(Foto: António Pedro Ferreira)
O cancelamento do Jornal de Sexta da TVI transformou-se no "TVGate" das próximas legislativas.
Tudo começou com a decisão de suspender o Jornal Nacional de sexta-feira, vinda de Espanha, sede da Prisa, que é proprietária da TVI. Em reacção a Direcção de Informação da TVI apresentou a demissão após ter tido conhecimento da decisão da administração da empresa. Manuela Moura Guedes, até então a apresentadora do jornal, afirmou que a redacção tinha "pronta uma peça com notícias novas sobre o caso Freeport, com dados novos e, como sempre, documentados".
Sem perder tempo, o marido da jornalista, José Eduardo Moniz, ex-director da TVI, veio a público dizer que considera "um escândalo" o cancelamento do Jornal e, embora não saiba se houve ou não interferência política, diz que a “liberdade de informação está a ser alvo de um cerco cada vez mais apertado” e que “há um polvo que a aperta cada vez mais”. De quem fala ele?
A Oposição não perdeu tempo. O BE compara cancelamento do Jornal Nacional a afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa. O PCP atribui suspensão do Jornal da TVI ao incómodo do Governo e Sócrates. Portas atribui “censura” do Jornal Nacional a "ordem socialista". Aguiar-Branco do PSD afirma que "Portugal e a democracia estão de luto”. Por sua vez o PS reagiu na figura de Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, e desafia TVI a explicar decisão e a pôr no ar notícia sobre Freeport. O barulho é tanto que, hoje, o ainda PM foi obrigado a se dirigir publicamente, tendo Sócrates negado qualquer influência na suspensão da emissão do Jornal Nacional de 6ª feira". Pelo meio a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou a decisão de abertura "imediata" de processo de averiguações.
De facto, eis um caso que dá para tudo. Praticamente em véspera de eleições, este "TVGate" vem baralhar todas as contas. E dá para os dois lados. Se não vejamos: a decisão de suspensão de qualquer jornal, sobretudo um polémico como este (sobretudo devido à falta de escrúpulos da sua pivô), tão perto das legislativas levanta sempre muito pó. As próprias declarações da MMG, revelando que tinha uma peça pronta sobre o Freeport, deixa transparecer uma ingerência da cúpula do PS na Administração da TVI. Não é a primeira vez que se houve falar em semelhantes ecos na 'governância' de Sócrates. A animosidade entre a estação e o Governo, particularmente deste jornal, é sobejamente conhecida e desde que o 'caso Freeport' estalou, não foram poucas as vozes críticas (e silenciadoras) dentro e fora do Partido. A especial relação entre o Governo de Sócrates e os média, igualmente conhecida, também não leva a que se exclua a tentação de algumas das suas figuras proeminentes em "silenciar" vozes incómodas nesta fase do campeonato (apesar do enorme risco que tal obra acarreta - a ser descoberto seria um verdadeiro harakiri).
Por outro lado, também não é de excluir, no espectro da luta partidária, uma acção concertada entre um sector específico da oposição, por forma a apanhar o PS no seu próprio jogo. Promover o cancelamento do jornal mais polémico do momento, com a figura mais polémica da comunicação social, conhecida pela sua animosidade e (porque não?) perseguição ao Eng. Sócrates e o seu Governo, quando ainda por cima estava para "sair uma peça de conteúdo dramático", levando a crer a intervenção maliciosa do partido do Governo, é uma jogada de mestre. Aproveitando o desgaste da figura de Sócrates, e promovendo junto dos "opinion makers" e da blogosfera a "culpa" do PS, seria praticamente um "porta-aviões ao fundo" no dia 27! Aliás, basta verificar as reacções para tirar as devidas ilações.
Qual destas será a realidade? Ou será outra? No fundo, o que releva deste raciocínio, na análise de quem mais beneficia (ou sai prejudicado) com este caso, é o quadradinho que vamos meter a cruz no dia 27 de Setembro. Ou já tenho uma ideia. E vocês?
Independentemente de quaisquer outras considerações, não deixa de me dar um certo gozo em ver Manuel Moura Guedes fora dos ecrãs. Já aqui me pronunciei sobre esta senhora "jornalista", de que, na minha opinião, desta profissão pouco faz. É autoritária, manipuladora e subversiva. Tudo aquilo que um jornalista não deve ser.