segunda-feira, março 31, 2008

Ressonância Schumann


Imagem cortesia da "Earth Sciences and Image Analysis Laboratory", NASA Johnson Space Center


Alguma vez tiveram aquela sensação de que o tempo passou a correr? Claro que sim! Todos já a experimentamos. Ainda há pouco estávamos no Carnaval. Ontem foi Páscoa e já caminhamos para as férias de Verão e em breve, Natal. Este sentimento é ilusório ou tem base real?


Um físico alemão, de nome Winfried Otto Schumann, calculou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância, mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Segundo Schumann, esta ressonância funciona como uma espécie de "marca-passo", responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum a todas as formas de vida. Esta passou a ser conhecida como a "Ressonância Schumann", em homenagem ao físico alemão.


Vários estudos mais tarde confirmaram que todos os vertebrados, bem como o nosso cérebro, são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação de que possivelmente poderíamos não ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Foram feitos vários testes com os astronautas, que em razão das viagens espaciais, saiam fora da ressonância Schumann, e foram registados os seus desiquilíbrios. Quando regressados aos valores da biosfera terrestre, aparentemente recuperavam o seu balanço e registos naturais. Desde então várias estações em todo o mundo têm vindo a recolher dados sobre as variações da ressonância de Schumann.


Mas para podermos perceber melhor esta teoria da ressonância e do equilíbrio da biosfera, temos de ter noção de outra teoria denominada de "Teoria de Gaia", que defende que o planeta Terra é um ser vivo. A hipótese, apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, postula que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente. Apesar de vista inicialmente com descrédito pela comunidade científica internacional, e apenas aceite por grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores, com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem vindo a ganhar credibilidade entre os cientistas.


E foi já na década de 90, através dos trabalhos sobre a Ionosfera dos cientistas Sentman e Fraser, que se passou a relacionar as duas teorias. Ao longo dos anos as "batidas do coração" da Terra registavam uma frequência de pulsações constante e a vida aparentemente se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Acontece que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada na década seguinte, a frequência tem vindo a subir gradualmente de 7,83 para 11 e para 13 hertz.


Coincidentemente, vários desequilíbrios ecológicos têm vindo a se fazer sentir: desde o aquecimento global a perturbações climáticas de vária ordem, maior actividade dos vulcões e movimento das placas tectónicas. Também a nível social temos vindo a registar alterações, com um acentuar de um crescimento gradual de tensões e conflitos no mundo, bem como um aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.


Alguns partidários da "Teoria de Schumann" e da "Teoria de Gaia" concluem que, devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas (os cálculos são complexos e confusos para mim, pelo que deixo apenas o resultado final). Em consequência defendem que a percepção de que tudo está passando muito rápido não é, de facto, ilusória, mas terá base real nesse transtorno da ressonância Schumann.


No meio disto tudo, concluem ainda que a Terra, esse superorganismo vivo que é o nosso planeta, está em busca da recuperação do seu equilíbrio natural, como aparentemente o faz há milhões de anos. O problema é que essa auto-regulação (que alguns defendem já estar a atingir picos de não retorno - leia-se o excelente livro "O Sétimo Selo" de José Rodrigues dos Santos), poderá ter um preço incalculável para a nossa actual biosfera e consequentemente para todas as criaturas vivas do planeta, em particular os seres humanos.


Não querendo aqui abrir espaço para grupos esotéricos e/ou futuristas de cenários catastróficos do fim dos dias, não deixa de ser importante revermos a nossa posição enquanto espécie neste planeta, tendo sempre em mente que somos mero hóspedes e que se dermos cabo da nossa casa, não teremos outra para viver.

sexta-feira, março 28, 2008

Mia Rose


Quando daqui a um milénio a internet como a conhecemos for algo de museu, quando a fixação ao planeta Terra não for mais que uma anotação num "spacebook" de História, o YouTube será retratado como o arquivo da humanidade. Lá encontramos de tudo e tudo vai lá parar. O YouTube também é um sítio que permite que a sorte um dia nos vá bater à porta.


A miuda da foto acima chama-se Maria Antónia Sampaio Rosa, ou simplesmente Mia Rose, uma das mais recentes celebridades do YouTube. Como o próprio nome indica, Mia é filha de pai português e mãe inglesa, e nasceu a 26 de Janeiro de 1988 em Wimbledon Village, Londres.


Desde muito cedo começou a convencer o mundo do seu talento para a música, embora tenho sido como modelo que deu os seus primeiros passos para a fama, na agência Young Faces of London. Entretanto passou vários anos em Portugal onde estudou e participou em vários eventos de teatro, concertos e festivais, bem como escrevendo e compondo a sua própria música.


