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sábado, março 07, 2009

Para este fim de semana...

 
Para ocupar este fim-de-semana recomendo duas opções, uma para ver, outra para ouvir.



WATCHMEN - finalmente estreou uma das mais espectaculares obras da BD mundial. Do punho de Alan Moore à realização de Zack Snyder, foram quase 30 anos. Recomendo a leitura deste "post" para perceberem o que está em jogo. Brutal. Para ver!


 


U2 - NO LINE ON THE HORIZON - É o novo álbum os irlandeses U2, lançado na semana passada, com uma apresentação surpresa ao vivo, no terraço do edifício da BBC em Londres, fazendo com que 5 mil pessoas entupissem o trânsito no centro da capital inglesa. Já ouvi e gostei. "Get On Your Boots", o single de lançamento, e "Stand Up Comedy" foram as que me chamaram mais à atenção. Aguarda-se que venham a Portugal. Para ouvir!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Ledger Póstumo

 


Enquanto nós reclamamos (e com justiça) pela falta de filmes de qualidade nas salas de cinema da Madeira (ou quando chegam, chegam tarde e à más horas), outra polémica promete nascer do lado de lá do Atlântico.


«Quando, na madrugada da passada segunda-feira, a Academia de Hollywood atribuiu o Oscar de Melhor Actor Secundário ao australiano Heath Ledger, a título póstumo, pela sua participação no mais recente “Batman”, os familiares do actor recordaram que há ainda um último filme de Ledger para ver: "The Imaginarium of Doctor Parnassus", realizado pelo ex-Monthy Python Terry Gilliam, já tem estreia marcada no Reino Unido para o próximo Verão, mas pode não chegar a ser visto nas salas norte-americanas.»


O filme ainda não encontrou distribuidor nos EUA, aparentemente porque se temer que seja um fracasso de bilheteira, a despeito da atribuição do Oscar a Ledger. Os produtores receiam que “The Imaginarium of Doctor Parnassus” seja um filme demasiado artístico e, portanto, pouco apelativo para os fãs conquistados pela actuação de Ledger como Joker. E apesar de contar no seu elenco de nomes como Jude Law, Colin Farrell, Johnny Depp, Cristopher Plummer e Tom Waits.


Francamente. Até custa a crer como somos dominados pelas distribuidoras. Felizmente que há a Internet. Depois venham reclamar!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A festa dos Óscars

 


Nestes dias conturbados, o mundo não parou. E enquanto o Orlando dizia adeus a este mundo, do outro lado do Atlântico realizava-se um dos mais esperados espectáculos do mundo - os Óscares.


A Academia prometeu inovações. E cumpriu. A começar pelo apresentador. Hugh Jackman foi o surpreendente mestre de cerimónias da 81ª edição dos prémios mais cobiçados da industria cinematográfica. E com ele, cantou-se e dançou-se ao melhor estilo da Broadway, dando vida, cor, ritmo e alegria ao espectáculo. O dueto com Beyonce foi claramente um dos melhores momentos da noite, já madrugada em Portugal.


Esta edição foi também a consagração de "Slumdog Millionaire" de Danny Boyle. Das 10 nomeações conseguiu 8 estatuetas, entre elas a de melhor filme e realizador. Um feito enorme para uma pequena produção que quase não via a luz dos projectores. Mesmo com a concorrência do excelente filme de David Fincher, "O Estranho Caso de Benjamin Button", o sabor indiano foi convincente para a Academia. E foi para mim também. É igualmente uma vitória para o cinema independente.


Nas estatuetas para melhor actor e actriz, pesos pesados gladiavam-se pelo pódio. Entre favoritos e menos favoritos, à sexta tentativa, o óscar foi para Kate Winslet. Ainda não vi o "The Reader" mas vi as concorrentes. Meryl Streep (Doubt) e Angelina Jolie (Changeling) estão fantásticas. Mas já as vimos nestes registos. Igualmente já foram consagradas com este prémio. Anna Hathaway e Melissa Leo eram estreantes nestas andanças, pelo que o caminho estava mesmo aberto para Winslet. E assim foi. Merecido.


