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segunda-feira, março 18, 2013

O Caos e o Caso Cipriota


(Foto: AP)

A teoria do caos assenta que uma pequena mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Por tal razão, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis, caóticos, portanto. E ficamos com a aquela tradicional imagem gráfica do bater de asas de uma borbeta a causar uma tempestade no outro lado do hemisfério. Parece assustador, mas esta regra fundamental do universo está sempre presente em todas horas da nossa vida.
 
Ora bem, no sábado, os ministros das economia e finanças da Zona Euro e o Governo Cipriota informaram que tinham chegado a acordo para um resgate ao Chipre, na ordem dos 10 mil milhões de euros, que, entre várias medidas, vai implicar um aumento dos impostos sobre os depósitos e empresas.
O reacção dos cipriotas não se fez esperar. Depois do anúncio do plano de resgate da União Europeia ao Chipre, no qual será aplicado um imposto extraordinário sobre os depósitos bancários, muitos cipriotas estão a correr às caixas multibanco para retirarem dinheiro dos bancos, tentando levantar o máximo dinheiro possível. 

O Governo e a banca já reagiram tendo bloqueado em cada conta a percentagem que será retida pelo Estado, bloqueando também as transferências bancárias. Mas não a tempo de impedir mais uma queda do Euro face ao Dólar americano, assim como levar todas as bolsas do mercado cambiário a alerta vermelho.

E assim, é agora a pequena ilha de Chipre, situada no Mar Mediterrâneo oriental ao sul da Turquia, com pouco mais de um milhão de habitantes, que faz tremer o mercado europeu e volta a lançar o clima de dúvida nos investidores acerca da crise europeia e da sua capacidade em a ultrapassar. 

E, no que respeita a Portugal, depois do esforço tremendo de todos nós - e bem sabemos o que temos passado - para conseguir voltar aos mercados com taxas decentes e praticáveis, depois de ter sido anunciado o resgate ao Chipre, os juros da dívida soberana portuguesa subiram, em todas as maturidades.

É mais uma prova que estamos perante um problema global. Isto de andar a fazer pensos e tratamentos localizados não cura a doença, limitando-se a tratar os seus sintomas. A intervenção necessária é muito mais profunda e muito mais abrangente, que meros resgates a países em dificuldades. 

Relações públicas procura-se!


(Foto: Lusa)

Sempre achei que, entre vários problemas, sendo o maior o de governar um país falido, este Governo tinha um grave problema de comunicação e imagem. Honestamente não sei quem está encarregue dos comunicados e de todo o trabalho de relações públicas, mas acho que já está na altura de darem o lugar a outros. São tantos os tiros nos pés, tantas as mensagens deturpadas ou sem qualquer sentido nenhum ou, em linguagem futebolistica, com tantos autogolos, que nem sei como é que conseguem trabalhar.

Hoje mais uma. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi na parte da manhã recebido com protestos de estudantes no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), onde iria participar na sessão de abertura do ciclo de conferências «Sociedade Aberta e Global», onde se debateria a questão da reforma do Estado. A recepção ao primeiro-ministro provocou a esperada grande agitação no local, tendo os seguranças revelado dificuldades em fechar a porta do auditório. Resultado: mais uma abertura para os telejornais e o auditório onde iria decorrer a tal conferência com os assentos praticamente vazios.

Em dias de grave contestação não será mais sensato evitar que os membros do Governo sejam confrontados a estes confrontos, para mais quando a sua presença perturba o normal decurso do respectivo evento? Há necessidade de expor estas pessoas, inclusive com ameaças à sua segurança física, a estas situações que só ajudam a desgastar a já muito desgastada imagem pública?

Este é um Governo reformalista, não que o queira ser, mas porque tem de ser. E todos estes governos são sempre mal vistos. E como já disse várias vezes, há medidas que eu não gosto e outras que eu não concordo (mormente as medidas fiscais), mas este país tinha de dar a volta de alguma forma. A bem não foi como já vimos. O problema é que o custo é tremendo.

quarta-feira, março 13, 2013

Qual será o preço?




Falou-se, falou-se, falou-se... mas ficou tudo na mesma. O que se esperava aconteceu. Toda a oposição retirou a confiança neste Governo de Alberto João Jardim, enquanto que a maioria laranja no Parlamento Regional segurou o mandato social democrata ao leme do Arquipélago da Madeira.

Se da oposição não surgiu nada de novo em termos de argumentos - que já estão há muito tempo na rua e cada vez mais fundamentados com o passar do tempo - já do Presidente do Governo Regional saiu a confirmação que está cansado, sem ideias e a remoer os discursos de outrora. 

Porém os tempos são outros, as exigências são outras, as pessoas mais exigentes, menos pactuantes apesar de ainda coniventes (basta verificar que dos 25 mil desempregados nem 100 estiveram nas manifestações de hoje frente ao Parlamento), a capacidade negocial e de pressão são muito inferiores, e o facto de ter o ataque permanente de Lisboa - e ainda vamos ver o que sai da nova Lei das Finanças Regionais - a Madeira é agora muito difícil de governar. O próprio "medo" de enfrentar o povo é tão real que foi necessário reforçar a segurança policial à volta da Assembleia, como houve igualmente a preocupação de ocupar os lugares das galerias do hemiciclo reservadas para o público, com uma turma de uma escola do Funchal. Tudo para que não houvesse protestos. E não os houve. E amanhã há mais uma turma de visita.