Mas o seu grande "boom" foi quando abriu o seu espaço no YouTube, em finais de Dezembro de 2006. Mia postou vídeos dela própria a cantar "covers" e alguns seus originais e em poucas semanas tornou-se um "hit" no site, chegando mesmo a ser a artista mais procurada no YouTube, tendo actualmente cerca de 111 mil subscrições e uns quantos milhões de "visitas" aos seus vídeos.


A 4 de Abril do ano passado, Mia Rose assinou um contrato profissional com o grupo NextSelection e actualmente trabalha no seu primeiro álbum de originais.


Fiquem com o vídeo mais visto da Mia no YouTube, que já ultrapassou os 7 milhões de visitas. É obra...




Mia Rose - "Heaven"

Ainda há quem ajude...


Tomei conhecimento do que vos vou falar por intermédio de um amigo meu e refere-se a uma belíssima iniciativa para ajudar a vila de Inharrime e o seu projecto de apadrinhamento.


Antes que digam "quem", "onde", Inharrime é uma pequena vila a 90 km de Inhambane, capital de distrito do mesmo nome, e a 400 km do Maputo, capital de Moçambique. Em 2000 devido às cheias que ocorreram naquela província, bem como ao alastramento de doenças como a SIDA, muitos ficaram sem casa e família.


Em 2002 as Irmãs Salesianas ocorreram a um grito de socorro e foram ajudar meninas órfãs em Inharrime. A Irmã Lucília, a responsável pelo projecto que estendeu as mãos brancas para acariciar as faces negras, abriram várias campanhas e ao longo do tempo, e pouco a pouco, foi-se construindo a instituição.


Um dos seus projectos é o "Apadrinhamento das Crianças de Inharrime" que, em termos muito simples, permite que qualquer pessoa que manifeste o desejo de apadrinhar uma criança de Inharrime possa fazê-lo através da instituição, contribuindo como puder para auxiliar o seu afilhado. O objectivo é permitir que estas tenham uma infância mais feliz, uma educação, melhores cuidados de saúde e, principalmente, amor e carinho de uma Madrinha ou Padrinho especiais, só delas.


No programa "Antes Que Se Faça Tarde" da RDP África, o jornalista João Pedro Martins, dedicou os dias 7, 8, 9 e 10 de Fevereiro, a Inharrime e ao seu projecto de apadrinhamento. Igualmente na revista do Jornal de Notícias, Notícias Magazine, do dia 26 de Fevereiro, também abordou este assunto.


Mas a parte mais curiosa que descobri é que existe um blogue na internet, chamado de "Amigos do Inharrime" que nos vai mostrando os acontecimentos na vila, as ajudas que têm sido feitas, com reportagens, poemas e textos das próprias crianças que são ajudadas pelos padrinhos.


Por isso, quem quiser ajudar, siga os links neste texto. E façam alguém feliz.

quinta-feira, março 27, 2008

Ainda quer fumar?

 
O vídeo "Still want to smoke?" foi uma experiência em que 400 cigarros são "fumados" por uma garrafa contendo unicamente ar e água. O objectivo é verificar a quantidade de alcatrão libertado pelo cigarro à medida que vai sendo queimado. Na sequência, a água suja é fervida para restar apenas o alcatrão.


Toda a experiência foi filmada e o resultado é impressionante, mais do que qualquer outra campanha anti-tabagista foi capaz até à data.


Atenção: nesta experiência são libertados mais de 400 químicos perigosos, pelo que não tentem faze-la em casa ou em espaços fechados.


O IVA desceu lá... e aqui?


Ontem o país recebeu uma boa notícia. E mesmo que eventualmente possa não ser muito sentida nos bolsos dos portugueses, não deixa de ser uma boa notícia. O  Imposto de Valor Acrescentado (IVA) desceu um ponto percentual em Portugal Continental, de 21 para 20%, com efectividade a partir do dia 1 de Julho.


Ainda não é certo que a Madeira acompanhe esta descida, mas nos corredores da Secretaria Regional do Plano e Finanças já se esfrega as mãos de contente com a possibilidade de deixar o IVA abaixo dos valores do Luxemburgo, por forma a vitalizar a Zona Franca.


Quanto a mim, fico contente com qualquer redução no IVA. Portanto... venha ele!

Mau Crime, Mau Castigo

 



 


O jornal "O PUBLICO" e o "CORREIO DA MANHÃ", noticiam hoje que Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, vão ser transferidos desta escola, sendo no entanto ainda desconhecido o estabelecimento de ensino que irão frequentar.


