terça-feira, setembro 27, 2005

Primeiro treino de Bonamigo

Primeiro conquistar pontos depois virão as exibições

Ontem, após o primeiro treino que orientou como responsável técnico do plantel do Marítimo, Paulo Bonamigo falou à comunicação social. Repetindo ideias expressas na véspera, quando da sua chegada ao Funchal, mas juntando-lhes outros aspectos.

Um discurso sóbrio, fluído e, sobretudo, realista. De um técnico de 45 anos, experiente por passagens nalguns dos melhores clubes brasileiros. E revelando, acima de tudo, estar com os pés bem assentes na terra.

LUTAR PELA EUROPA PENSANDO JOGO A JOGO

"Pegando" numa equipa que apenas soma dois pontos em cinco jogos disputados, o brasileiro reconhece, desde logo, que o importante «é somar pontos». Recusando a «hipocrisia» de, no momento presente, «falar em títulos ou conquistas», o treinador pensa, fundamentalmente, «em melhorar o rendimento» o que significará «estar mais próximo dos resultados».

«O que se consegue com trabalho», alerta consciente do momento que a equipa atravessa mas apressando-se a confessar estar «muito motivado» para esta missão. Reforçando que há que pensar «jogo a jogo», Bonamigo não esconde que comunga do «mesmo objectivo» da direcção que é lutar por uma posição europeia.

GANHAR AO FC PORTO PARA A... VIRAGEM

Para já, o adversário dá pelo nome de FC Porto. O líder da Liga portuguesa não amedronta o treinador maritimista. «É um jogo importante que em caso de vitória nossa poderá ter um significado de viragem», acredita até porque, lembra, «os jogos perante os nossos adeptos terão de assumir um papel importante». «Mesmo sabendo que o FC Porto é uma grande equipa, nós ainda não vencemos e temos de fazer tudo para o conseguir no próximo jogo», antevê.

Num plano mais concreto, admite que a equipa "verde-rubra" que actuou sábado passado em Guimarães «é a base» sobre a qual assentará o onze para defrontar os portistas, conquanto adiante alterar «talvez duas unidades». «Mas isso vai depender do trabalho da semana, o Rincón está lesionado... Vamos analisar o grupo até porque, como sabemos, quando chega um treinador novo a motivação é maior», refere.

De qualquer modo, revela-se pragmático: «O plantel do Marítimo sofreu uma reformulação pelo que se torna necessário algum tempo até ganhar um padrão. É preciso, sobretudo, resultados! Então talvez estruture uma equipa prática, objectiva; para convencer, em termos de actuação, buscaremos mais para a frente...».

GRUPO EQUILIBRADO COM QUALIDADE A VERIFICAR

Notando o "mundo global" dos dias de hoje, Bonamigo diz-se familiarizado com o futebol português, um dos importantes campeonatos mundiais a par do «espanhol, italiano, inglês e o brasileiro». «Quem trabalha no futebol tem a obrigação de conhecê-los», aponta. «Sabemos, pois, que o Marítimo é uma equipa que luta habitualmente por um aposição cimeira e acho que o grupo está equilibrado embora a qualidade da equipa irei verificar com os treinos e com os jogos», acrescenta.

EQUIPA A TRANSPIRAR E A LUTAR O TEMPO TODO PELA VITÓRIA

Dando conta de que é de uma "escola" do sul do Brasil, tendo jogado 17 anos no futebol gaúcho, Bonamigo, confrontado com a filosofia de jogo a implementar no Marítimo, diz gostar de um futebol «de alta competição, de velocidade». Admitindo que uma jogada individual «pode resolver uma partida», o técnico não esquece «a disciplina táctica» prometendo que o Marítimo será uma equipa «a transpirar e a lutar o tempo todo pela vitória». «Essa tem de ser a "cara" do Marítimo!», exclama.

«BRASILEIROS? IDENTIDADE E NACIONALIDADE NÃO IMPORTAM»

Tendo à disposição um vasto leque de brasileiros, formando a maioria do plantel, o treinador oriundo do "país irmão" desvaloriza a situação. «Tratarei todos da mesma forma» assegura ao mesmo tempo que revela ter referido, na palestra aos atletas, não querer saber «da nacionalidade de cada um». «Todos têm de ter uma conduta profissional exigida pelo Marítimo. Identidade, nacionalidade não interessa; importa é um atleta profissional gostar de vencer, se dedicar ao máximo aos treinos, procurar um crescimento profissional e não vir para a Madeira olhar para o turismo... Eu, por exemplo, deixei a família para vir para cá trabalhar e para isso preciso de muito boa colaboração dos atletas, independentemente da sua nacionalidade», explica.

Elogiando «as infra-estruturas e condições de trabalho» que rotula de «muito boas», dignas «da I Divisão do futebol português», Bonamigo acentua que teve agora os primeiros contactos com o grupo «em termos de apresentarmos uma filosofia de trabalho e de jogo», tendo em vista «o criar de uma identidade própria de equipa para o Marítimo». Para o que, reconhece, «é necessário tempo», embora domingo próximo já haja um compromisso de elevado grau de dificuldade...

fonte: DN Madeira
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