E começou o Rock in Rio Lisboa 2008. Foi com grande expectativa que fui ao primeiro dia, já imaginando a confusão que iria ser, após a notícia que o parque esperava cerca de 90 mil pessoas. Durante a noite ainda falaram em mais de cem mil. Não sei ao certo, mas sei que, de facto, era imensa gente.
O Parque este ano tem algumas novidades. Já não há o palco para as novidades, sendo substituido pelo 'Palco Sunset', uma espécie de consórcio entre bandas portuguesas. A tenda electrónica foi substituida por uma "Stonehedge" alienígena, no topo de um monte. Há um espaço Fashion, aparentemente reservado para umas maricadas da moda, e dezenas de barracas da SAPO, Optimus, SIC, Vodafone, Seguros, etc, etc, etc, para tentgar que as pessoas acrescentem mais gastos aos 53 euros do bilhete. O 'Palco Mundo' não está tão bonito como o da edição anterior mas é um exemplo da luta pela defesa do ambiente, sendo o bicho todo "XPTO" na poupança de energia e poluição ambiental.
Mas indo ao que interessa mesmo, as hostilidades abriram com o Paulo Gonzo. Bem disposto, o "Tom Jones" português lá animou a malta com alguns dos seus êxitos 'telenovelísticos', mas foi sobretudo quando entrou no "Rock 'n Roll Blues" que mostrou todo o talento. Que pena que não regresse aos tempos da 'Go Graal Blues Band'. Mas valeu.
Seguiu-se a inevitável Ivete Sangalo. Confesso que já não tinha grande vontade de rever a Ivete até porque já estava cansado das músicas. No entanto, a menina da Bahia veio renovada, até na sua banda, trouxe músicas novas, remisturadas com um ou outro clássico e... arrasou. Essa é que é a verdade. É muito talento, capacidade física notável (para não falar noutras qualidades), e o público totalmente rendido. Mais não se pode pedir.
Já falo da Amy.
Mister Lenny Kravitz. Vai a vénia. Basta dizer que, mesmo com os ponteiros do relógio a avançar furiosamente para as duas da manhã, eu ficava mais tempo só para ouvir mais músicas dele. Simplesmente fantástico. O 'set list' saltou entre as músicas do novo álbum (com destaque para "Love, Love, Love"), e alguns dos seus éxitos (como "Mr. Cab Driver", "Always On The Run", "Dig In"), acabando o concerto na apoteótica "Are You Gonna Go My Way"... brilhante, brilhante!
Pronto... agora um espaço reservado a mrs. Amy Winehouse. Bem... o que dizer de uma jovem de 22 anos que entra em palco, 40 minutos depois da hora marcada, completamente bêbada e/ou pedrada, de cigarro e copo na mão, mal aguentando-se de pé? Ela tropeçou, tentou tocar viola sem sucesso, não conseguia encaixar o micro, trocou letras, chorou e fez o diabo à banda. Mas, mesmo afónica, e perante um público completamente estupidificado (se bem que havia um grande número que estava lá só para dizer que esteve), ela cantou. E, digam o que quiserem, ela, de uma forma doentia e macabra, encantou. E custa-me a dizer, mas tenho de admitir... uma fulana drograda, alcoolica, sem voz, ainda consegue cantar melhor que eu!!! Raiva... ;)
Seja como for, este é um concerto histórico. A verdade é que, a levar a vida que leva, não a teremos entre nós por muito tempo. E tal e qual Janis Joplin, as histórias "extra-curriculares" da vida de Winehouse, alicerçadas numa genialidade musical, torná-la-ão um mito da música do séc. XXI. Com a particularidade de vivermos hoje em dia num mundo de artistas pré-fabricados, enlatados e todos iguais, como ela própria afirmou "sem alma". Genuinidade e frontalidade. Por quanto mais tempo teremos Amy Winehouse?




Sem comentários:
Enviar um comentário