Sean Penn foi para mim a maior surpresa. Brad Pitt (Benjamin Button) e, sobretudo, Mickey Rourke (The Wrestler) eram os mais falados. E, de facto, Randy "The Ram" Robinson é uma das personagens mais interessantes e cativantes dos últimos anos. Rourke deixa tudo lá. Alma e coração. É com pena que não o vejo premiado. A Academia preferiu Harvey Milk, o primeiro político norte-americano assumidamente homossexual e defensor das causas gay. Foi um papel de risco de Penn e, como sabemos, muito apreciado pela Academia.


Apesar da concorrência de peso, Josh Brolin (Milk), Robert Downey Jr. (Tropic Thunder), Philip Seymour Hoffman (Doubt) e Michael Shannon (Revolutionary Road), confirmou-se o favoritismo de Heath Ledger, com o seu fantástico Joker em "The Dark Knight". Em 2006 foi Hoffman que ganhou a Ledger, apesar do extraordinário papel em "Brokeback Mountain". Desta vez os papeis inverteram-se. Justíssimo, na minha opinião.


Torcia pela Marisa Tomei (The Wrestler). Verdade seja dita, este foi um dos meus filmes favoritos do ano (juntamente com WALL-E). E apesar de ter gostado dos registos de Amy Adams e Viola Davis (Doubt), com Taraji P. Henson (Benjamin Button) a correr por fora, a Marisa Tomei tinha-me cativado. Mas o prémio foi para Penelope Cruz. Eu ainda não vi o filme, mas dizem que a mulher está sensacional. Acredito. Este Oscar atribuído à actriz espanhola Penelope Cruz, depois de Bardem o ter conseguido o ano passado, é uma grande vitória para o cinema espanhol.


Foi uma noite bem passada. Foi uma cerimónia bem mais musical que o habitual, com uma feliz renovação do formato. E vários momentos marcaram a noite. Antigos vencedores subiram ao palco e fizeram da entrega das estatuetas mais significativas grandes momentos. A emoção na entrega do prémio póstumo a Heath Ledger. O Óscar por mérito a Jerry Lewis, num reconhecimento pela entrega ao cinema e a causas humanitárias. A projecção de inúmeras caras falecidas o ano passado com destaque para Paul Newman, ao som da voz de Queen Latifah. Fez-se magia no Kodak Theater. Magia do cinema.


Veja aqui a lista completa dos vencedores.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

The Oscars!

 
(Imagem cortesia RC/Urbanidades)


No dia em que faz um ano que faleceu Heath Ledger, o seu "Joker" em The Dark Knight, depois do Globo de Ouro, consegue para já a esperada nomeação para melhor actor secundário. São os Óscares da Academia de Cinema, Artes e Ciências, os mais desejados prémios da indústria cinematográfica.


O "Estranho Caso de Benjamin Button" lidera as nomeações com 13 indicações (incluindo melhor filme), seguido de perto pelo grande vencedor dos Globos deste ano, "Slumdog Millionaire", de Danny Boyle, com 10. "Frost/Nixon", "The Reader" e "Milk" são os outros candidatos a melhor filme do ano.


Preve-se uma luta acesa na categoria de melhor actor, onde os pesos-pesados Brad Pitt, Sean Penn e Mickey Rourke batem-se pelo galardão - com uma ligeira vantagem para este último, como confirma o Globo que já tem em casa. Richard Jenkins e Frank Kangela são os outros candidatos ao Óscar para melhor actor de 2008. Nas actrizes, o par de Pitt, Angelina Jolie irá ser a grande rival de Kate Winslet - veremos se a sexta será de vez. As estreantes Melissa Leo e Anne Hathaway, juntamente com a veterana Meryl Streep - na sua 15º nomeação - fecham o elenco.


A 81ª edição dos Óscares está marcada para o dia 22 de Fevereiro, no majestoso Kodak Theatre, em Los Angeles, e será apresentada pelo actor australiano Hugh Jackman.


Veja aqui a lista completa dos nomeados.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

"As Memórias que Nunca se Apagam" precisa de si!

