quinta-feira, dezembro 09, 2010

O desconforto da WikiLeaks

 


O representante das Nações Unidas para a liberdade de expressão, Frank La Rue, considera que os Estados Unidos não devem poder apresentar uma acusação contra o responsável da WikiLeaks, Julian Assange, e defende que será um mau exemplo para a liberdade de expressão se isso acontecer. Também a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay, manifestou a sua preocupação em relação às denúncias de pressão sobre empresas privadas para deixar de prestar serviços financeiros ou de alojamento na Internet à WikiLeaks como forma de a impedir de divulgar mais documentos secretos. Não podia estar mais de acordo.


A verdade é que, por qualquer razão que não se consegue descortinar, os serviços de inteligência norte-americanos não conseguem conter a sua informação confidencial. Se vai parar às mãos de Assange é porque algo funciona mal por lá. De que serve gastar biliões desenvolvendo tecnologias de criptografia de ponta se um operador de comunicações copia um email para uma pendrive e depois passa para quem quiser a troco de dinheiro? Se há alguém que devia prestar contas serão os responsáveis por esses serviços.


Como eu escrevi há dias, o WikiLeaks não anda propriamente a divulgar "novidades". A informação anda à solta e está aí para quem quiser. Quase tudo o que saiu do WikiLeaks era bilhardice diplomática, o que não é propriamente difícil de aceder, mesmo considerando que alguns sejam documentos secretos! Ao divulgar documentos, vídeos ou fotos, a Wikileaks de Assange não faz qualquer trabalho de espionagem. Divulgar ao público informação sigilosa é, normalmente, torna-la inútil, já que esta perde o seu valor estratégico. E se toda a gente sabe, não posso fazer nada com ela, nem pressionar ninguém com ela. O que a WikiLeaks faz, na realidade, é mostrar quão fraco consegue ser o melhor sistema de defesa de informação. É quase um serviço público. E se, eventualmente, a WikiLeaks cometeu alguma ilegalidade, isso deve ser tratado judicialmente e não através de pressões e intimidações promovidas por terceiros, como tem acontecido até à data.

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