Seja como for, Alberto João Jardim sairá desta semana parlamentar com a confiança da sua bancada e com o chumbo das duas inócuos e temporalmente despropositadas moções de censura ao Governo Regional. Resta saber a que preço.


terça-feira, março 12, 2013

Palavras para reflectir!


Esta foi a participação de Joana Manuel, de 36 anos e actriz de profissão, no quadro da Conferência Nacional "Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido", que ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 2013 no auditório da Faculdade de Ciências de Lisboa.

 

As palavras da actriz estão a ser partilhadas nas redes sociais como um exemplo do descontentamento que decorre no país. Independentemente da substância viral que já tomou conta deste discurso da actriz, as suas palavras não deixam de nos fazer reflectir sobre o rumo deste país, não apenas de agora, mas desde sempre que existiu governo.

segunda-feira, março 11, 2013

In (...) we trust!




Amanhã discute-se algo inédito na história da liderança de Alberto João Jardim, enquanto Presidente do Governo Regional da Madeira. Um moção de confiança. Mas afinal o que é isto?

Nos países que adotaram o sistema parlamentarista, a moção de confiança é uma proposta parlamentar apresentada pelo Governo, com o propósito de verificar se o Parlamento confia nesse mesmo Governo. Na prática, o objetivo é verificar se o governo ainda detém a posição maioritária maioria na Assembleia. Essa moção é aprovada ou rejeitada por meio de votação, através do chamado "voto de confiança". Uma votação negativa da moção de confiança, em condições normais, dá causa à demissão do Governo ou ao pedido, pelo Governo, de dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições. Creio que no caso da Madeira, ainda são poucos que apostarão o seu dinheiro num voto negativo da bancada laranja.


Mas porquê do Governo Regional lançar mão desta figura regimental para legitimar os seus sucessivos programas de governo?

Indiscutivelmente a primeira razão - porém não a mais importante - serão as duas moções de censura da autoria do PS e PTP, cuja discussão está agendada para dias 13 e 14 de Março. Não é a primeira vez que ouvimos algo deste género proposto no Parlamento Regional e isso nunca foi algo de tirar o sono à maioria do PSD Madeira. Portanto, não acredito que seja por aí.

A segunda razão será a notícia veiculadas pela RTP de que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) estava "a preparar uma acusação contra a totalidade do Governo Regional da Madeira por prevaricação", na sequência do inquérito sobre a alegada ocultação de dívida pública, mormente o caso "Cuba Livre". Honestamente também não acredito muito. Não tenho dúvidas que estão muito mais preocupados com este caso que estão com as moções de censura. Afinal, é mais que sabido que há muita cabeça para rolar e os canhões estão mesmo apontados à Quinta Vigia. Mesmo assim, ainda não há acusação formalizada, não sabemos quando esta sairá, pelo que, sendo esta a razão, até poderíamos considerá-la extemporânea. Alias, como o são as moções de censura.
 
Na defesa da sua moção de confiança, Alberto João Jardim declara que esta moção é direccionada aos que "reagem contra o alarme dos órgãos de governo próprio da Madeira para, no Estado português, ser respeitada a separação de poderes, ser anulada a politização da Justiça e ser vivido, na República, o Estado de Direito democrático". Assim sendo, quem são eles? Será o inimigo externo ou o novo inimigo interno.

Na minha opinião acredito que esta moção surge para Jardim avaliar o seu peso dentro do Parlamento e quem é que ainda está consigo na bancada laranja. É um risco bastante grande, se calhar não devidamente avaliado. À medida que os problemas vão acumulando (o mais recente parte do velho apoiante, o BANIF a reclamar créditos contra o próprio PSD-Madeira), que a contestação pública aumenta para níveis nunca vistos, a Madeira está cada vez mais difícil de governar. E amanhã será posto à prova, num partido cada vez mais fracturado.

Espera-nos um dia interessante.


segunda-feira, março 04, 2013

Em aviso vermelho!



(Foto: Teresa Gonçalves / DN)

A Madeira esteve sob aviso vermelho, o segundo mais grave na escala do Instituto de Meteorologia (IM), durante o fim-de-semana. Uma associação de previsão de precipitação e ventos fortes, levaram o IM a acionar o aviso vermelho entre as 18 horas de sábado e as 12 horas de domingo. Escusado será dizer que, depois do 20 de Fevereiro de 2010, não há um Madeirense que não leve estas coisas mais a sério... 

 Nesse sentido, apraz-me dizer que o fim de semana no arquipélago foi relativamente calmo e felizmente sem grandes registos de ocorrências depois de um domingo cheio de chuva, muito vento e um mar furioso. Não porém sem estragos. Rajadas fortes de vento fizeram tombar várias árvores em diversas localidades e suspender a actividade do aeroporto da Madeiram, condicionando cerca de duas dezenas de ligações aéreas e afectando perto de quatro mil passageiros. 

A agitação marítima, por seu lado, fez estragos no litoral sul da Madeira. Desde logo, o Lobo Marinho não viaja para o Porto Santo desde Sábado, espectando a sua retoma apenas na quarta-feira. Os estragos mais relevantes sucederam-se em algumas ligações que obrigaram ao seu encerramento - mormente o Caminho dos Pretos, o troço compreendido entre a Encumeada e o Paul da Serra e o troço compreendido entre a Fajã da Ovelha e o Paul do Mar. 

