A morte chegou do mar e é junto ao mar que se chora, nas costas do Índico. É também na areia, entre destroços, que se vão encontrando mais e mais cadáveres, numa colheita macabra que parece não ter um fim à vista. Sabia-se que o número de vítimas mortais causadas pelo maior sismo dos últimos 40 anos - 8,9 na escala de Richter - ia seguramente aumentar. Talvez mesmo até duplicar e chegar aos mais de 23 mil mortos confirmados ontem ao final do dia. O que não se previa era que, mais de 24 horas depois do abalo e do tsunami que se seguiu, varrendo as costas de oito países do sudeste asiático, houvesse ainda a indicação que mais de 30 mil pessoas continuavam desaparecidas.
Com as estatísticas a serem actualizadas quase hora a hora, o Sri Lanka era, até ontem ao final do dia, o país mais afectado pela sucessão de ondas gigantes que arrastaram pessoas, destruíram casas e provocaram estragos em aldeias inteiras. O próprio primeiro ministro da Indonésia afirmou publicamente que, só no seu país, são estimados cerca de 25 mil mortos, por entre muitos ainda desaparecidos.
A Cruz Vermelha lançou um apelo para donativos de cinco milhões de euros para ajudar 500.000 pessoas no Sri Lanka, um dos países mais atingidos pelo maremoto, que só neste país fez perto de 11.000 mortos, num total de pelo menos 23.500 vítimas mortais numa dezena de países, e dezenas de milhares de desaparecidos, segundo dados da Cruz Vermelha.
Um responsável das questões humanitárias da ONU afirmou ontem por seu lado, que o maremoto na Ásia causou "milhares de milhões de dólares" de estragos e será necessária a "maior operação" de ajuda humanitária da história das Nações Unidas. "O custo dos estragos será avaliado em milhares de milhões dólares. Provavelmente serão muitos milhares de milhões de dólares", disse Jan Egeland, secretário-geral adjunto, encarregado das questões humanitárias. Egeland relembrou que há um ano a ONU lançou a mais vasta operação humanitária da sua história após o sismo de Bam, no Irão em 2003. "Lançámos a mais vasta operação de socorro da história. Penso que vamos fazer mais (na Ásia) e que devemos fazer mais, porque se trata de uma grande catástrofe", precisou.
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