 
O filme madeirense "As Memórias que Nunca se Apagam" realizado pela dupla Dinarte Freitas e Eduardo Costa, e que conta ainda com a participação especial do consagrado actor madeirense Virgílio Teixeira, está perto da sua conclusão, estando neste momento em fase de pós produção áudio.


É desejo de todos apresentar o filme numa sala digna mas infelizmente os apoios continuam a não aparecer. Nunca é demais recordar que este é o primeiro filme madeirense, feito por madeirenses, com meios madeirenses e mesmo assim não se encontra integrado nas comemorações do Funchal. Numa altura que se discute o Orçamento regional para 2009, é pena que seja a cultura a pagar a despesa da crise.


É meu desejo que rapidamente encontrem apoios para a finalização e comercialização deste vosso bebé. Por mim farei tudo para divulgar o vosso projecto. O vídeo que se segue é intitulado "Tudo me Dobra Pena" e tem como objectivo principal a divulgação do filme através da música. De salientar que este só foi possível com a preciosa colaboração do Gabinete Coordenador de Educação Artística através dos professores Carlos Gonçalves e Virgílio Caldeira, do estúdio do Paulo Ferraz, do compositor Jorge Salgueiro, da cantora Vânia Fernandes e dos músicos Nana Khachkalyan, Rostyslav Kuts, Iryna Bandura.


terça-feira, setembro 30, 2008

Paul Newman (1925-2008)

 


Actor, autor, argumentista, director, produtor e generoso filantropo, assim se definirá Paul Newman. Aos 83 anos, depois de no ano passado ter anunciado a sua saída do mundo do cinema, não resistiu a um cancro de pulmão. Morreu em casa, junto da sua família, com queria, depois de há de um mês o próprio ter decidido interromper os tratamentos de quimioterapia a que estava a ser sujeito num hospital de Nova Iorque.


Nascido num subúrbio de Cleveland, a 26 de Janeiro de 1925, foi aos 26 anos que começou a dar os primeiros passos na actuação. Ao longo dos 50 anos que seguiram, Newman interpretou papéis memoráveis em filmes como "Gata em Telhado de Zinco Quente" (1958), "The Hustler" (1961), "Butch Cassidy and the Sundance Kid" (1969), "The Sting" (1973) ou "Torre do Inferno" (1974). Recebeu dez nomeações para os Óscares ao longo da sua carreira, tendo finalmente sido distinguido em 1987 com o Óscar para melhor actor principal pela sua interpretação em "A Cor do Dinheiro". Além da carreira de actor, Newman realizou ainda quatro filmes, todos com a participação da mulher Joanne Woodward, com quem estava casado desde 1958.


O mundo despede-se do "Mr. Blue Eyes", com a certeza que o seu nome e obra não serão esquecidos.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Watchmen

 
O jogo da UEFA já passou. Agora toca a lamber as feridas, levantar a cabeça, e focar no próximo jogo do campeonato que é já domingo na Amadora. Será que é agora que veremos o primeiro golo oficial da temporada? Ou isso, ou o Lori num avião (de qualquer outra companhia menos a TAP, senão com os atrasos habituais ele ainda fica por cá) a caminho do Brasil. Qualquer uma delas é boa solução.


Mas enquanto isso não chega, que tal ver o primeiro trailer de uma grande história que promete ser um grande filme para 2009. "Watchmen" de Alan Moore, com Zack Snyder ("300", "Dawn of the Dead") na realização. Fiquei a salivar!


quinta-feira, setembro 11, 2008

Recomendo: "Mamma Mia!"

 
Do teatro do West End para os cinemas de todo o mundo, eis "Mamma Mia!"


Já está nos cinemas o musical "Mamma Mia!", a adaptação do famoso espectáculo teatral que transportou os temas dos ABBA para o West End londrino. Para ser mais preciso a 6 de Abril de 1999, exactamente 25 anos após os ABBA terem ganho o Festival Eurovisão da Canção com a canção “Waterloo” em 1974. Até finais de 2006 o musical “Mamma Mia!” foi visto por mais de 35 milhões de espectadores em todo o planeta, sendo assim o musical com maior sucesso a nível mundial, ultrapassando os sucessos de "Cats" ou "Fantasma da Ópera".