Na Calheta o mar levou mais uma vez a areia amarela que aquela edilidade insiste para decoração da sua frente mar. Esta esteve pouco tempo, já que tinha sido colocada no final do mês passado. Esta praia arteficial de areia, construída em 2004, foi a primeira das "brilhantes ideias" de tornar a Madeira mais parecida com Canárias, foi uma das muitas obras afectadas pelo temporal de 20 de Fevereiro de 2010, e que conseguiu ser incluída na Lei de Meios (embora desconheça-se qual o critério). Seja como for, nada temais, porque fonte da administração da empresa Avelino, Farinha e Agrela (AFA), que está a fazer obras de recuperação, precisamente ao abrigo da Lei de Meios, adiantou que, apesar dos estragos, "o contribuinte não vai pagar mais um cêntimo pela reposição da areia" que chegará "ainda esta semana". São só apenas mais 400 mil euros e oito mil metros cúbicos para refazer a praia. 

 Igualmente uma outra das minhas obras preferidas, a Marina do Lugar de Baixo, foi atingida esta manhã por uma derrocada. Os pedregulhos caíram na zona atrás do campo de volei de praia junto ao parque de estacionamento antigo, atingindo também o outro campo de volei do local. No mar, a agitação marítima também não tem dado tréguas às muralhas da Marina, o que é óptimo para quem pretende (ainda) deixar qualquer tipo de embarcação lá guardada.

Sai um aviso vermelho para os gastos!

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Madeira - Rating: "Lixo"




Uma agência de classificação de risco de crédito ou, como é chamada em Portugal, uma agência de notação financeira, é uma empresa que, por conta de um ou vários clientes, qualifica determinados produtos financeiros ou activos (de empresas, governos e países), avalia, atribuindo notas, e classifica segundo o grau de risco de que não paguem suas dívidas no prazo fixado. 

Cada agência de classificação de risco possui uma taxonomia própria. Quanto maior for a probabilidade de moratória do agente, pior será a sua nota ou a sua classificação. Todos nós já conhecemos a escala A, B, C, D, sendo que para a Standard & Poor's e para a Fitch, a melhor classificação é "AAA" e a a pior é D. Na escala da Moody's, a melhor classificação é "Aaa" e a pior é "C". E é com base nestas classificações que a banca empresta mais ou menos dinheiro, ou faz este dinheiro custar mais ou menos, e é com base nestas classificações que os grandes investidores fazem as suas apostas.

Os últimos dois anos para a Madeira têm sido verdadeiramente dramásticos. A confiança do todo português já vinha aos poucos se deteriorando em relação à Madeira, mormente de muito má formação e informação (relembre-se a questão dos impostos e da velha querela de que os nossos "luxos" eram pagos por todo o Portugal Continental). Com a vinda a público do "buraco da Madeira", dos, pelo menos, mil e cem milhões de euros "ocultados" das contas regionais, tudo piorou. Mesmo com o PAEF em vigor, uma verdadeira amarra à economia regional - o verdadeiro paga o justo pelo pecador -  os contantes incumprimentos da Região para com os seus fornecedores nada têm ajudado a melhorar este cenário.

A Banca é neste momento o melhor exemplo. Por exemplo, no caso das empresas sediadas na Madeira e das pessoas que cá vivem, a situação atingiu em 2012 o pior cenário possível, com uma quebra de 21,1% face aos valores globais dos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras no ano passado. Este valor representou menos 1.556 milhões de euros, de um total em 2012 de 5.796 milhões de euros em crédito concedido. Só para ter uma ideia o que representa esta redução, este valor é praticamente um orçamento anual da Região Autónoma.

A realidade é que não há confiança na nossa Região. Os investidores não investem. O comércio vai aos poucos morrendo. As insolvências multiplicam-se, algumas (para não dizer muitas), com motivos muito dúbios e sem qualquer vontade do MP em investigar a fundo a possível natureza dolosa desse procedimento. Tudo não é culpa do Governo Regional naturalmente. Mas, no que concerne à imagem da nossa Região no exterior, como local seguro para apostar, é um redondo zero! Nestes dias é isto que tem condenado a Madeira. Vai nos valendo o turismo...

sábado, fevereiro 23, 2013

Os tempos dificeis de Alberto João Jardim




O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, foi alvo ontem à tarde de uma recepção (quase) nunca vista na Madeira, na inauguração da nova sede da Associação de Escoteiros de Portugal (AEP), situada na Nazaré. Parecida só me lembro mesmo da famosa vaia no Estádio dos Barreiros, pelos adeptos do Marítimo, aquando da tentativa do clube único. Mas os tempos eram outros.

Logo na chegada do carro oficial, foi recebido com um coro intenso de assobios, sendo mimado também com alguns insultos, como o de "gatuno". Populares situados nas proximidades da sede dos escuteiros gritaram também "vai tapar o buraco", entre outros impropérios, além de se ter ouvido cantar, pela voz de uma mulher, o 'Grândola, Vila Morena'.

À saída, as vozes elevaram-se e, entre referências pouco perceptíveis a 'tachos', a 'função pública' e autênticos insultos, foram muitas as 'mensagens' dirigidas pelo povo ao governante, inclusive a de que ali estava a visitar um bairro pobre e que ainda ia haver 'telenovela'. 

