sexta-feira, outubro 07, 2005

Os Prémios Ignobel

Prémios Ignobel distinguem a ciência mais louca do ano

Os prémios Ignobel, que fazem uma paródia aos Nobel, distinguindo investigação científica que faça primeiro rir e depois pensar, foram ontem atribuídos, na Universidade de Harvard (EUA). A invenção de testículos de substituição para cães castrados e a monitorização eléctrica da actividade de numa única célula cerebral de um gafanhoto, quando este assistia a alguns momentos da saga Guerra das Estrelas, estão entre os premiados.

Sete dos dez galardoados foram a Harvard e, se tudo correu como previsto (a cerimónia ocorre durante a madrugada portuguesa), assistiram à cerimónia e receberam o prémio, entregue por cientistas que já ganharam uma das célebres medalhas de ouro atribuídas pela Real Academia Sueca. As categorias dos Ignobel não correspondem bem às dos Nobel. São mais, e variam de ano para ano. A escolha é feita pela revista humorística Annals of Improbable Research. Assim, não admira que exista um Ignobel da Dinâmica de Fluidos, atribuído aos cientistas que "utilizaram princípios básicos da física para calcular a pressão que se acumula no intestino dos pinguins antes de defecarem".

Victor Meyer-Rochow, da Universidade Internacional de Bremen (Alemanha), e Jozsef Gal, da Universidade Loránd Eötvös, na Hungria, publicaram em 2003 na revista Polar Biology um artigo cujo título pode ser traduzido como "As pressões que se produzem quando os pinguins fazem cocó". A ideia era calcular a força que faziam para atirarem as fezes para longe do ninho. "Quem quer que tenha visto um pinguim disparar um "tiro" pela parte de trás deve ter-se interrogado sobre a pressão que a ave gera", dizem os cientistas. Para saber mais, pode consultar o artigo, em http://flow.arrr.net/penguins.pdf.

Nada banal é também o Ignobel da Biologia, que foi para a equipa de investigadores canadianos, suíços, franceses e australianos que se dedicaram a catalogar os odores produzidos por 131 espécies de sapos. Foi dada especial atenção a espécies australianas, e foram recrutados voluntários para cheirar os sapos. Os odores iam desde os aromas florais aos repulsivos, segundo dizem em 2004 na revista Applied Herpetology. O objectivo era compreender a função biológica destes odores e tentar estabelecer relações filogenéticas entre eles.

O Ignobel da Física foi para John Mainstone e o já falecido Thomas Parnell, da Universidade de Queensland, na Austrália, por uma experiência que deve bater recordes de duração: desde 1927 que Parnell acompanhou o ritmo a que um pedaço de alcatrão congelado se vai derretendo e cai por um funil. Fá-lo à velocidade estonteante de uma gota por cada nove anos. Mas, tragicamente, a oitava gota caiu em Novembro de 2000, quando Mainstone estava a viajar, e a sofisticada câmara que devia registar o momento avariou-se. E há mais: a gota não chegou bem a cair, pois a instalação de ar condicionado no edifício onde está a experiência fez com que se formasse uma gota que ficou ligada por um fio ao funil, sem chegar a cair. A experiência está num momento de crise, explica Mainstone.

James Watson, da Universidade de Massey, na Nova Zelândia, recebe o Ignobel da História Agrícola, pela investigação sobre o mistério das calças explosivas de Richard Bucley. Estranho? Pois em 1931 o drama das calças que explodiam, por vezes com os seus utilizadores lá dentro, comoveu a Nova Zelândia. O problema era causado pelo clorato de sódio usado para lutar contra uma erva daninha que infestava os prados. Mas este químico, quando misturado com material orgânico (como as fibras das calças), forma compostos que explodem à primeira faísca, mesmo ao acender um cigarro.

O Ignobel da Medicina foi atribuído ao inventor dos neutículos, ou seja, testículos artificiais de substituição para cães castrados. Montou uma empresa com presença na Internet ( http://www.neuticles.com ) que vende os testículos artificiais em três tamanhos e diferentes graus de firmeza. A ideia é permitir que os animais castrados não tenham problemas psicológicos.

Edward Cussler e Brian Gettelfinger, da Universidade do Minesotta (EUA), receberam o prémio da Química pelo artigo que tem um título imortal: "Um humano nadaria em melaço mais rápido ou mais devagar?" Foi publicado em 2004, na revista American Institute of Chemical Engineers Journal".

Já o Ignobel da Economia foi para Gauri Ganda, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts, que inventou um despertador capaz de garantir que toda a gente chega ao emprego a horas: toca e foge, mas fica sempre com a campainha a tinir, para obrigar a pessoa a levantar-se.

Claire Rind e Peter Simmons, da Universidade de Newcastle (Reino Unido), foram distinguidos com o Ignobel da Paz: foram eles que monitorizaram um único neurónio de gafanhoto, enquanto este assistia à Guerra das Estrelas.

Yoshiro Nakamats, do Japão, é um génio certificado, que organiza a Convenção Mundial dos Génios (a próxima é a 17 e 18 de Novembro, em Tóquio). Este inventor, que diz ter vendido seis patentes à IBM, ganhou o Ignobel da Nutrição, por ter fotografado e analisado todas as refeições que consumiu nos últimos 34 anos (e continua).

Finalmente, a literatura: é distinguida uma obra e não os seus autores, ao contrário do que acontece com os Nobel. A distinção vai para os empresários nigerianos que criaram uma série de pequenas histórias distribuídas por e-mail, que deram a conhecer ao mundo personagens como o general Sain Abacha e a sua esposa. Estas figuras precisam sempre de um pequeno empréstimo para ter acesso à grande riqueza que lhes pertence e que gostariam de partilhar com a pessoa que os ajudar.

Para quem quer saber mais consulte o site oficial: http://www.improb.com/ig/ig-top.html
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