Um estudo do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), hoje divulgado, vem confirmar alguns dados já conhecidos - os que se relacionam com níveis de desigualdades sociais ou taxas de pobreza, por exemplo - e outros novos - algumas dimensões da privação alargam-se a outros grupos que não estariam nos 20 por cento de pobres.
Cerca de um terço da população vive um contexto de precariedade e está preocupado com a sua sobrevivência, como mostram os resultados. A impossibilidade de pagar uma semana de férias fora, manter a casa aquecida (32,6 por cento não o conseguem) ou não usufruir da baixa médica total por razões económicas ultrapassam em muito os 20 por cento de pobres. O índice resultante do inquérito diz que 35 por cento dos portugueses têm uma privação alta ou média. Mais de metade (57 por cento) tem um orçamento familiar abaixo dos 900 euros.
Ao universo dos mais vulneráveis - idosos, as famílias monoparentais, os menos instruídos - juntam-se os mais jovens e uma percentagem de gente com qualificações superiores, mercê do emprego precário ou desemprego.
A maioria está insatisfeita com a falta de perspectivas e as condições de trabalho - 30,6 por cento desejaria mesmo mudar de emprego. Mas, entre estes últimos, 37,5 por cento confessa que não faz nada para que isso se concretize. Do mesmo modo, 63 por cento recusa a possibilidade de emigrar. O mesmo se verifica ainda em relação às habilitações: só uma minoria deseja voltar a estudar; muitos acham que já não têm idade (51 por cento) ou que não têm tempo (25 por cento).
O estudo demonstra que somos uma sociedade pouco motivada para mudanças pessoais e colectivas. Factor aduzido também pelos elevados níveis de desconfiança em relação aos outros (4,5 em 10; só os mais instruídos atingem os 5,2) e às instituições - governamentais, nomeadamente, que merecem pouca ou nenhuma confiança em 70 por cento dos casos.
É de julgar pelas respostas dadas que este é um país miserável para viver. Mas não! Segundo este estudo o grau de satisfação é de 6,6 (numa escala de 1 a 10). E o grau de felicidade, segundo a mesma escala, chega aos 7,3.
Eis o país do fado, da sina e do destino de sofrimento, em todo o seu esplendor. 'Cadê' os aventurosos marinheiros que levaram Portugal aos sete cantos do mundo? Isto faz-me lembrar aquela conversa dos 'velhinhos', antes pobre que mal agradecido, à escala do país...

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