Mas Jardim reagiu mal e acabou por se dirigir àqueles que o insultavam, dizendo-lhes "Não vale a pena ladrar, porque ainda não aprenderam a ser cachorros".

O que só fez ajudar a incendiar mais a situação. Reacções do género "cachorros há é muitos atrás de você, bastantes!", ou 'ladras, ladras, ladras, mas não mordes a ninguém!", "carneiro" e por aí adiante, até ao presidente abandonar o local, escoltado pelos polícias que o guardavam, os quais também tiveram direito a ouvir coisas como "vai atrás dele, anda, pastor alemão", deixando atrás de si um rasto de indignação.

Jardim aprende agora, quase 35 anos depois, que as pessoas são essencialmente ingratas e egoístas. Os políticos e os governantes são veículos para um fim. Agora que todos se sentem vilipendiados e que dia após dia há uma mão que lhes vai à carteira, a idolatria, os améns e afins acabaram. Habituou um povo a um determinado nível e agora, não sendo possível manter esse nível, é cobrado precisamente pelos mesmos que o mantiveram no poder este tempo todo.

Se ao menos tivesse saído uns 5 a 10 anos antes da trapalhada actual, hoje estaria de poltrona, do alto do seu merecido estatuto, a mandar os seus bitaites. E com mais saúde e menos preocupações. Agora é tarde demais. E como se não bastasse, ainda tem às costas um processo crime em curso e um Primeiro-Ministro e um Presidente da República que o querem ver pelas costas. Tempos difíceis...

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

3 anos depois: só não sabe quem não quer!




Faz hoje 3 anos desde o terrível aluvião e deslizamento de terras na nossa Madeira, que matou (oficialmente) 46 pessoas, e deixou muita gente sem casa. Porque a memória dos homens tem sempre a tendência de ser curta, nunca deixa de ser conveniente relembrar, nem que seja para que os erros humanos que potenciaram ou agravaram o incidente natural não sejam repetidos.

Numa ilha como a Madeira, com as suas condições geomorfológicas e meteorológicas, a sua população está permanentemente sujeita a situações de riscos naturais, da mais variada índole. Desde a mais comuns (aluviões, fogos, deslizamentos, desabatementos) e outras mais raras (transporte de substâncias perigosas, os acidentes industriais graves, os sismos).

Mas há uma que me chamou à colação. A possibilidade de erupção vulcânica. Algo que nem o mais antigo dos madeirenses põe sequer em consideração.

Numa passagem interessante da sua tese de mestrado da Dra. Maria Justina Pio Fernandes, pode-se ler: "O risco vulcânico também deve ser considerado, pois e segundo Prada (2000), a ilha da Madeira atravessa um período de inactividade eruptiva, por ainda existir actividade vulcânica secundária incipiente. Conclusões que resultam, das análises recolhidas aquando da abertura do túnel rodoviário Rosário/Serra de Água e da galeria da Fajã da Ama, onde foram encontradas, associadas a falhas, nascentes de água quente, com elevados teores de CO2 livres. As referidas análises demonstraram existir CO2 em grande quantidade (cerca de 8%) e a persistência da saída de gases ao longo da falha, indica não se tratar de gases acumulados nas rochas, mas sim, associadas a uma manifestação vulcânica incipiente". (Riscos no Concelho da Ribeira Brava movimentos de vertente cheias rápidas e inundações, 2009, cáp. VI, página 132)

E esta obra é de 2009 e, para além da situação vulcanica, aborda todos os riscos inerentes e potenciais da ilha, mormente os deslizamentos de terra e as cheias rápidas, antes do fatídico 20 de Fevereiro de 2010. É caso para dizer que só não sabe quem não quer...

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Professor do ano emigrou para a Holanda!




Sérgio Ramos, um professor de Eletrónica e Informática na Escola Secundária Mário Sacramento, em Aveiro, liderou um grupo de alunos que ganhou uma série de competições escolares nacionais e internacionais. Pelo bom trabalho, reconhecido internacionalmente, Sérgio Ramos foi o primeiro português a receber o galardão de Educador Pré-Universitário do Ano, concedido pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers em 2012. Porém, há uns dias, o professor emigrou para a Holanda

Aos 47 anos, Sérgio Ramos abandonou o ensino em Portugal e regressou às multinacionais. Segundo o próprio desiludido com o ensino em Portugal e com os cortes que o Governo fez nas disciplinas tecnológicas.

É mais um...
 

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Desemprego, o maior "empregador"





A Região Autónoma da Madeira encerrou o 4º trimestre de 2012 com uma taxa de desemprego estimada de 19,7%, representando um acréscimo de 6,2% em relação ao período homólogo de 2011 e mais 2,2% face ao trimestre anterior. De acordo com as Estatísticas de Emprego do INE, a Madeira é, a par do Algarve a região do país (NUTS II) com a taxa de desemprego mais elevada no último trimestre de 2012. A taxa de desemprego estimada para o país no 4º trimestre é de 16,9%.

Apurada a taxa de desemprego nos quatro trimestres de 2012, a taxa de desemprego média anual de 2012 atinge os 15,7%. Por regiões, o Algarve apresenta a taxa de desemprego média anual mais elevada (17,9%), seguido de Lisboa com 17,6% e Madeira com 17,5%.

Segundo o INE, a população desempregada em Portugal atingiu no 4º trimestre 923,2 mil pessoas, representando um aumento homólogo de 19,7% e trimestral de 6%.