Estou totalmente em desacordo com esta medida que, no meu entender, nada resolverá em termos de disciplina. No fundo, estamos perante um castigo que não é, nada mais nada menos, que passar o problema para outro instituto. Em vez de se incentivar a um assumir de responsabilidades, a um "mea culpa" que seja apreendido pelos estudantes em foco, passamos a mensagem de que eles são indesejados e que não queremos a sua presença.


Mais valia que os alunos fossem obrigados a um pedido de desculpas público à professora e ao estabelecimento escolar, bem como um período em que os mesmos fossem recrutados para um qualquer serviço comunitário (até na própria escola). Ganhava-se assim a sua integração em vez de exclusão.


Péssima resolução para um mau exemplo de sociedade.


quarta-feira, março 26, 2008

Mais um anito...

 

"Uma pessoa sabe que está a ficar velha quando há apenas uma vela no bolo. É tipo: vê se consegues soprar esta!" (Seinfeld).


Calma... ainda tenho muitas velas no bolo! Eheheh!

terça-feira, março 25, 2008

O futuro nas mãos...

 
Para o bem ou para o mal, lá vai a Microsoft inovando no mercado de hardware/software. A nova aposta da multinacional de Bill Gates (agora retirado) promete revolucionar o mercado e acabar de vez com teclados, ratos, discos físicos, fios, tomadas e tudo o mais que possam imaginar.


Lembram-se do filme "Relatório Minoritário", onde Tom Cruise tinha um ecrã em que metia as mãos e manipulava-o, mexendo as coisas de um lado para outro? Bem... aparentemente, essa tecnologia estará a chegar às nossas lojas em breve.


"Microsoft Surface: Table Top Technology" é o pomposo nome desta nova evolução no nosso cibernético. É previsão é de que custará os olhos da cara numa primeira fase, como é habitual nas novas tecnologias. Mas o futuro está a chegar. E esse estará nas nossas mãos... literalmente!



Demonstração do "MS Surface" em tempo real

"Portabello by the Sea"

 
Portabello by the Sea" é a mais cara mansão de sempre a ser posta no mercado. Situada nas Cameo Shots, de Orange County, California, este luxuoso espaço inserido num terreno de 22000 metros quadrados virados para o mar, possui entre várias características especiais, 2 "master" suites, várias piscinas incluindo um "swim-up bar", um tunel "slide", uma "lounge room" junto à piscina e área de barbecue, duas pistas de bowling, um cinema, um museu, um café, ginásio e garagem com elevadores para os carros.


O seu preço? Apenas a módica quantia de 75 milhões de dólares (algo como 49 milhões de euros). Quem se candidata?





"Portabello" é a terceira casa mais cara dos EUA

segunda-feira, março 24, 2008

Responda, senão...

 



No âmbito do combate à fraude e evasão fiscal, a Direcção-Geral de Impostos (DGCI) está a enviar cartas a contribuintes recém-casados pedindo que estes respondam, ao abrigo do dever de colaboração com a administração fiscal e no prazo de 15 dias, a um vasto conjunto de informações relacionadas com a realização do seu casamento.


Nas cartas agora enviadas destaca-se, no entanto, o pormenor e a extensão das questões colocadas aos noivos, que se vêem mesmo obrigados a prestar a informação sobre se existiu, ou não, outro casamento ou outro evento no mesmo dia e lugar que o seu, ou qual o número de convidados adultos e crianças e quanto foi o valor cobrado por cada um deles; ou se o vestido de noiva, por exemplo, foi oferecido e, se sim, por quem, e quanto pagou o oferente.


O fisco quer ainda saber como foram pagos os diversos serviços prestados por restaurantes, fotógrafos, floristas, entre outros, como o copo-d´água: em numerário, por cheque? Se a resposta for positiva, qual a data do cheque, o banco e o seu número. E se o pagamento foi feito, por exemplo, de forma parcelar com cheques pré-datados, então, os noivos devem ainda identificar cada um dos cheques e, se possível, enviar fotocópias dos mesmos, bem como outros documentos que comprovem o pagamento, como facturas e recibos.


E, para os mais indignados que como eu acham que isto é uma autêntica devassa da vida privada, fiquem a saber que caso não o façam dentro do período temporal estabelecido, são ameaçados com a instauração de um processo de contra-ordenação fiscal punível com uma coima que varia entre os 100 e os 2500 euros, nos termos do art. 117º do Regime Geral das Infracções Tributárias.