Repetindo a fórmula de sucesso do teatro, o filme manteve os responsáveis pelo desenvolvimento do espectáculo, ficando a produção a cargo de Judy Craymer, a direção de Phyllida Lloyd e o argumento de Catherine Johnson, tudo sob a supervisão dos ex-ABBA Benny Andersson e Björn Ulvaeus.


Com uma fantástica Meryl Streep, uma doce Amanda Seyfried, o duo "dinamite" Julie Walters e Christine Baranski, bem secundados pelo trio masculino Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgård, temos animação garantida durante quase duas horas. O filme é muito bom e põe-nos a saltar da cadeira. Recomendo vivamente. Vão ver.

terça-feira, agosto 26, 2008

Presto

 
Quem já foi ver o WALL·E ao cinema, e chegou a tempo e horas, já viu a nova curta metragem que a Pixar preparou para acompanhar este novo grande filme dos magos do estúdio de Emeryville, na California.


Na boa tradição dos filmes da Pixar, e na senda de "For The Birds", vencedor de um Óscar da Academia, chega-nos "Presto". Espreitem.




"Presto" - Doug Sweetland (Pixar Studios)

sexta-feira, julho 25, 2008

O verdadeiro Cavaleiro das Trevas

 
Como previa, ontem fui mesmo ver o novo filme da 'saga Batman', sob a batuta de Christopher Nolan - "The Dark Knight". E, meus senhores, confirmei tudo aquilo de bom que diziam do filme. Está simplesmente soberbo e é, de longe, dos melhores filmes que vi este ano. Como sempre, um comentário mais profundo será publico no Cinema Madeira.


 
Christian Bale como Bruce Wayne/Batman está excelente.


 
Heath Ledger despede-se de nós com uma interpretação inesquecível do vilão Joker


 
Aaron Eackhart surpreende como Harvey Dent/Two Face


Depois disto tudo, só me apetece mesmo é deixar um recado ao Sr. Eurico de Barros. E, melhor que tudo, de borla. Oiça... dedique-se à pesca. Porque de cinema, não vai lá.

quinta-feira, julho 24, 2008

A Crítica

 


O dia de hoje marca a estreia mundial de "The Dark Knight", o segundo filme sobre a chancela de Christopher Nolan, que ressuscitou um herói moribundo, com o excelente "Batman Begins", em 2005. É com muita expectativa que irei ver o filme, sobretudo depois de ouvir maravilhas sobre a história e a interpretação dos actores, com particular destaque para o 'Joker' do falecido Heath Ledger.


Curiosamente, a primeira crítica que li foi absolutamente devastadora ao filme. Foi do nosso conhecido crítico Eurico de Barros que, do alto da sua sapiência, para além de dar 1 estrela em cinco possíveis, lança logo várias pérolas como quando afirma que "quando Tim Burton trouxe Batman para o cinema como ele merecia, fê-lo mantendo-se fiel ao espírito da criação de Bob Kane, mas instilou-lhe a sua marca de poesia lúgubre, sensibilidade "gótica", fantasia visual sombria e sentido de humor com calafrios". Disse ainda que Nolan "insiste ainda mais na simplificação dramática das personagens e na acção hiperviolenta, desmesurada, ensurdecedora e incoerente que se tornou no pão com manteiga dos blockbusters de Hollywood". Sobre Heath Leadger diz que o seu "Joker sociopata terminal parece o palhaço Bozo interpretado por Marlon Brando depois de uma noite de estúrdia brava numa casa de meninas". Para finalizar - a cereja no topo do bolo - Eurico de Barros diz que "que quase que dá vontade de perdoar a Joel Schumacher por ter levado Batman para Las Vegas". (Leia aqui a crítica na íntegra).