Estes números são dramáticos. Quase 1 milhão de desempregados em Portugal e quase 25 mil desempregados na Madeira. E nada do que está a ser feito de momento consegue contrariar que a tendência para o aumento continue de forma absolutamente alarmante. O que resta a muitos? Abandonar o país...


A carteira ou a vida?



A dívida actual do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira está em 540 milhões de euros. Pelo menos a conhecida. E apesar de todos os recursos que têm sido disponibilizados ao SESARAM, com as correntes obras e (re)obras que decorrem no Hospital Dr. Nélio Mendonça (apesar de todos dizerem que o grande problema está no envelhecimento de toda a estrutura do edifício e não nos seus serviços), apesar do utente pagar cada vez mais pelo atendimento com a introdução e subida das taxas moderadoras e redução ou revogação das conparticipações públicas, ainda há dívidas avultadas por liquidar à APIFARMA (medicamentos) e APORMED (dispositivos médicos) que remontam a 2007.

De facto, com toda a contenção de despesa que estão fazendo, tendo em conta que neste momento no hospital há grande escassez, quer a nível material (com grande perigosidade a nível da falta de medicamentos), quer na redução do pessoal técnico, e por outro lado com todas as verbas que têm sido injectadas no SESARAM para regularizar dívidas, esta têm se mantido quase igual. Pelo que, ponderada toda a situação, é dficil compreender que com um orçamento anual a rondar os 200 milhões de euros, e face à divida monumental criada, onde foi enterrado tanto dinheiro...

sábado, fevereiro 09, 2013

Brincando com o fogo


(Foto: Luís Sebastião/DN)

Não está em causa um carro se incendiar numa via pública. É um risco e pode sempre acontecer, inclusive na via mais segura do mundo. Porém, um acidente desta natureza que acontece no interior de um túnel numa via rápida, onde falta iluminação e extractores de fumo, é um cocktail para uma situação muito mais perigosa.

Um incêndio deflagrou, ontem de manhã, num automóvel ligeiro que circulava no interior do túnel da Quinta Grande (no sentido de Campanário), que, de acordo com os relatos das pessoas, se encontrava 'às escuras' na altura da ocorrência. O resultado foi uma turista com fractura numa clavícula e mais de dezena e meia de intoxicados devido à inalação de fumo, e dezenas de pessoas em fuga "às escuras" por um 'labirinto' de carros entretanto abandonados.

Dos responsáveis nem uma palavra. Nem da Vialitoral, nem do Governo Regional. Ninguém assumiu explicações sobre a falta de luz nem do não funcionamento dos extractores de fumo num túnel com quase um quilómetro de extensão. Apenas no final da tarde a Vialitoral emitiu um comunicado onde informava que estavam repostas as condições de circulação e prometia um "rigoroso apuramento das causas e circunstâncias que envolveram esta ocorrência". 

E tudo se resume à falta de dinheiro do Governo Regional e à sua incapacidade de fazer concluir as obras que iniciou e quis concluir, muitas vezes antes de estarem totalmente aptos para a circulação de veículos, e tudo por razões eleitorais.

E não deixa de ser paradigmático que a Madeira, a região da União Europeia com mais túneis por área, seja confrontada com a impossibilidade financeira de poder dotar a sua mais moderna rede rodoviária regional com os equipamentos de protecção e segurança previstos na lei. Com as consequências que vão ora surgindo...

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A solidão de CR7!




Quando Cristiano Ronaldo está em campo espera-se tudo. Um passe de morte, um truque sobre um adversário, uma bola teleguiada, a rede a mexer. Mesmo quando parece que joga sozinho - como foi o caso de hoje - a sua equipa dá a imagem que em qualquer altura conseguirá resolver a partida.

Aos 28 anos, celebrados esta semana, é um jogador feito e, possivelmente, um dos melhores artistas da bola que já pisaram o planeta. Mesmo que no seu próprio país ainda exista almas iluminadas que digam o contrário em defesa de outros de outras bandas.

Crime será não ter Cristiano Ronaldo no Mundial de Futebol no Brasil no próximo ano, por causa de uma selecção fraca, triste e desequilibrada. 


sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Porque no te callas?




Depois de no passado mês de outubro ter dito que o País «podia aguentar mais austeridade», o presidente do BPI, Fernando Ulrich, continua em grande. Ontem voltou a ter uma declaração, no mínimo, polémica, ao afirmar «Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?».

Mas para não me acusarem de colocar frases fora de contexto, nada como reproduzir a globalidade das declarações de Fernando Ulrich.

Quando os jornalistas lhe voltaram a questionar as afirmações que fez em Outubro do ano passado, particularmente a famosa «Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!», que muitas críticas públicas lhe valeu, Ulrich tentou explicar o que pretendeu dizer com aquela observação. Assim explicou que: «Se os gregos aguentam uma queda do Produto Interno Bruto de 25 por cento, os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não?». Concretizando: «Se andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim, porquê? Isso também nos pode acontecer». E depois acrescentou: «Se as pessoas que vemos ali na rua, naquela situação a sofrer tanto aguentam, porque é que nós não aguentamos?» 

