domingo, novembro 02, 2008

Orquídea Branca

 


"Orquídea Branca" é provavelmente o projecto mais ambicioso de sempre do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA). Do naipe de 180 artistas, constam alunos e professores do gabinete e coristas do Teatro São Carlos. A ópera, um original do compositor e maestro Jorge Salgueiro, a partir de libreto escrito por João Aguiar, transporta-nos para os finais do século XIX, para a estadia e morte da Princesa D. Amélia de Leuchtenberg no Funchal.


Tive oportunidade de ir assistir à "Orquídea Branca", no Teatro Municipal Baltazar Dias, na passada sexta-feira. E, de facto, merece os elogios que tem recebido. Mas, comecemos por aquilo que não gostei: o texto. Achei-o demasiado rebuscado e simplório, cuja previsibilidade era evidente. Para mais, era demasiado enrolado para ser cantado, obrigando os cantores a um esforço extra mas que, muitas vezes, perdíamos a noção do sentido. Creio que, toda a obra apresentada, merecia um texto mais corrido, mais fluido e mais consistente. Mas não se pode ter tudo.


Tudo o resto está magnífico. As vozes são soberbas, com particular destaque para o veterano Carlos Guilherme (deão da Sé) e para a Carla Isabel, no papel da princesa Maria Amélia. Os coros - todos - acompanham em grande forma mas quero destacar aqui as "meninas do pó", cujas vozes suaves adocicaram os seus momentos. Toda a peça musical é muito boa, e a Orquestra e o seu maestro merecem um enorme bravo. As coreografias são muito bonitas, assim como o guarda-roupa e o desenho de luz tem momentos de grande nível. No cômputo geral, gostei imenso.


"Orquídea Branca" é claramente excelente trabalho e vem demonstrar, mais uma vez, que temos grande qualidade entre portas, sem termos necessidade de importar e pagar por trabalhos medíocres vindos do continente. Vale a pena apoiar a arte madeirense. Este é mais um exemplo.

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