa. Alguém que não gosta de dirigíveis. Alguém sem medo de armas. O dirigível afundou-se na sua tristeza. O seu vôo ficava para outras núpcias. Já não havia condições de segurança para sobrevoar o arraial. Perderam as pessoas. Perdeu a festa.


Ninguém viu o dirigível. Mas agora toda a gente conhece a sua história.

1 comentário:

Viver com a metadona disse...

gostava de saber se este teve no ar perto do cais do sodré neste mês de julho 2012