Eu até considero-me uma pessoa sensata e muito pouco dada a este tipo de comentários sobre aquilo que os outros disseram. E, no que concerne ao presidente do BPI, até nem relevei aquilo que ele disse no ano passado. Saiu-lhe mal. Acontece a todos. Mas voltar a cair no mesmo é já um pouco absurdo.

Uma pessoa que ocupa a posição que Fernando Ulrich ocupa não se pode dar a estas coisas. Para já, insiste em utilizar o "nós". Quando pergunta se somos todos iguais, a resposta é não! Infelizmente não somos. Basta dizer que o Sr. Ulrich não está preocupado com o final do mês ou se terá comer para por à mesa da sua família. Bastará dizer que o tratamento que recebe não é igual ao tratamento que recebe o Sr. Manuel que não é presidente de um banco. E os seus "sacrifícios" contam-se entre mais um Porshe, ou menos um Mercedes. E, francamente, que nos compare aos Gregos ainda vá lá... mas aos sem abrigo?!..

E não deixa de ser irónico que estas declarações sejam produzidas durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI. Que, porventura, apresentou um lucro de cerca de 290 milhões de euros. O melhor resultado do banco nos últimos cinco anos. Mas esquece-se que o Governo em 2012 injectou no seu banco cerca de 1,5 mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes portugueses, para que aquela instituição conseguisse ultrapassar os ultrapassar os requisitos de capital exigidos pela autoridade bancária europeia.

Há momentos em que uma pessoa só ganha se estiver calado. Ulrich perdeu uma boa oportunidade.


sábado, janeiro 26, 2013

Chegaram os dias de chuva!

(in DN-Madeira, 26/01/2013)

Vem hoje no Diário de Notícias uma entrevista muito interessante com Sidónio Fernandes, o presidente do Instituto de Emprega da Madeira. Apesar das palavras de alguma esperança no seu discurso, é indisfarçável que o bonança está ainda longe no mercado laboral madeirense.

Em discurso directo:
"O investimento público na Região diminuiu e, por tabela, o investimento privado também diminuiu. No lado do sector público, a fase das grandes obras e infra-estruturas passou. Houve muitos cortes nos apoios da UE, as transferências do Governo da República para a Região diminuíram e as últimas leis das finanças regionais cortaram muitos dos apoios que a Região estava habituada a ter."
"De alguma forma tem sido o Governo Regional, através da Vice-presidência que tutela a economia, a conceder crédito às empresas - só no ano passado foram injectados 28 milhões."
"Temos a noção que a situação do desemprego é muito complicada, temos 23.700 desempregados. Uma parte considerável é desemprego de curta duração (há menos de 1 ano) mas o desemprego de longa duração tem vindo a crescer. As pessoas que procuram um primeiro emprego são uma percentagem relativamente baixa (cerca de 10%) e são jovens que acabaram os estudos, domésticas ou pessoas que nunca trabalharam e que agora sentem necessidade disso. A nossa preocupação é sobretudo que o tipo de desemprego que temos é maioritariamente de pessoas que têm baixas qualificações."
"Cerca de 55% dos nossos desempregados são pessoas que têm um nível de qualificação até ao ciclo preparatório (6.º ano de escolaridade). A integração destas pessoas no mercado de trabalho é extremamente difícil, porque hoje um empresário dá preferência a quem tenha um pouco mais de qualificações."
[a estrutura do Instituto de Emprego consegue responder aos problemas?] "Tem respondido, mas com grande sacrifício dos funcionários, que são os mesmos que tínhamos quando havia 5 ou 6 mil desempregados. Temos quatro vezes mais [desempregados] e as pessoas são as mesmas. As pessoas que fazem atendimento encaram situações dramáticas, de famílias em que marido e mulher estão desempregados e têm filhos a estudar e que têm de tirá-los da universidade porque não conseguem pagar os seus compromissos."
"(...) nós não criamos postos de trabalho, quem os cria são as empresas."

Há várias conclusões que se pode tirar daqui. A primeira, e imediata, são os quase 24 mil desempregados, numa população activa de 150 a 190 mil pessoas. Desses 24 mil, pelo menos 14 mil são pessoas com baixo grau de escolaridade, normalmente ligados aos ramos da construção civil, que foi, o grande responsável pelo "boom" da Madeira nos últimos 30 anos. O que também significa que foram pessoas que saíram das escolas muito cedo, pelo que não receberam qualquer outra "ferramenta" laboral que a capacidade do seu corpo.

Concluimos também que o grande empregador regional é mesmo o Governo Regional a sua estrutura, que directa ou indirectamente influencia todo o tecido laboral regional. E porque não se criou ou incentivou a iniciativa privada que não estivesse, de uma forma ou de outra, ligada ao poder central. Quebrou este, quebram os restantes.

Estes números que, naturalmente, não são unicamente responsabilidade da Região, demonstram claramente que não nos preparamos para os "tempos de chuva". Pois eles chegaram.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

No fim a cobaia morre sempre!




O Fundo Monetário Internacional (FMI) elaborou um relatório, em virtude de uma encomenda do Executivo de Pedro Passos Coelho, para aquilo que foi pomposamente chamado de  a "refundação do Estado português". As suas recomendações, expressas nas vastas 80 páginas do relatório, foram esta semana dadas a conhecer aos Portugueses. E diga-se, a bem da verdade, prometem tempos ainda mais dolorosos.