Exige-se bom senso nesta matéria e parece que é algo que está a faltar ao Fisco, sobretudo no que respeita ao âmbito da aplicação da lei. Bem sei que o combate à fuga ao fisco é importante para o país mas há limites que têm de ser traçados. Já hoje, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, veio reconhecer que os pedidos de informação a contribuintes recém-casados exigidos por algumas direcções distritais de Finanças são “excessivos” e que vão ser “corrigidos”.


No fundo o que está em questão é um "pequeno" pormenor que a DGCI esqueceu-se de incluir nas suas notificações: a voluntariedade da prestação de informação aos particulares - tendo como óbvia consequência a inaplicabilidade de qualquer sanção a quem não responder às ditas missivas. Esta obrigatoriedade de reportar ao fisco a sua actividade existe de facto, mas aos prestadores de serviços - e não a quem deles beneficia!

domingo, março 23, 2008

Uma Páscoa Especial

 



A Páscoa é sempre o primeiro Domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera (20 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano.


Pois, este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (e, mesmo assim, terão de ter mais que 95 anos!).


Só para termos uma noção, a próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (ou seja, daqui a 220 anos). A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913. E a próxima vez em que a Páscoa calhará num dia ainda mais cedo, nesta caso a 22 de Março, será no longínquo ano 2285 (daqui a 277 anos). A última vez em isso sucedeu foi a 22 de Março de... 1818!


Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano. Portanto meus senhores... aproveitem este dia histórico!

sexta-feira, março 21, 2008

Frutos podres...

 


Na quarta-feira passada, a Escola Secundária com 3.º ciclo Carolina Michaelis, no Porto, foi palco de uma cena absolutamente degradante e humilhante para todos os portugueses. O episódio foi filmado por um aluno presente na sala e colocado no YouTube logo no dia seguinte. Sob o título “9ºC em grande!”, as imagens mostram uma aluna a agarrar e a puxar o braço da professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel.


No vídeo ouve-se repetidamente a aluna em causa a gritar para a professora: “Dá-me o telemóvel já!”. Durante minutos os alunos nada fazem e limitam-se a assistir à cena em pé. Ouvem-se risos e alguém comenta: “Isto é demais, ouve lá!”. Ao fim de algum tempo, um grupo de alunos tenta separar as duas pessoas envolvidas. Aumenta a confusão e ouve-se um dos alunos a avisar: “Olha que a velha vai cair”, referindo-se à professora. Até que por fim o telemóvel é recuperado pela aluna. Mas vejam o vídeo.



Esta cena dantesca é meramente o resultado de uma evolução "towards liberty" que está rapidamente a degenerar. O problema desta menina não é a cena lamentável que criou na sala de aula, quer tenha ou não tenha razão. O problema desta menina já vem de casa, onde faltará disciplina e autoridade. Esses mesmos valores que agora querem que as escolas sejam responsáveis por aplicar aos seus "filhos". Onde se entrega o "gado" a pessoas cujas competências em histórias, línguas, artes ou ciências, na maioria dos casos não incluem competências educacionais.


É uma vergonha o que tem acontecido neste país (e não só, verdade seja dita). É verdade que os professores, como em todas as profissões, têm que ser sujeitos a avaliações de competências, pois há que separar o trigo do joio para o bem da profissão. Mas sujeitar os docentes à "crueldade" da adolescência e da irresponsabilidade dos seus pais, é promever que mais cenas desta natureza surjam nos salas deste país, é matar a profissão.


Isto é um produto da sociedade em que vivemos, onde palavras como "valores" ou "princípios" já são quase meras recordações de tempos idos. E onde umas boas palmadas no rabo são consideradas como "violência doméstica" e "abuso infantil". Assim não vamos lá.


Viva a hipócrita sociedade do politicamente correcto.


 

quinta-feira, março 20, 2008

Finalmente!!!

 



Finalmente estrearam na Madeira dois dos melhores filmes do ano passado e que estiveram nomeados na categoria para "Melhor Filme" na última edição dos Óscares da Academia. Juno levou ainda a estatueta de "Melhor Argumento Original" e por Michael Clayton, TIlda Swinton ganhou a de "Melhor Actriz". E "só" tivemos de esperar mais dois meses que os nossos conterrâneos do continente.


São dois filmes extraordinários. O primeiro fala dos desafios da gravidez na adolescência mas de uma perspectiva completamente diferente. O segundo trata dos meandros sujos do sistema legal norte-americano, em particular das grandes firmas de advogados.


Para mais informações sobre os filmes e os restantes filmes em exibição na Madeira, vejam o blog Cinema-Madeira. A não perder.

quarta-feira, março 19, 2008

Dia do Pai

 



Feliz dia a todos os Pais do mundo, presentes e ausentes, e claro, em particular ao meu.


