quinta-feira, setembro 19, 2013

"A história repete-se!" in DN-Madeira


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Uma luz no fundo da Troika?


(Foto: Público)

No relatório, intitulado Reassessing the Role and Modalities of Fiscal Policy in Advanced Economies, apresentado ao conselho executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) no passado mês de Julho, e que foi tornado público esta terça-feira, a equipa de técnicos do FMI liderada pelo economista-chefe Olivier Blanchard reconhece que as políticas defendidas pela instituição ao nível orçamental, desde o início da crise financeira em 2008, podem ou estão mesmo erradas em muitos pontos essenciais.

Destaco algumas conclusões que considero essenciais:
 
Ao contrário do que era norma antes da crise, o FMI assume agora que as medidas de austeridade devem ser aplicadas de forma progressiva, com cuidado, para não provocarem um efeito contraproducente na economia, tendo em conta problemas como a desigualdade e contando com a ajuda dos bancos centrais através da compra de obrigações. Com esta conclusão o FMI parece afastar a convicção absoluta de que pode haver "consolidações orçamentais expansionistas", ou seja, que, ao corrigir défices excessivos através de uma austeridade profunda, um Governo poderia estar a ajudar a economia, já que aumentaria a confiança dos agentes económicos. De facto, quando a crise financeira colocou as economias em recessão, foi positiva a criação de estímulos orçamentais em muitos países, o que a aplicação de uma austeridade cega e rápida anulou completamente.
 Na prática, para países como Portugal, que estão sob pressão dos mercados ou que perderam mesmo o acesso aqueles, o FMI diz que, mesmo que uma austeridade mais rápida possa ser inevitável, ainda assim, mesmo para estes países "há 'limites de velocidade", que devem ser levados em conta para cumprir o desejado ritmo de ajustamento. Assim, a "escolha de uma velocidade apropriada do ajustamento tem de pesar os custos (efeitos negativos no crescimento a curto prazo) contra os benefícios (redução do risco soberano)".

Por sua vez, em relação ao tipo de medidas que devem ser usadas nos processos de consolidação das contas públicas, antes desta crise, os cortes de despesa eram vistos como as medidas mais adequados. Porém, perante os fracos resultados apresentados, os técnicos do FMI foram obrigados a reconsiderar este fenómeno e, neste relatório, afirmam que "novos estudos sugerem que grandes consolidações baseadas na despesa tendem a aumentar as desigualdades e que essa maior desigualdade pode ameaçar o crescimento". Por isso, concluem, "aumentos de receita podem ser uma componente importante dos pacotes de consolidação". Ou seja, sem abandonar o controlo da despesa e redução dos excesso, é igualmente importante o incremento de medidas que potencializem a receita, fora do âmbito das medidas de austeridade.

Resumidamente, o relatório conclui que os efeitos positivos de confiança podem ter um papel positivo face às adversidades dos cortes na despesa, porém, a prática mostrou que esta confiança não é importante para a consolidação das contas públicas. Que uma consolidação orçamental rápida é o meio mais eficaz para restaurar a saúde das finanças públicas, porém, aplicada sem qualquer consideração pelas características do país em questão, esta via pode mesmo ser autodestrutiva. Por fim, a consolidação à base da despesa tem sido a mais sustentável, porém a crise actual mostra que ela tende a aumentar as desigualdades e a ameaçar o crescimento.

Levou algum tempo, mas já dentro do próprio FMI começa a perceber que isto não está a resultar. A fórmula mágica dos anos 80 e 90 mostrou-se totalmente ineficaz perante uma crise globalizante, cristalizada à volta de uma moeda única, mas com agentes muito díspares entre si. Acendeu-se uma luz. Falta é saber se terá força suficiente para iluminar o resto da organização e passar a mensagem à troika! Urgentemente! Portugal agradecerá!

quarta-feira, setembro 18, 2013

Desmistificando a Coligação


Este artigo de opinião saiu ontem na secção das 'cartas do leitor' do Diário de Notícias. Considero extremamente pertinente e recomendo a sua leitura, especialmente para desmistificar a "independência" da coligação "Mudança" para o Funchal.

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sexta-feira, setembro 06, 2013

Cristiano REInaldo!!



Com os 3 golos frente à Irlanda do Norte, Cristiano Ronaldo superou os 41 tentos de Eusébio que durante mais de três décadas foram o recorde na Selecção Nacional. Acresce a curiosidade de ter sido perante o adversário a quem o Pantera Negra apontou o seu último golo com a camisola de Portugal.

Os 41 golos de Eusébio aconteceram num espaço de quase 12 anos: o primeiro, a 8 de Outubro de 1961, na estreia, frente ao Luxemburgo, e o último, a 28 de Março de 1973, frente à Irlanda do Norte, em Coventry (1-1).

Cristiano Ronaldo precisou apenas de nove anos para apontar os seus 40 golos. O primeiro a 12 de Junho de 2004, frente à Grécia, na abertura do Europeu. O 41.º, o  42.º e o 43.º esta sexta-feira, em Belfast, contra a selecção da casa.

Fenomenal, o puto da Quinta Falcão...

domingo, setembro 01, 2013

Prémio e Responsabilidade Máxima!


(Foto: Jardim do Mar)

Na edição de 2013, realizada em Antalya, na Turquia, da atribuição dos World Travel Awards para a Europa, os "óscares" da indústria do turismo, Portugal conquistou nove, a nível continental, a que se somam mais duas distinções na divisão do Mediterrâneo e dez exclusivamente nacionais.