O FMI no seu relatório considera o Estado Português “um empecilho ao crescimento”, além de ser “grande e ineficiente”, “concede privilégios injustificados”, sendo ainda classificado de “iníquo”, sobretudo para os mais jovens. Aquilo a que chamam de “reformas inteligentes”, que a entidade liderada por Christine Lagarde sugere, entre outras medidas, passa por cortes no subsídio do desemprego, que “continua demasiado longo e elevado”; pela dispensa de 50 mil professores;  pelo aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais; pelo aumento da duração das aulas e recurso à mobilidade especial, no âmbito do sistema educativo; pela subida nas taxas moderadoras na saúde e diminuição destes serviços; por cortes nos sistemas de pensões de militares e polícias, considerados “demasiado generosos”; pelo aumento das propinas no Ensino Superior; pelo despedimento de excendentários da Função Pública ao fim de dois anos; pela mudança “urgente” nas tabelas salarias da Função Pública e dispensa de trabalhadores, entre os 10% e os 20%; cortes nos salários e nas pensões e eliminação de todos os regimes de excepção das pensões; pela subida da idade da reforma para os 66 anos e proibição expressa de reformas antes dos 65 anos, mesmo para quem cesse o subsídio de desemprego. Tudo para uma poupar cerca de 4 mil milhões de euros. Em suma, mais apertos para a já apertadíssima carteira portuguesa.

Naturalmente as reacções não se fizeram esperar, dos mais variantes quadrantes da sociedade portuguesa, incluindo de dentro do próprio PSD, e com a oposição do CDS já manifestada.

Mas vamos por partes. Este relatório apresentado é, acima de tudo, um relatório técnico. E tem, naturalmente, esse valor técnico. Ou seja, foi pedido a uma entidade técnica que utilizasse o seu conhecimento e perante a presente situação encontrasse uma forma do Estado Português poupar uns "trocos". E foi isso que fez. Sem qualquer preocupação social, como é evidente. Ou sequer se, perante tais medidas, o país ficaria habitável ou não. Mas isto também não é uma preocupação para o FMI. Essa é, naturalmente, um preocupação política do Estado Português.
  
E, honestamente, é isso que me assusta um pouco. Que essa sensibilidade política e social falhe a este Governo, como já tem acontecido anteriormente. Compreendo que apanharam um país em frangalhos, sem dinheiro e sem capacidade de se financiar. E a partir do momento que aceitamos a ajuda externa, como qualquer devedor, estamos sujeitos às condições do credor que naturalmente não quer perder o seu dinheiro e ainda quer ganhar algum. Mas, por qualquer razão, sinto-me, como muitos Portugueses, que somos uma espécie de cobaia, pronta para testes e mais testes. Às vezes incompreensíveis. Recordo-me que, por exemplo, a 27 de Novembro do ano passado, Vítor Gaspar disse, corroborado pelo presidente do Eurogrupo Jean Claude Juncker, que Portugal e Irlanda seriam beneficiados pelas condições abertas à Grécia. Dias depois, tudo foi desmentido porque não passava de um "mal-entendido", "um erro de comunicação" e que, afinal, o pacote decidido para a Grécia não se aplica a Portugal e à Irlanda. Agora, já ninguém fala nisso. E este relatório indicia que a ideia da "austeridade" como fórmula mágica para a recuperação ainda está na cabeça de muita a gente.

A verdade é que os países da zona euro mais afectados pela crise (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália), têm sido objecto de estratégias, teorias e políticas fiscais e económicas europeias que, na prática, têm falhado. Corte atrás de corte, a recessão veio para ficar e nem Portugal, nem a Europa em geral, consegue recuperar. E Portugal tem sido, como os outros, a cobaia (quiçá a mais bem comportada) destas práticas. Mas, no fim, a cobaia morre sempre.


quinta-feira, janeiro 10, 2013

Será do malho ou do malhadeiro?




O Relatório do Desenvolvimento Social e do Emprego na Europa 2012, divulgado na terça-feira em Bruxelas, mostra uma Europa a Norte e outra Europa a Sul, particularmente no que concerne aos países que integram a zona euro.

Esta relatório mostra que a divergência na taxa média de desemprego entre os países do Norte e do Sul da zona euro duplicou em 11 anos, tendo passado de 3,5 pontos em 2000 para 7,5 em 2011.

Mostra ainda que a divergência entre a taxa de desemprego dos Estados-membros do Norte (Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda) e os do Sul (Chipre, Estónia, Grécia, Irlanda, Itália, Malta, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e Espanha) chegou aos 7,5 pontos percentuais, um valor considerado "sem precedentes". A taxa média de desemprego a Norte era, em 2011, de 7,0%, contra 14,5% no Sul. 

Agora outro dado muito, muito curioso. Comparativamente, em 2011, a diferença Norte-Sul é de apenas 1,5 pontos percentuais entre os Estados-membros que não integram a zona euro.

Consequentemente a pergunta é inevitável: é o malho ou é do malhadeiro?


terça-feira, janeiro 08, 2013

O melhor?


(Foto: Christof Koepsel/Getty Images)

Messi venceu a quarta Bola de Ouro consecutiva. É até à data o único a consegui-lo. O nosso Cristiano Ronaldo foi novamente segundo, o que, apesar de tudo, não deixa de ser prestigioso. Este prémio consagra aquele que foi para a FIFA, os seleccionadores, capitães e jornalistas, o melhor do ano desportivo que findou. Os critérios? Honestamente não há: é a escolha destas pessoas, seja ela influenciada ou não por terceiros interessados.