A par do "Homem Aranha" e do "Indiana Jones", "Batman" era um dos meus heróis preferidos da BD. Por isso tenho algum conhecimento da personagem negra criada por Bob Kane. Algo que o Sr. Eurico de Barros parece completamente desconhecer. Poderia eu próprio responder por palavras minhas a este 'crítico', mas prefiro transcrever duas óptimas opiniões, retiradas do site Cinema2000.



Uma opinião vale o que vale e não se quer com isto travar nenhuma guerra, coisa que não tem faltado à conta deste filme por esta internet fora. Mas é notório que existe uma certa tendência por cá, para se enaltecer os chamados "autores". E não há mal nisso, quando é justificado e merecido. Mas...


"Quando Tim Burton trouxe Batman para o cinema como ele merecia, fê-lo mantendo-se fiel ao espírito da criação de Bob Kane, mas instilou-lhe a sua marca de poesia lúgubre, sensibilidade "gótica", fantasia visual sombria e sentido de humor com calafrios."


Dizer que Tim Burton se manteve "fiél" ao espírito do personagem revela duas coisas: ou desconhece o personagem ou está demasiado apegado ao universo pessoal do realizador. Porque o Batman de Burton é tudo menos fiel ao material original (não me lembro de Bob Kane alguma vez ter empurrado o personagem para um plano tão secundário ao ponto de o tornar uma sombra). Aliás, não é de todo imperceptível na construção dos personagens, a filtragem feita pela imaginação de Burton dos esquemas da velha série de televisão, transmitida nos anos 60 e que foram a única referência de Burton em relação ao personagem. É essa a "fidelidade ao espirito original do personagem"?


Mesmo o superior "Batman Returns" (quando comparado com o muito controlado "Batman") resvala demasiado num fetichismo sado-masoquista (por pouco imaginava a Catwoman a chicotear as nadegas de latex do Cavaleiro das Trevas). São sem dúvida bons filmes de Burton, mas de Batman, muito pouco. É notório o desequilíbrio entre narrativa e estética (os personagens raramente têm uma dimensão psicológica consistente e são desperdiçados em histórias que mais parecem tiradas exactamente dos anos 60).


"Batman Begins" não só finalmente tornou o morcego num personagem, mas realmente mostrou preocupação com o seu universo e os seus mecanismos. "The Dark Knight" vai ainda mais longe. É Batman enquanto símbolo e aquilo que representa. De certa forma, Harvey Dent e o Joker são as duas faces da moeda que é o Cavaleiro das Trevas. É um filme superior em muitos aspectos, mas maior é o trunfo de ser dos poucos que percebe a dimensão mitológica dos personagens, dos seus arquétipos e tece uma espécie de história moral que é central na sua essência.


E o que dizer do Joker de Ledger ? É o retrato definitivo do personagem. Quando Jack Nicholson pôs maquilhagem branca e quase devorou o filme de 1989, percebeu-se porque o actor tanto insistiu para que o filme fosse seu: é um veículo para a personalidade do actor transparecer no ecrã. Nicholson fez de Nicholson, com uns certos tiques de César Romero (obrigatória referência para se manter "fiél ao espiríto do personagem"). Alguém viu por ali um Joker ? Não. E foi isso que Heath Ledger soube fazer: entregou-se a fundo ao papel, ao ponto de se ter deixado engolir por ele. Não só isso, mas soube-lhe ser fiél, não só ao seu espírito, mas às suas motivações (aliás, creio que nunca o Joker se definiu tão bem como neste filme) e à simbiose com o morcego. E, proeza das proezas, faz seu o filme sem tirar brilhantismo aos restantes, dos quais Aaron Eckhart sobressai como um verdadeiro "underdog". Ele é a alma e coração do filme. E aqui está outro aspecto que o demarca dessa "monumental obra-prima" que é o diptico de Burton: os secundários têm substância, não são meros apontamentos ou notas de rodapé a marcar presença. E a todos lhes é dado tempo e conteúdo.