Portugal, que concorria com 41 nomeações, repetiu as vitórias do ano passado em nichos fulcrais para o Turismo português: o país foi declarado o destino europeu líder no golfe enquanto o Algarve mantém o ceptro de melhor destino de praias. Lisboa, que estava nomeada para o "óscar" principal (melhor destino), segurou a distinção de destino ideal para escapadelas urbanas

A grande novidade é a distinção conquistada pela Madeira como melhor destino ilhas na EuropaO nosso arquipélago venceu numa categoria em que concorriam também as Baleares, Canárias, Chipre, Malta e Sardenha. Mas há mais prémios. O Hotel The Vine foi considerado como o melhor "design hotel" da Europa. A Quinta da Casa Branca (Madeira) venceu na categoria de melhor "boutique hotel" mediterrânica. E a nível exclusivamente nacional, o Reid's Palace venceu o WTA para melhor hotel de Portugal.

Este reconhecimento vem consagrar a Madeira como um dos destinos a ter em conta para quem faz férias na Europa. É muito importante, particularmente se tivermos em conta que os "World Travel Awards para a Europa", apesar de serem votados online por toda a gente, os votos dos cerca de 180 mil profissionais do turismo valem por dois. 

É imperativo capitalizar estas distinções à nossa ilha e as infraestruturas nela consagradas. Há que assumir, de uma vez por todas, a importância máxima do turismo para a economia da Região. O que significa que esta pasta tem de estar entregue a profissionais da área e repleta de técnicos de competência altamente reconhecida. Afinal estamos apenas a falar do futuro da Região Autónoma da Madeira. 

quarta-feira, agosto 28, 2013

I have a dream...



Porque nunca é tarde ou demais para recordar as injustiças, as segregações e as discriminações sociais. Saiba mais em http://amnestyusa.org/erpa.


quarta-feira, agosto 21, 2013

"Traçada a linha" in DN-Madeira


Eis a primeira crónica da época 2013/2014. O Marítimo começa em grande, com uma saborosa vitória frente ao Benfica, no Estádio dos Barreiros.

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terça-feira, agosto 20, 2013

Uma resposta séria para os meios aéreos de combate a incêndios


(Foto: Diário de Notícias)

Ano após ano, incêndio após incêndio, tal como a fénix, renasce das cinzas do caos e destruição a eterna discussão sobre o uso de meios aéreos no combate aos incêndios florestais. Um pouco por todo o lado, desde os bombeiros às vítimas, urge o apelo ao uso destes mecanismos. Por outro lado, é posição forma do Governo Regional que estes meios não são passíveis de utilizar na Madeira. Pelo que se impõe a questão: quem tem razão?

Para começar, creio que acima de tudo seria imperativo ter um verdadeiro estudo sobre a eficácia destes meios na Região, mas bem feito, que testasse ao pormenor o variado tipo de equipamentos que existe, a orografia e tipo de incêndios que a Madeira sofre, bem como o ratio custo/resultado. Isto porque, na realidade, não possuímos qualquer estudo desta natureza.

O último estudo sério e aprofundado sobre esta questão, e que desaconselhava o uso de meios aéreos no combate a fogos nesta Região Autónoma, tem já mais de 40 anos, sendo certo que muito mudou, quer na ilha, quer nos meios tecnológicos ao dispor. Há um outro estudo, um parecer do Núcleo de Investigação Científica de Incêndios Florestais, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, datado de 10 de Setembro de 2010, que também desaconselha o uso destes meios, porém por razões económicas, considerando que "Não há uma simples resposta, de sim ou não (...) o custo será sempre elevado para um benefício incerto". Porém trata-se de um estudo genérico e que, como o próprio reconhece, não foi ao pormenor de verificar aparelho por aparelho ou ao estudo aprofundados das questões, tendo optado "por efectuar uma abordagem essencialmente teórica". Pelo que, na prática, está esta questão por responder.

Esta questão acaba por ser mais estranha, atendendo ao próprio comportamento do Governo Regional face a esta matéria. É que entre 1998 e 2009, o Governo Regional pagou, anualmente, à empresa 'HeliAtlantis', para garantir um meio aéreo para a detecção e combate a incêndios. Alias, de acordo com Resolução n.º 1262/98, de 6 de Outubro, estes meios eram considerados imprescindíveis para o combate aos fogos e o helicóptero da empresa privada que operava na Região era considerado adequado. Veja-se o texto da Resolução: "Considerando que,para a execução das atribuições do Governo Regional e no âmbito das competências de diversas Secretarias Regionais, surgiu a necessidade de dispor de um meio aéreo, como meio ideal para a realização de determina­ das tarefas, designadamente, vigilância das serras, incluindo a prevenção, detecção e combate de incêndios, vigilância da costa marítima da Madeira e Porto Santo, apoio à Protecção Civil, serviços do Parque Natural da Madeira incluindo Ilhas Desertas, entre outras."

Esta questão ainda se torna mais incongruente ao vermos os exemplos dos meios empregues pelos nossos vizinhos canarianos, que possuem vários meios aéreos de combate a incêndios, assim como os mesmos são empregues em várias serras do continente português, também com orografia elevada. Pelo que urge uma resposta pronta a atempada, porque não tem preço o medo e a perca das pessoas, ano após ano.
Atenção que a par deste tipo de meios, ainda é importante colocar no terreno uma série de outros meios, nomeadamente um serviço de defesa da floresta contra incêndios, preferencialmente por município e de prevenção máxima nos meses de Junho a Outubro. Apostar na formação inicial e contínua de combate a incêndios florestais e dotar os Corpos de Bombeiros com mais meios e elementos especialistas  no combate a incêndios florestais. E, sobretudo, formar e sensibilizar a população para a limpeza e cuidado com os seus terrenos, durante todo o ano.