terça-feira, dezembro 11, 2007

Ainda não é desta...

(Foto: Jo Yong-Hak/Reuters)

O petroleiro “Hebei Spirit”, 170 quilómetros a Sul de Seul e ao largo de Taean, está a causar a maior maré negra da Coreia do Sul. O Governo mobilizou mais de cem navios e centenas de soldados para limpar a mancha negra que já chegou às praias e afectou uma reserva natural.

Ainda não é desta que aprendemos a lição. Está na altura de, uma vez por todas, "limparmos" a nossa atitude perante o nosso planeta. Continuamos a nos agarrar a um produto derivado do carbono e as consequências deste nosso acto desenfreado estão à vista.

O nosso planeta é um ser vivo, auto-regulador e até agora tem consigo "absorver" todas as nossas loucuras. Mas como todo o ser vivo, também a Terra tem as suas limitações e quando ultrapassados certos parâmetros de temperatura, ela perde esta sua capacidade extraordinária. E cada vez mais nos aproximamos do ponto de não retorno (e estou a ser optimista).

O aumento da temperatura global é um problema real e um problema de todos nós. E é um problema que cada vez mais se agrava e quando ultrapassar um certo limite térmico (apontam os especialistas para os 550 partes por milhão - ou seja 550 moléculas de gás com efeito de estufa em cada milhão de moléculas de ar seco... não importa perceber, basta saber que é demasiado), caminharemos para a extinção em massa. Não acreditam?

Já ouviram falar no "Efeito Budyko"? Mikhail Budyko era um climatologista russo que descobriu que a neve reflecte para o espaço a maior parte do calor do Sol que sobre ela incide, o que ajuda a manter o clima fresco. O problema é que, como o dióxido de carbono libertado pelas combustíveis derivados do carbono elevou a temperatura global, a neve começou a derreter, deixando surgir por baixo o solo escuro. Este solo, por ser escuro, absorve o calor o que, por sua vez, provoca mais calor, o qual provoca uma aceleração no derreter da neve, o que faz emergir mais solo escuro, o que provoca ainda mais calor.

Mais recentemente descobriu-se que este efeito também tem aplicação na água, nomeadamente nos oceanos. Enquanto que o gelo reflecte para o espaço cerca de 80% do calor que entra no nosso planeta, os oceanos absorvem cerca de 90% desse mesmo calor. Como o gelo está a derreter, há mais oceano a absorver calor, o que faz aumentar a temperatura da água. Como o calor aumenta, derrete mais gelo, aumenta a área absorvente do calor, fazendo subir a temperatura da água, assim sucessivamente. Como o calor aumenta, a água perde os seus nutrientes o que faz com que os "reservatórios naturais" de dióxido de carbono (algas, plantas marinhas, etc.) morram, libertando esse carbono retido.

O mesmo se passa com as florestas. Como a temperatura aumentou, elas estão a diminuir. Sem esquecer que o homem ainda presta uma ajuda "inestimável". O problema é que, sem a sombra das árvores o solo aquece mais e, consequentemente, faz aquecer ainda mais o planeta, o que provoca a diminuição das florestas, logo mesmo sombra e mais calor. E note-se que as árvores são esponjas aborventes de dióxido de carbono. Se elas morrem significa que milhões e milhões de particulas de carbono serão libertadas na atmosfera, com efeitos que só o futuro o dirá.

Com esta libertação brutal de dióxido de carbono pelas combustíveis fósseis (derivados do carbono como o petróleo, carvão, etc.), a temperatura do planeta aproxima-se a passos largos do limite que este é capaz de suportar. Sem a sua capacidade auto-reguladora, o aquecimento global terá consequências catastróficas para todos nós.

Está na altura de surgir outra solução energética para a nossa sociedade, que seja mais eficaz que o petróleo e de preferência que não seja um derivado do carbono. Seja o nuclear, seja o hidrogénio, seja qualquer outra fonte não poluente, ela tem de aparecer, e tem de aparecer já. Para já, a "Indústria" não deixa. Mas até ela já está aflita ao ver que o seu produto mágico começa a findar e o barril caminha galopante para os três dígitos. Já tivemos Quioto. Agora Bali. Um dia isto acaba de vez.

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