Pelo menos 635 peregrinos xiitas iraquianos morreram hoje em Bagdad, na sequência de rumores que davam conta da presença de um bombista suicida entre a multidão, que entrou em pânico. Os últimos balanços dão conta de mais de 300 feridos.
O primeiro-ministro, Ibrahim Jaafari, já decretou três dias de luto nacional por causa desta tragédia. Numa declaração feita na televisão pública Iraqia, Jaafari apresentou as condolências às famílias das vítimas que morreram "como mártires".
Depois dos rumores que indicavam a presença de um bombista suicida entre os peregrinos xiitas, uma grade da uma das pontes sobre o rio Tigre ruiu, lançando centenas de pessoas para a água. Fontes da polícia explicam que a multidão seguia para a mesquita de Kadhimiya, na parte velha da capital iraquiana, para participar numa cerimónia religiosa.
Depois de alguém ter gritado que havia um bombista suicida entre a multidão, "centenas de pessoas começaram a correr e algumas atiraram-se para o rio", explicou a mesma fonte ouvida pela Reuters. "Muitos idosos morreram de imediato espezinhados, ainda há muitos corpos no rio e os barcos estão a resgatá-los".
Pouco tempo antes desta tragédia, um ataque com morteiros e "rockets" matou pelo menos sete pessoas e feriu pelo menos 40 perto do túmulo do imã Musa al-Kadim, também no distrito de Kazamiyah. No canal de televisão Iraqia, o ministro da Saúde Abdel Muttaleb Mohammed Ali acusou os autores deste ataque de serem “os responsáveis pelo pânico criado na ponte” que fica perto da mesquita do imã Al-Kazim.
Mohammed Ali confirmou também que houve vários casos de envenenamentos entre os peregrinos. “Queremos deixar um aviso por causa do consumo de produtos alimentares oferecidos por desconhecidos”, disse. Segundo fontes hopitalares, pelo menos 20 peregrinos morreram depois de terem consumido alimentos envenenados. O porta-voz da protecção civil disse à AFP que os serviços que dirige estão disponibilizar água potável aos peregrinos xiitas que continuam a participar em crimónias que marcam a morte do seu sétimo imã, Mussa al-Kazim.
Cresce a tensão entre as várias comunidades étnicas e religiosas no Iraque por causa da nova Constituição. O Parlamento deu por terminados os trabalhos sobre o documento no domingo e agora segue-se o processo de convocação de um referendo que terá de se realizar antes do dia 15 de Outubro.
fonte: PUBLICO
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