Não está isento de falhas (talvez demasiado a acontecer ao mesmo tempo torna a encruzilhada narrativa demasiado labirintica) mas é sem dúvida um filme maior. No seu género, creio que será mesmo o melhor (espero para ver o que sai de "Hellboy 2"). Um dos melhores do ano, sem dúvida. - Pedro Almeida



«O Cavaleiro das Trevas» está longe de ser o típico filme de super-heróis. Christopher Nolan realizou e escreveu, juntamente com o irmão, Jonathan, um poderoso e complexo argumento. Após «Batman — O Início», de 2005, as arestas foram polidas e o novo filme segue talvez os melhores anos de Batman nos comics: os anos 80 e a fase escrita por Frank Miller, onde a moralidade das escolhas alia-se ao lado criminal noir, substituindo a faceta mais lírica do super-herói. Em 2005, eram reveladas as origens de Bruce Wayne e o alter-ego Batman (Christian Bale), agora é a vez de se conhecerem as motivações deste personagem e também a suprema apresentação do seu arqui-inimigo, o Joker (Heath Ledger). Uma relação explorada de uma forma tão letal quanto poética.


É nesta perspectiva que Nolan insere os heróis da banda desenhada num grandioso épico moral com uma génese bem próxima da realidade. Os desígnios de Joker são desconcertantes e actuais, com imensas semelhanças ao espírito do terrorista mais procurado do mundo. As ameaças efectuadas à cidade de Gotham são apontamentos para os locais que foram feitos reféns do terror, chegando mesmo esta alegoria a explorar a violação das liberdades individuais como um meio para alcançar um bem maior. A luta contra a anarquia imposta por Joker, tal qual a realidade, não tem vencedores, apenas uma vitória pírrica. Esta produção é de longe a mais negra dos filmes de personagens com matriz inspirada nos comics, fiel ao lado policial das aventuras de Batman, com o enredo e a filmagem sempre a deixar pistas para uma larga conspiração, numa narrativa com mais fios (narrativos) do que um tapete de Arraiolos.


«O Cavaleiro das Trevas» tem três momentos distintos. Após o fantástico prólogo, com uma apresentação em grande estilo de Joker, surge um triunvirato com a Justiça, a polícia e o vigilante, que é como quem diz, Harvey “Duas Caras” Dent (Aaron Eckhart), o comissário Gordon (Gary Oldman) e Batman. Juntos formam a frente de combate ao crime organizado enraizado na cidade. Tudo muda com o aparecimento do agente do caos, conhecido como Joker. O seu diabólico plano é posto em prática e Heath Ledger domina este trecho. A apoteose é, por sinal, bastante singular: as explosões e os grandes efeitos, normalmente reservados para o clímax, são substituídos, e bem, pela batalha pela alma de Gotham.


Christian Bale é conhecido por explorar devidamente o lado negro dos seus personagens e Batman é adequado aos seus dotes. Não é propriamente um herói afável pois trata-se de um papel construído a pensar no enredo e não no público. De facto, em paralelo desenvolvem-se entre outros acontecimentos. A realçar o personagem de Harvey Dent, que cria a sua própria sorte e deseja ser herói antes de morrer vilão. Numa metamorfose aterradora, pela sua brilhante caracterização, com e sem efeitos, o seu trajecto é digno de uma tragédia grega. O seu encontro com Joker é um dos grandes momentos da filme, com o baptismo de um novo vilão fisicamente distorcido e com uma moralidade estilhaçada. Uma bela interpretação de Aaron Eckhart.


Por seu lado, Heath Ledger interpreta Joker de uma forma soberba, criando um personagem visceral, tenebroso, enigmático e indecifrável. Toda a expectativa em torno desta performance não foi em vão, é ver para crer. É desconcertante visionar cada sequência com o Joker, pois é um processo com charme que perturba, mas não satura. Um lápis em cima de uma mesa que “desaparece” não é um truque de magia, mas um atestado de demência de um personagem que ficará para sempre na galeria dos vilões da 7ª Arte. E essa é apenas uma das muitas imagens que definem a sua incontornável presença neste filme: em cada aparição surge um novo Joker, que tem várias histórias para as suas cicatrizes faciais, percebendo-se rapidamente que estas se propagam à sua alma. O som e imagem ajudam à personificação da personagem: a própria câmara treme com a sua presença. Percebe-se que o argumento foi construído a pensar nesta carta fora do baralho e é doloroso saber que esta performance marca a despedida de um grande actor.


