quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Desemprego, o maior "empregador"





A Região Autónoma da Madeira encerrou o 4º trimestre de 2012 com uma taxa de desemprego estimada de 19,7%, representando um acréscimo de 6,2% em relação ao período homólogo de 2011 e mais 2,2% face ao trimestre anterior. De acordo com as Estatísticas de Emprego do INE, a Madeira é, a par do Algarve a região do país (NUTS II) com a taxa de desemprego mais elevada no último trimestre de 2012. A taxa de desemprego estimada para o país no 4º trimestre é de 16,9%.

Apurada a taxa de desemprego nos quatro trimestres de 2012, a taxa de desemprego média anual de 2012 atinge os 15,7%. Por regiões, o Algarve apresenta a taxa de desemprego média anual mais elevada (17,9%), seguido de Lisboa com 17,6% e Madeira com 17,5%.

Segundo o INE, a população desempregada em Portugal atingiu no 4º trimestre 923,2 mil pessoas, representando um aumento homólogo de 19,7% e trimestral de 6%.

Estes números são dramáticos. Quase 1 milhão de desempregados em Portugal e quase 25 mil desempregados na Madeira. E nada do que está a ser feito de momento consegue contrariar que a tendência para o aumento continue de forma absolutamente alarmante. O que resta a muitos? Abandonar o país...


A carteira ou a vida?



A dívida actual do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira está em 540 milhões de euros. Pelo menos a conhecida. E apesar de todos os recursos que têm sido disponibilizados ao SESARAM, com as correntes obras e (re)obras que decorrem no Hospital Dr. Nélio Mendonça (apesar de todos dizerem que o grande problema está no envelhecimento de toda a estrutura do edifício e não nos seus serviços), apesar do utente pagar cada vez mais pelo atendimento com a introdução e subida das taxas moderadoras e redução ou revogação das conparticipações públicas, ainda há dívidas avultadas por liquidar à APIFARMA (medicamentos) e APORMED (dispositivos médicos) que remontam a 2007.

De facto, com toda a contenção de despesa que estão fazendo, tendo em conta que neste momento no hospital há grande escassez, quer a nível material (com grande perigosidade a nível da falta de medicamentos), quer na redução do pessoal técnico, e por outro lado com todas as verbas que têm sido injectadas no SESARAM para regularizar dívidas, esta têm se mantido quase igual. Pelo que, ponderada toda a situação, é dficil compreender que com um orçamento anual a rondar os 200 milhões de euros, e face à divida monumental criada, onde foi enterrado tanto dinheiro...

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Papa Bento XVI resigna


(Foto: Kobi Gideon/Reuters)

O Papa Bento XVI anunciou hoje que resigna à liderança da Igreja Católica, segundo a agência noticiosa italiana Ansa. A imprensa italiana diz que a saída será a 28 de Fevereiro.

“Sinto o peso do cargo”, disse Bento XVI, citado pelo diário La Stampa. “Saio pelo bem da Igreja”, cita o Corriere della Sera. “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência perante Deus, cheguei à conclusão de que as minhas forças, devido a uma idade avançada, não são capazes de um adequado exercício do ministério de Pedro", disse o Papa, no discurso, citado pela Rádio Vaticano. “Por esta razão”, continuou Bento XVI, “e bem consciente da seriedade deste acto, com toda a liberdade declaro que renuncio”. “No mundo actual, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida da Fé, para governar a barca de S. Pedro e anunciar o Evangelho é necessário também vigor, tanto do corpo como do espírito. Vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de forma que tenho de reconhecer a minha capacidade para exercer de boa forma o ministério que me foi encomendado", justificou o líder da Igreja Católica. A “28 de Fevereiro, às 20h, a Sé de Roma ficará vazia e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice será convocado pelos que para tal têm competência.”

Existia já alguma especulação sobre uma possível resignação do alemão Joseph Ratzinger, de 85 anos. No ano passado, Bento XVI tinha já dito que estava “na última etapa da vida”. Este ano tornou-se o sexto Papa mais velho dos últimos 700 anos da Igreja Católica. O que nos leva a pensar que desde a sua eleição em 2005, já com 77 anos, era um Papa a prazo.


E têm sido quase 8 anos de pontificado muito complicados. São conhecidas as acusações de que o Papa já não controla a Cúria, de cartas falam de corrupção e que Bento XVI preocupa-se com eventuais cismas.Que a Cúria Romana tornou-se um monstro ingovernável que o próprio Papa, de perfil sobretudo intelectual e académico, já não consegue controlar.

E várias questões dramáticas têm marcado o pontificado de Bento XVI. Nomeadamente no que se refere ao "Governatorato" do Estado do Vaticano (uma espécie de Ministério da Administração Interna), com denuncias de corrupção, favores e clientelas no interior do Vaticano, que motivou a chamada "Operação Mãos Limpas", que incluiu ainda intervenções no Instituto das Obras da Religião, o banco do Vaticano, e a criação da Autoridade para a Informação Financeira, que tem como missão garantir mais transparência nas finanças e combater o crime económico.

