quarta-feira, março 23, 2005

Ainda o caso Terri Schiavo

EUA: Dois tribunais federais já negaram voltar a alimentar doente em coma


Caso Terri Schiavo opõe pais e marido da paciente

O tribunal federal de apelos do 11º círculo recusou esta madrugada reinserir o tubo que a alimenta e mantém viva a doente Terri Schiavo, que está em coma há 15 anos num hospital da Florida. A paciente encontra-se sem o tubo de alimentação desde sexta-feira.

O colectivo de três juízes decidiu, por dois votos contra um, não deferir o recurso apresentado pelos pais de Terri Schiavo, que lutam por manter viva a filha que vive em estado vegetativo há 15 anos num hospital da Florida. Os pais, Bob e Mary Schindler, vão apresentar novo recurso "para salvar a vida da filha", disse o advogado Rex Sparklin, que representa o casal. Ontem, os Schindler já avisavam que a sua filha estava "a desaparecer rapidamente" e que poderia morrer a qualquer momento.

Esta foi a segunda rejeição que a família ouviu em três dias, os mesmos passados desde a promulgação da lei concebida especialmente para o caso Schiavo pelo Congresso e pelo Senado americano. O Presidente George W. Bush empenhou-se pessoalmente neste diploma, que promulgou na madrugada de segunda-feira, tendo mesmo regressado mais cedo do fim-de-semana no seu rancho no Texas.

Os recursos da família da doente junto da justiça federal só foram possíveis graças a esse diploma criado em tempo relâmpago, desencadeado pela retirada do tubo de alimentação de Terri Schiavo na sexta-feira, por ordem do marido e de um tribunal estatal da Florida. Contudo, depois de ontem um juiz federal ter rejeitado a vontade dos pais da paciente em coma, também hoje os juízes do tribunal de apelos decidiram contra os pais de Terri Schiavo.

Os pais e a irmã de Terri Schiavo, em coma profundo há 15 anos, acreditam que a familiar pode melhorar, baseando-se nas reacções que a paciente apresenta. Contudo, apoiado por pareceres de neurologistas, o marido, que age em representação da mulher, defende que esta não quereria ser mantida viva em estado vegetativo e luta há anos nos tribunais pelo seu direito à morte.

O tubo que alimenta Schiavo foi desligado na sexta-feira, prevendo-se que consiga sobreviver alguns dias, até duas semanas, sem os nutrientes. O tubo já fora retirado duas vezes e, em ambos os casos, voltou a ser colocado por ordem da família da paciente.

fonte: PUBLICO

1 comentário:

Anónimo disse...

Este caso leva-nos a pensar no que realmente podemos considerar de "vida"...Será que podemos considerar que esta rapariga está viva, considerando que já esta em coma profundo a 15 anos?? Mas por outro lado quem somos nós para a considerar-mos que esta não vive??? Tudo depende da nossa maneira de ver e sentir as coisas...Se por um lado, observarmos a situação do marido da vítima, verificamos que não é nada bom de passar, pois a mulher que o acalentava, que o cativava e com quem ele casou deixou de ser aquilo a que ele estava acostumado a vê-la ser...Mas por outro que direito temos nós de decidir sobre a vida ou morte de outra pessoa?? Será que é eticamente correcto acabar com a vida desta pobre mulher a quem o destino lhe foi cruel,só porque esta não se enquadra nos padrões normais exigidos pela sociedade? Mas e se pensarmos nos pais dela...Que mãe quereria por fim a vida da filha que criou com tanto amor e dedidcação?Se ela esta assim a 15 anos o porque de agora quererem por-lhe fim a vida?não há legado nenhum que possa decidir sobre a nossa vida, neste caso o fim dela...Fala-se por aí de melhorar a vida e não prolonga-la, para isso existem pessoas com capacidades especificas...falamos de cuidados paliativos...melhorar a qualidade de vida até a morte....
Enfim grande a monólogo... Susana =)