sexta-feira, maio 22, 2009

Intransigências

 
(Foto: Brick Lane, London)

No dia em que se soube que o desemprego registado em Portugal atingiu o valor mais alto de sempre, é notícia que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa recusa-se em mexer na proposta apresentada à administração, "sem qualquer margem para negociações", embora não revele que exigências tem em cima da mesa. Face a este finca-pé dos trabalhadores, a administração da Autoeuropa já anunciou a quebra das negociações, o que deixa no ar o espectro da saída de Portugal.


É para mim incompreensível que, numa altura destas em que um emprego procura-se a qualquer preço, continuemos a assistir a este nível de "intrasigência" dos trabalhadores. Como é evidente não estou a defender emprego a qualquer preço mas, pelo que se leu e ouviu do caso da Autoeuropa, a discussão prende-se com as remunerações de trabalho extraordinário e não nas condições gerais de trabalho. Entre uns trocos a mais e ordenado seguro, parece-me clara qual devia ser a resposta nestas condições. Até porque parecem estar esquecidos do que aconteceu com a Opel, na Azambuja, que pegou nas malinhas e foi-se embora.


Será que os trabalhadores da Autoeuropa querem o mesmo? E quem lhes pagará o ordenado depois?

1 comentário:

il _messajero disse...

Este caso adquire especial ênfase sabendo-se o peso que as exportações da dita fábrica têm no total de exportações do país. No entanto, a questão é mesmo essa. A crise não deve servir de desculpa ou justificação para reduzir condições estabelecidas. Nem deve ser servir para ocultar reduções plenamente injustificadas.

Concordo em parte contigo e compreendo que no actual cenário, olhando ao sector que é, as concessões deveriam ser efectuadas de lado a lado. Mas todos sabemos que esta crise tem ocultado verdadeiros lay-off que não se justificariam.

E no meu entendimento, havendo trabalho extraordinário (fora do horário normal de trabalho), o mesmo deve ser remunerado acima da média.