domingo, outubro 29, 2006

O poço (sem fundo) dos desejos

Nesta última semana, o "jackpot" do Euromilhões era de 113 milhões de euros. Uma quantia fabulosa que levou a maioria dos madeirenses a comprar os seus números da sorte.

Foi também nesta semana que saiu no DN Madeira, uma notícia muito curiosa. Segundo os dados oficiais do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desde que o Euromilhões foi lançado em Portugal, há precisamente dois anos, os madeirenses já investiram mais de 44 milhões de euros em apostas. Este valor quase que chega para cobrir o montante das verbas que o Estado quer reduzir na transferência para a Região Autónoma da Madeira, estimada na ordem dos 47,8 milhões de euros, de acordo com os dados da Secretaria Regional do Planeamento e Finanças.

Para terem uma ideia mais concreta, este valor corresponde, por exemplo, ao quíntuplo daquilo que o Governo Regional concedeu, através de subsídios, ao sector da Educação na Madeira, em 2005. Dava para subsidiar durante 5 anos: 27 estabelecimentos de ensino público e privados, associações académicas, transporte a estudantes e crianças que residem em zonas isoladas e desfavorecidas, bolsas de estudo a alunos no estrangeiro, além de pagar a fornecedores e outros beneficiários.

Os 44 milhões de euros investidos nestes dois anos de vida do Euromilhões, são também superiores ao global das verbas concedidas pelo Governo Regional (ao abrigo de contratos-programa de cooperação técnica e financeira) às onze câmaras municipais madeirenses que, em 2005, ano de eleições, não foram além de 37 milhões de euros.

E apesar da probabilidade de um jogador adivinhar na chave sorteada ser de um em 78 milhões, aparentemente isso não é suficiente para retirar a esperança aos apostadores madeirenses que, no cômputo nacional, até estão bem cotados na lista dos que mais perseguem a sorte europeia. Um sinal dos tempos.
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