segunda-feira, janeiro 17, 2005

Martunis é «um exemplo para nós»


Uma criança de apenas sete anos vagueou sozinha por uma praia da Indonésia durante 19 dias trajando apenas uns calções e uma camisola da Selecção portuguesa. O menino, de seu nome Martunis, foi uma vítima do maremoto encontrada com vida por uma equipa de televisão do canal inglês ‘Sky News’.

Quando a equipa do canal televisivo fazia uma reportagem numa das praias da província de Aceh, encontrou Martunis, que sobreviveu alimentando-se de massas secas e água das poças. “Ele viu a sua mãe e pai serem levados pela onda e não sabia se eles estavam vivos ou não. Desde então que vagueava”, lembrou Ian Dovaston, um dos repórteres que encontrou o rapaz, entregando-o depois aos cuidados da organização ‘Save the Children’.

Laura Conrad, da organização humanitária que o acolheu, disse que Martunis encontrava-se “desnutrido e com dores no peito”, não excluindo a hipótese de malária, por apresentar várias picadas de mosquito no corpo. Depois de transferido para o hospital, onde se encontra a recuperar, Martunis foi reconhecido por um paciente, que avisou o alegado pai e a bisavó do rapaz. Só depois de verificadas as identidades, Martunis voltou aos braços do seu progenitor.

No meio de tanta tragédia que ceifou mais de 160 mil vidas, um final feliz com a ‘bênção’ da Selecção portuguesa.

A história de Martunis tocou de tal forma Luiz Filipe Scolari, que o seleccionador passou a manhã deste domingo na SIC a tentar ajudar esta família.

Martunis vai ter uma casa e um pedaço de terra comprados na Indonésia esta manhã pela Selecção Nacional. “Tenho noção, que nós portugueses, e a Selecção, temos de participar de alguma forma”, disse Scolari no Primeiro Jornal da SIC.

O menino, que usava apenas a camisola da selecção, usava, para Scolari, mais que isso: tinha no corpo a bandeira de Portugal. “A forma como aconteceu mostra mais uma vez que Deus é grande. Que Deus existe. E que nós temos de viver em paz, e ter uma ajuda mútua e não pensarmos somente em guerra”, disse.

“É um exemplo para nós”, finaliza.


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