quarta-feira, outubro 05, 2005

Medir o estado da República

A revolução do 5 de Outubro de 1910 foi há já 95 anos

No dia 5 de Outubro de 1910 nasceu a República em Portugal, pondo fim a séculos de governância monárquica. O então, rei de Portugal D. Manuel II, viu-se obrigado a exilar-se em Inglaterra onde viria a falecer em 1932.

À data da revolução foi constituído o primeiro governo provisório onde Joaquim Teófilo Braga foi o seu primeiro presidente.

Finalmente em 1911, foi publicada a primeira Constituição e, após escrutínio popular, o Dr. Manuel de Arriaga foi eleito como o primeiro Presidente da República Portuguesa.

95 anos passados, depois de quase 40 anos de ditadura salazarista, o que mudou em Portugal? Apesar de a revolução dos cravos já ter 31 anos nas pernas, Portugal é um país cuja democracia social ainda é algo jovem e grandemente irresponsável.

Portugal vive em crise. Parcialmente motivada por decisões executivas erradas. Parcialmente por ser incapaz de gerir-se a si mesmo. Muito por causa dos portugueses. Povo de grandes talentos e grandes qualidades, mas que, por motivos que só a história e milhares de horas em psicanalistas poderão explicar, tem a tendência para se auto-mutilar e auto-destruir.

A República deve ser uma comunidade de cidadãos livres e iguais que tem a lucidez e a coragem de olhar de frente para os problemas e confrontar os cidadãos com as diversas soluções que para eles existam. Mesmo que esses problemas, como é o caso da questão da participação cívica e política tenham componentes civilizacionais que transcendem as fronteiras da nossa sociedade.

A República deve ser aquela em que ninguém espera que as coisas mudem por si, mas onde todos devem sentir como dever seu melhorar a sociedade em que se inserem. Mesmo que isso implique sacrifícios.

Só podemos esperar que as gerações vindouras sejam mais práticas, menos abusivas, menos centradas no seu umbigo e que, de alguma forma, possam tirar Portugal do marasmo social em que se encontra. Será pedir demais? Talvez... mas a esperança é sempre a última a morrer.
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