domingo, novembro 05, 2006

O Lambe-Botas

Há muito tempo que não assistia a tão clara submissão e engraxamento de um líder regional a um líder do partido nacional. Questão que ainda se torna mais evidente quando ambos são os respectivos líderes do Governo da Região Autónomo dos Açores e do Governo nacional.

Carlos César, no executivo regional desde 1996, tem sido o mais fiel "cachorrinho" do engenheiro Sócrates. Situação que se tem notado cada vez mais, desde que o Governo assumiu as cores rosas do PS, e sobretudo, nas criticas ferozes e depreciativas a Alberto João Jardim, líder do GR da Madeira.

Como se não bastasse a deselegância de querer comparar a sua governação àquela tomada pelo executivo madeirense (incluindo uma frase: "se eu tivesse o dinheiro deles faria bem melhor..."), vira agora as suas baterias aos próprios madeirenses - como acabei de ver na tv - ao ponto de gozar com o sotaque dos madeirenses.

Pergunto se as ilhas dos Açores também não falam com sotaque. Pelos vistos já se esqueceu das humilhantes reportagens na televisão pública sobre os Açores onde estes ponham legendas, nas falas dos açorianos. Seja como for, desde quando é que o sotaque serve para criticar medidas ou tomadas de posições oficiais?

É natural que pelos critérios da convergência nacional os Açores precisam de mais fundos, do que aqueles que são entregues à Madeira. Tal situação não se discute. O que não se admite é que venham tirar à Madeira, para dar aos Açores que, quase 30 anos depois da autonomia, pouco ou nada tem para mostrar! O que fizeram com todo o dinheiro que receberam?

Carlos César confirma, mais uma vez, que a sua prioridade é defender o seu partido (PS) e não os açorianos. Que razão terá para insultar a Madeira e os madeirenses? É mais um sonso que vive do clientelismo socialista e que tem fomentado a divisão entre os portugueses. O pagamento da dívida acumulada dos Açores, no montante de 90 milhões de contos (na moeda antiga), pelo Governo de Sócrates, tornou-o numa espécie de papagaio arrogante.

Mas esquece-se que algum dia poderá de ter de justificar, onde é aplicou essa mesma verba.
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