O realizador Christopher Nolan juntou ao projecto um talentoso grupo de actores que enriquece a obra em desempenhos secundários, justamente provocando oscilações nas relações humanas e motivando um interesse para além do espectáculo visual. Daí que «O Cavaleiro das Trevas» seja um filme de “duas faces”, sempre a carburar no limite, com a acção e o drama em constante cruzamento. Para além de Eckhart, surge Garry Oldman, que interpreta novamente o comissário Gordon e traz igualmente consigo uma ambiguidade moral. Como side-kicks, encontramos Michael Caine (o mordomo Alfred) e Morgan Freeman (Lucius Fox), que acrescentam a voz da consciência de Wayne/Batman e linhas que aliviam a constante tensão da história. A fechar, Maggie Gyllenhaal como Rachael Dawes, interesse amoroso de Wayne e Dent, papel antes interpretado por Katie Holmes.


Com várias sequências a serem filmadas através do processo das câmaras Imax, resultando numa maior resolução, textura e claridade, a acção está mais próxima do espectador. Aqui, no entanto, e apesar da produção gigantesca, a ênfase nos efeitos CGi não é predominante: os stunts humanos dominam e produzem algumas das melhores cenas. A música do filme volta a ser dirigida por dois supercompositores, com Hanz Zimmer a compor os trechos musicais de Joker e Howard Shore os de Harvey Dent/Duas Faces.


«O Cavaleiro das Trevas» é um dos grandes eventos de 2008 feito a pensar no espectáculo do cinema em sala, Marca o crepúsculo de um grande actor numa grandiosa produção que junta o melhor de dois mundos e em que a trama e complexidade vão muito além do simples antagonismo entre Batman e Joker. Por baixo das máscaras e das pinturas, existem almas torturadas. - Jorge Pinto



Cada vez mais tenho a certeza que não temos 'críticos' em Portugal, no sentido profissional da palavra. E como isto quero dizer que não temos pessoas que não façam mais do que dar a sua opinião, sem qualquer preparação prévia, sem pesquisa da história, personagens, etc. Que o Sr. Eurico de Barros não goste de Christopher Nolan, tudo bem. Que até nem goste da personagem de Batman, ainda aceito. Mas há que saber separar aquilo que é a sua opinião pessoal daquilo que lhe pedem para fazer: uma crítica especializada, ponderada e informada. Para mais, quando são pagos para tal. Com algumas honrosas excepções, a maior parte do que se lê ou ouve é lixo.


O que importa é que "The Dark Knight" vai batendo recordes de bilheteira e no IMDB leva a impressionante nota de 9,5 com já mais de cem mil votantes registados. Sim, porque no final do dia, a nota mais importante, é sempre do espectador consumidor.


Se tudo correr bem, hoje vou ver o filme e, como habitualmente, colocarei a minha opinião no Cinema Madeira.

sexta-feira, julho 18, 2008

O Acontecimento

 


Ontem fui ver o novo filme de M. Night Shyamalan "The Happening". A premissa do filme até é interessante. Depois de milhões de anos de agressões dos seres humanos, as plantas decidiram ripostar, através da libertação para a atmosfera de uma neuro-toxina que interfere com uma parte do cérebro humano e que leva, literalmente, ao suicídio da pessoa. A esse propósito, a parte inicial do filme é fantástica.


Enquanto meditava sobre a mensagem do filme, eis que me deparo com esta notícia, publicada hoje no DN - "PESCADORES VÃO PARAR AO HOSPITAL POR CAUSA DE ALGA TÓXICA".


Faz hoje quinze dias que a tripulação do 'Pepe Cumbera' teve de regressar à pressa da faina que fazia nas Selvagens trazendo uma tripulação bastante afectada. Vómitos, diarreias, um suor frio nas mãos deixaram 11 dos 16 pescadores muito debilitados. Atendidos nas Urgências, os homens foram mandados para casa depois de levarem uma injecção, com a recomendação que procurassem o médico de família. Entregues à sua sorte, houve quem perdesse oito quilos em quatro dias.


