Ainda a propósito do escrito do sr. Miguel Lima, a minha fofinha não perdeu tempo e a sua resposta foi publicada hoje, cuja missiva tem o seguinte teor:
"Venho aqui, publicamente, discordar de alguns pontos referidos na carta do leitor Miguel Lima. E isto porquê?
Porque não acho que os não praticantes levem uma vida "carrancuda" antes pelo contrário.
Acho esta afirmação desprovida de qualquer sentido, nem correcta, antes mais um preconceito, entre os muitos que a Igreja Cristã fomenta.
Cada um tem o direito de acreditar no que quer e de viver a vida à sua maneira, o que não quer dizer que seja a melhor ou pior forma de a viver.
Cada um justifica o desconhecido da forma que mais lhe convém, é o que a religião faz, tenta explicar o desconhecido, aquilo que mais temos receio. Mas a Igreja Cristã ainda continua nos seus dogmas, não acompanhando o evoluir das sociedades, vivendo continuamente nas histórias bíblicas e nas histórias da existência de céu e inferno, o que só afasta os crentes, que hoje em dia sabem que nem tudo se explica através dos “fenómenos sobrenaturais” da Igreja.
É por estes motivos e por outros que cada vez menos há crentes, por haver outras maneiras de ser feliz, acreditando noutras coisas, como na natureza e em nós próprios, que é realmente o mais importante.
Acrescento algo no teor desta carta que acho que é surpreendente. Ouvi uma pessoa conhecida minha a dizer que “quem não ia à igreja, às missas, não era boa pessoa”. Não foi bem por estas palavras mas foi a ideia que quis passar. A conclusão a que cheguei foi que a religião cristã, ainda adormecida nos seus dogmas medievais, ainda fomenta essa atitude primitiva, conceito digno de Levi-Strauss. Acho realmente uma grande hipocrisia. Então aquelas pessoas que não vão às missas e praticam o bem são então más pessoas? E já agora, aquelas que são crentes devotos, que vão sempre à sua missa, nem que seja uma vez por semana, e que fazem mal às pessoas que estão à sua volta... isto faz delas boas pessoas porque vão confessar os seus pecados e acreditam em Deus? Sinceramente... que nome se dá a isto? A isto chama-se pura hipocrisia e contradição!
Afirmo-me como agnóstica, e sou feliz desta maneira, e não levo uma vida nada carrancuda, porque felizmente acredito no poder que tenho de mudar a minha vida, e na natureza. O Humano é dono de si mesmo e mais ninguém o é. Mais forte do que nós simplesmente a natureza."
Luísa Gouveia
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