Também a questão da pedofilia tem marcado decisivamente o pontificado de Bento XVI. Ratzinger, criticado por alegadamente não ter agido contra padres acusados de abusos, só no final do pontificado de João Paulo II passou a ter poder para o fazer. Desde que foi eleito Papa, quis limpar a casa, tomando uma série de medidas e, ao mesmo tempo, encontrando-se com pequenos grupos de vítimas em diferentes países.

Mas isto tudo agora pesa num homem de 85 anos e já debilitado fisicamente.

Há seis séculos que nenhum papa resignava à liderança da Igreja Católica. O último Papa a resignar foi Gregório XII (pontificado de 1406-1415), para acabar com o grande cisma do Ocidente, que tinha chegado ao ponto em que havia três pretendentes ao cargo. Quase 600 anos depois há história!

sábado, fevereiro 09, 2013

Brincando com o fogo


(Foto: Luís Sebastião/DN)

Não está em causa um carro se incendiar numa via pública. É um risco e pode sempre acontecer, inclusive na via mais segura do mundo. Porém, um acidente desta natureza que acontece no interior de um túnel numa via rápida, onde falta iluminação e extractores de fumo, é um cocktail para uma situação muito mais perigosa.

Um incêndio deflagrou, ontem de manhã, num automóvel ligeiro que circulava no interior do túnel da Quinta Grande (no sentido de Campanário), que, de acordo com os relatos das pessoas, se encontrava 'às escuras' na altura da ocorrência. O resultado foi uma turista com fractura numa clavícula e mais de dezena e meia de intoxicados devido à inalação de fumo, e dezenas de pessoas em fuga "às escuras" por um 'labirinto' de carros entretanto abandonados.

Dos responsáveis nem uma palavra. Nem da Vialitoral, nem do Governo Regional. Ninguém assumiu explicações sobre a falta de luz nem do não funcionamento dos extractores de fumo num túnel com quase um quilómetro de extensão. Apenas no final da tarde a Vialitoral emitiu um comunicado onde informava que estavam repostas as condições de circulação e prometia um "rigoroso apuramento das causas e circunstâncias que envolveram esta ocorrência". 

E tudo se resume à falta de dinheiro do Governo Regional e à sua incapacidade de fazer concluir as obras que iniciou e quis concluir, muitas vezes antes de estarem totalmente aptos para a circulação de veículos, e tudo por razões eleitorais.

E não deixa de ser paradigmático que a Madeira, a região da União Europeia com mais túneis por área, seja confrontada com a impossibilidade financeira de poder dotar a sua mais moderna rede rodoviária regional com os equipamentos de protecção e segurança previstos na lei. Com as consequências que vão ora surgindo...

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

"Um caso para Mulder e Scully!" in DN-Madeira


(clicar para aumentar)

Carnaval é na Madeira!


(Foto: Turismo da Madeira)

Não é novidade que não sou grande fã do Carnaval. Mas há muito que estas festividades são uma marca da Madeira. E é isso que destaca o site MyGuide na sua edição de 6 a 12 de Fevereiro.

O site considera a Madeira como destino lógico e inesquecível para as festividades celebrativas do Carnaval, sendo um espectáculo "recheado de tradição, cor e alegria".
Por isso, se está na dúvida onde ir e o que fazer (caso tenha uns diazitos para gozar, é claro), venha à Madeira e traga a sua máscara e boa disposição.

Deixo aqui o programa de festas:

- 8 de Fevereiro - Festa de Carnaval das Crianças: a partir das 10:30 na Placa Central da Avenida Arriaga, com a apresentação e participação dos alunos da Escola Profissional Atlântico.

- 9, 10 e 11 de Fevereiro - Cortejo Alegórico de Carnaval: a partir das 21:00 | Itinerário: Partida da Rotunda do Porto, Avenida Francisco Sá Carneiro, Rotunda Francisco Sá Carneiro, Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses (faixa norte), até à Praça da Autonomia.

- 12 de fevereiro - Cortejo Trapalhão, com participação livre: a partir das 16:00 | Itinerário: Partida da Avenida Francisco Sá Carneiro, Rotunda Francisco Sá Carneiro, Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses (faixa norte), até à Praça da Autonomia.

Boas festas!!

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A solidão de CR7!




Quando Cristiano Ronaldo está em campo espera-se tudo. Um passe de morte, um truque sobre um adversário, uma bola teleguiada, a rede a mexer. Mesmo quando parece que joga sozinho - como foi o caso de hoje - a sua equipa dá a imagem que em qualquer altura conseguirá resolver a partida.

Aos 28 anos, celebrados esta semana, é um jogador feito e, possivelmente, um dos melhores artistas da bola que já pisaram o planeta. Mesmo que no seu próprio país ainda exista almas iluminadas que digam o contrário em defesa de outros de outras bandas.