Ainda sem certezas, pois o primeiro apuramento foi feito a partir apenas dos sintomas dos pescadores, tudo indica que terá sido uma micro-alga muito tóxica a causa do problema. Isto porque os pescadores ingeriram à refeição um peixe de grandes dimensões (um charuteiro com 35 Kg) e terá sido o efeito bioquímico provocado no organismo humano que causou o envenenamento dos pescadores, já que a toxidade da alga não é nociva aos peixes.


A intoxicação por Ciguatera é causada pelo consumo de peixes marinhos com barbatanas, de regiões subtropicais e tropicais. As toxinas são conhecidas como originadas de diversas espécies de algas (dinoflagelados), que são comuns em regiões endémicas, nas baixas latitudes. Manifestações de intoxicações por Ciguatera em humanos geralmente envolvem uma combinação de desordens gastrointestinais, neurológicas e cardiovasculares.


Para já, a interdição da actividade da pesca por tempo indeterminado até a batimétrica dos 200 metros, o equivalente ao limite da jurisdição da Reserva Natural das Selvagens, foi a medida determinada. Eu sei que não motivos para alarme como é óbvio, mas depois de ter visto o filme de ontem, até dá que pensar. Para mais se atendermos que já convivemos com as plantas há milhões de anos e ainda há tanto que não sabemos sobre elas...

quarta-feira, maio 21, 2008

O Regresso de um Ícone

 
O dia de hoje marca o regresso de um dos meus heróis de infância, 19 anos depois da sua última aparição no grande ecrã. O professor de arqueologia Henry Walton Jones, Jr., é reconhecido pelo seu chapéu de fedora, o seu casaco de cabedal castanho, o seu chicote e o seu terrível medo de serpentes.


Em 1981, enfrentou as forças do regime nazi em busca dos segredos da Arca da Aliança. Em 84, a aventura mudou-se para a Índia colonial, onde foi à procura das pedras de Shiiva roubadas por um feiticeiro que dominava uma aldeia onde fazia sacrifícios humanos e escravizava crianças. Em 1989, disputou directamente com Adolf Hitler, a corrido pelo Santo Graal.


Ele é Indiana Jones. E está de volta!


Criado pela mente da dupla Steven Spielberg e George Lucas, foi inspirado nos heróis das matinés e das revistas que ambos leram na sua juventude. Narra a história que, aquando do lançamento do primeiro filme da saga da "Guerra das Estrelas", Spielberg e Lucas encontraram-se no Hawaii e o primeiro manifestou a vontade de fazer qualquer coisa divertida e diferente, se calhar um pouco ao estilo de um filme de James Bond. Lucas respondeu que tinha algo melhor. E assim nasceu a personagem, inicialmente chamada de Indiana Smith ("Indiana" era o nome do cão de Lucas). Spielberg não gostou do nome Smith e sugeriu Jones. E assim ficou.


Chega agora ao cinema 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal', que ninguém poderá perder. Enquanto não vemos o filme, deixo-vos com um vídeo que encontrei no YouTube, uma montagem dos três filmes, para abrir o apetite.



Video cortesia de Mart138

quinta-feira, março 20, 2008

Finalmente!!!

 



Finalmente estrearam na Madeira dois dos melhores filmes do ano passado e que estiveram nomeados na categoria para "Melhor Filme" na última edição dos Óscares da Academia. Juno levou ainda a estatueta de "Melhor Argumento Original" e por Michael Clayton, TIlda Swinton ganhou a de "Melhor Actriz". E "só" tivemos de esperar mais dois meses que os nossos conterrâneos do continente.


São dois filmes extraordinários. O primeiro fala dos desafios da gravidez na adolescência mas de uma perspectiva completamente diferente. O segundo trata dos meandros sujos do sistema legal norte-americano, em particular das grandes firmas de advogados.


Para mais informações sobre os filmes e os restantes filmes em exibição na Madeira, vejam o blog Cinema-Madeira. A não perder.