Assim sendo, poder-se-á falar de justiça? Ou de prémio bem entregue? Bem, o Messi fez uma época estrondosa a título individual, totalizando 91 golos em 2012, o que é obra! Mas, verdade seja dita, "pouco" mais fez (aqui pouco terá que ser tido em noção bastante relativa, como é evidente). Mas, se o prémio é para coroar o melhor do ano, o que está em causa é o jogador que mais se destacou nesse ano, o que não tem de forçosamente ser o melhor jogador.

Na minha opinião (e logicamente é uma mera opinião), para mim o prémio não é justo. Não desconsiderando naturalmente o génio de Messi, este tem atrás dele dois gigantes do futebol, Xavi e Iniesta. Xavi para mim teria sido o vencedor em 2008. Ganhou o mesmo que Messi no Barcelona nessa temporada e ainda foi campeão do mundo, levando a Espanha a tiracolo. Mas foi Messi quem ganhou. Esta temporada, estava dividido entre Ronaldo e Iniesta. Iniesta fez uma temporada fantástica (mais uma!), coroada com o título europeu pela Espanha, sendo eleito o melhor jogador do torneio. Mas Xavi e Iniesta são menos mediáticos. E não esqueço Falcao! Mas quem ganhou foi Messi.

O próprio Cristiano fez uma época fantástica: venceu a Liga espanhola, destronando a "armada invencível" da Catalunha, venceu a Supertaça, marcou 60 golos na época, à frente de uma equipa que bateu todos os recordes em Espanha. Foi ainda semifinalista na Liga dos Campeões e fez um bom Europeu por Portugal, caindo apenas nas meias finais da competição. Mas tudo isto não foi suficiente para que quem votou o considerasse o melhor! O que será preciso então?

A verdade é que a atribuição do prémio de melhor do mundo "A Bola de Ouro" é algo sem qualquer espécie de critério. Alias, pouco se compreende que em 2010/2011, onde o madeirense fez uma época absolutamente fulminante, batendo um recorde com 30 anos, tornando-se no melhor marcador do campeonato com 41 golos, numa época em que marcou um total de 53 golos, o título seja entregue a Messi pelos títulos alcançados pelo Barcelona, e já este ano este mesmo critério já não serviu para premiar o Cristiano, já que Messi apenas o bateu nos golos marcados. Resumindo, não há qualquer critério, a não ser o gosto pessoal. E assim, quem gosta do Messi vai gostar sempre deste em detrimento de outros, como o inverso é verdade.

É cada vez mais pertinente que a FIFA crie critérios de atribuição deste prémio e que os relacione com dados concretos da época. Que o torne mais objectivo, mais fácil de perceber. Caso contrário, corremos o risco de estarmos perante um prémio para servir meros interesses ou caprichos, já que não deixa de ser perverso em estar a querer endeusar Messi como o melhor de todos os tempos, quando outros grandes do futebol, como Pelé ou Maradona, carregaram sozinhos as suas equipas e as suas selecções ao topo do mundo (como fez Ronaldo em Manchester e Madrid) e não tiveram o privilégio de ter uma equipa de outras estrelas a jogar exclusivamente para si! Pode não parecer mas isto faz muita diferença...


segunda-feira, janeiro 07, 2013

E agora Sr. Presidente?



Em 19 de Fevereiro de 2007 o Dr. Alberto João Jardim apresentava a sua demissão enquanto Presidente do Governo Regional, devido à lei das finanças regionais apresentada pelo Governo de José Sócrates, lei essa que era um "garrote financeiro" à Madeira, beneficiando de forma "vergonhosa" os Açores, além de contrariar a Constituição e o Estatuto Político-Administrativo da Madeira. O presidente do Governo Regional não aceitava (e bem) que, a meio do seu mandato, fossem alteradas as "regras do jogo" impedindo-o de cumprir o programa apresentado aos madeirenses. Demitiu-se e venceu as eleições seguintes com um dos melhores resultados de sempre.

Passados seis anos, a situação repete-se, num cenário praticamente igual. A lei das finanças regionais em discussão na Assembleia da República, veda à Madeira o acesso ao Fundo de Coesão, o que representará um corte de 50 milhões de euros; reduz, substancialmente o 'bolo' de transferências para a Madeira e para os Açores que fica em 322 milhões, recebendo a Madeira, em 2014 (se entretanto a lei não for alterada na Assembleia da República), cerca de 155 milhões de euros, mais euro menos euro que teria direito com a lei de 2007; há um artigo que, pura e simplesmente, permite ao Estado decidir que as verbas a transferir, para a Madeira e para os Açores, podendo mesmo ser inferiores à fórmula de cálculo (ultrapassando a regra do EPARAM que obriga a que as transferências do Estado de um ano não possam ser inferiores às do ano anterior); além de ter mecanismos de controlo muito mais rigorosos, aplica-se a redução de 30 para 20%, da margem de alteração às taxas de IVA, IRS e IRC a cobrar nas regiões autónomas, tratando-se de uma medida que não afecta as receitas do Governo Regional, mas que é dura para os madeirenses e açorianos.

Neste sentido é justa a pergunta: demitir-se-á, mesmo sabendo que a realização de eleições antecipadas com Jardim à frente, muito provavelmente, custar-lhe-á a maioria absoluta?