Crime será não ter Cristiano Ronaldo no Mundial de Futebol no Brasil no próximo ano, por causa de uma selecção fraca, triste e desequilibrada. 


sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Porque no te callas?




Depois de no passado mês de outubro ter dito que o País «podia aguentar mais austeridade», o presidente do BPI, Fernando Ulrich, continua em grande. Ontem voltou a ter uma declaração, no mínimo, polémica, ao afirmar «Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?».

Mas para não me acusarem de colocar frases fora de contexto, nada como reproduzir a globalidade das declarações de Fernando Ulrich.

Quando os jornalistas lhe voltaram a questionar as afirmações que fez em Outubro do ano passado, particularmente a famosa «Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!», que muitas críticas públicas lhe valeu, Ulrich tentou explicar o que pretendeu dizer com aquela observação. Assim explicou que: «Se os gregos aguentam uma queda do Produto Interno Bruto de 25 por cento, os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não?». Concretizando: «Se andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim, porquê? Isso também nos pode acontecer». E depois acrescentou: «Se as pessoas que vemos ali na rua, naquela situação a sofrer tanto aguentam, porque é que nós não aguentamos?» 

Eu até considero-me uma pessoa sensata e muito pouco dada a este tipo de comentários sobre aquilo que os outros disseram. E, no que concerne ao presidente do BPI, até nem relevei aquilo que ele disse no ano passado. Saiu-lhe mal. Acontece a todos. Mas voltar a cair no mesmo é já um pouco absurdo.

Uma pessoa que ocupa a posição que Fernando Ulrich ocupa não se pode dar a estas coisas. Para já, insiste em utilizar o "nós". Quando pergunta se somos todos iguais, a resposta é não! Infelizmente não somos. Basta dizer que o Sr. Ulrich não está preocupado com o final do mês ou se terá comer para por à mesa da sua família. Bastará dizer que o tratamento que recebe não é igual ao tratamento que recebe o Sr. Manuel que não é presidente de um banco. E os seus "sacrifícios" contam-se entre mais um Porshe, ou menos um Mercedes. E, francamente, que nos compare aos Gregos ainda vá lá... mas aos sem abrigo?!..

E não deixa de ser irónico que estas declarações sejam produzidas durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI. Que, porventura, apresentou um lucro de cerca de 290 milhões de euros. O melhor resultado do banco nos últimos cinco anos. Mas esquece-se que o Governo em 2012 injectou no seu banco cerca de 1,5 mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes portugueses, para que aquela instituição conseguisse ultrapassar os ultrapassar os requisitos de capital exigidos pela autoridade bancária europeia.

Há momentos em que uma pessoa só ganha se estiver calado. Ulrich perdeu uma boa oportunidade.


Salas que fecham!




A Socorama Castello-Lopes encerrou 49 das 106 salas de cinema que detém em Portugal. Esta decisão de encerramento afeta oito complexos de cinema localizados em centros comerciais do grupo Sonae Sierra em Viana do Castelo, São João da Madeira, Covilhã, Leiria, Loures, Seixal, Guia e Ponta Delgada. Recorde-se que já no início deste ano, a Socorama encerrou as 7 salas de cinema que tinha no Madeira Shopping. A razão avançada foi a crescente dívida da Socorama para com a Sonae Sierra.

A Socorama Castello Lopes detém 106 salas de cinema e em 2012 registou 12,6 milhões de euros de receita bruta de bilheteira. Apesar de ser a segunda maior exibidora, atrás da Zon Lusomundo Cinemas, a Castello-Lopes registou uma quebra de 1,7 milhões de euros em relação a 2011. Quanto ao número de espetadores, de acordo com dados do Instituto do Cinema e Audiovisual de 2012, a empresa registou também quebras - por retração do consumo dos portugueses - de cerca de 375 mil bilhetes vendidos. Em 2011, já tinha sido dado um alerta sobre as condições laborais da empresa, quando os trabalhadores anunciaram a realização de uma greve pelo pagamento em atraso do subsídio do natal. Na altura, a greve envolveu projecionistas, funcionários de bilheteira e gerentes de sala da exibidora. Agora, de uma só vez, a empresa dispensa 75 trabalhadores, distribuidos pelas salas que encerram.

Não vou por em causa as razões da decisão do encerramento de salas de cinema pela Socorama. Desconheço as contas em pormenor e as razões primordiais para esta decisão. Mas lamento que com o encerramento das 49 salas da Castello-Lopes, há 2 distritos (Viana do Castelo e Açores) e cinco cidades que ficam sem acesso a cinema. O próprio Funchal, com os seus 190 mil habitantes, fica com apenas as seis salas da Lusomundo. Pode ser um sinal dos tempos. Mas é, acima de tudo, um rude golpe para a cultura em Portugal. E é igualmente uma machadada valente para quem anda a combater a pirataria na internet. E para quem gosta de ir ao cinema como eu gosto, é um triste dia.