 

terça-feira, março 18, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Ytalo... fixem o nome!

 


O jogo de ontem revelou ao mundo do futebol aquele que poderá ser a próxima estrela do ataque do Marítimo. Ytalo, o jovem brasileiro de apenas 20 anos, entrou aos 74 minutos e o seu primeiro toque na bola trouxe o empate no jogo. E que golo!


Ytalo José Oliveira dos Santos, natural de Maceió, no Brasil, chegou cá com apenas 17 anos e logo no seu primeiro destacou-se ao serviço dos júniores onde foi o melhor marcador. Este ano é o melhor marcador da equipa B do Marítimo, com 12 tentos, e há muito que anseava por uma oportunidade na equipa principal. E quando esta surgiu, mesmo que motivado por lesões de outros jogadores, aproveitou-a ao máximo.


As estrelas são assim. Têm a fortuna do seu lado. E, a partir de agora, o Marítimo tem a obrigação de o aproveitar! E que golo!



 

"A Nossa Cidade" (ou a cidade deles...)

 



(Foto: Ricardo Perestrelo)


Por falar em subsídio-dependentes, na sexta-feira passada fui ver a peça "A Nossa Cidade" que o TEF (mais uns quantos grupos que são ignorados na apresentação), tem em exibição no Teatro Municipal Baltazar Dias, até ao dia 30 de Março próximo.


A peça, baseada no obra de Thorton Wilder "Our Town", mantém-se em parte fiel ao seu original, acrescentando uma companhia ao Narrador / Director de Cena e mudando a cidade fictícia de Grover's Corners para o Funchal. Recorrendo a um minimalismo interessante, a peça divide-se em 3 actos, onde seguimos a vida de duas famílias (os Lemos e os Pestanas) na cidade do Funchal, em 1901, e em particular o desenlace amoroso dos filhos mais velhos, Emília e Jorge.


Os actos Um (a vida quotidiana) e Dois (o casamento) estão muito bons, apesar de algum abuso no estereótipo. A vizinha metediça, o coro e o drama da sua "maestro" bêbeda, o descascar das ervilhas, o leiteiro e a sua égua, os jovens que namoram, o comboio que parte para o Monte e muitas outras referências da cidade do Funchal estão representados de uma forma muito agradável e apelativa (como a cena do prof. Franquinho).


O acto Três (o funeral) é, na obra de Wilder, o mais intrincado, o de reflexão sobre a singularidade da vida, os momentos preciosos que desperdiçamos, que só os mortos são capazes de se aperceber. Não é fácil depois de quase 2 horas, ter bagagem mental para assimilar o corte na "alegria".


Mas o pior vem mesmo depois, numa clara situação em que a liberdade artística de adaptação deveria ser absolutamente... cerceada! O vídeo com que a peça encerra, não só é de uma tremenda falta de gosto como é desapropriado para a história em si, o que deve ter deixado o Wilder a dar voltas no túmulo! Esta clara colagem de agradecimento à representação que fornece o caché é fruto do que mencionei no post anterior - a clara incapacidade de "separar águas".


É mesmo caso para dizer: não havia necessidade... porra!

 

Jardim, 30 anos


Faz hoje 30 anos que Alberto João Jardim assumiu a presidência do Governo da Região Autónoma da Madeira. De lá para cá, tem sido o "papa-eleições". Só para termos uma noção de passagem de tempo, eu nem era nascido (por pouco é verdade, mas não o era de facto). Pelo que é realmente, muito tempo.


O Diário traz hoje uma entrevista com Jardim, acompanhada de uma extensa reportagem sobre o seus 30 anos no poder, ao qual eu recomendo uma leitura. Vem também um daqueles inquéritos de opinião (daqueles que eu quero responder e nunca sou abordado... ainda por cima sou uma pessoa disponível... ai ai...), que pede aos inquiridos para apontar o melhor e o pior dos 30 anos de Jardim.


Mesmo que ninguém me tenha perguntado coisa alguma, eu respondo na mesma: o melhor é claramente o desenvolvimento técnico e básico da ilha. Fez-se estradas, pontes, túneis, e encurtou-se distâncias. Construiram-se instalações para a prática desportiva e cultural e escolas. Fez-se escolas. Tornou-se a ilha numa referência turística mundial. Melhorou-se o aeroporto e próprio porto. A electricidade chegou a toda a ilha. A cobertura da televisão também. Fomos os pioneiros na tv por cabo em Portugal. A generalização do saneamento básico foi um marco importante, com o gradual aumento das condições de vida dos habitantes da ilha. Levou o nome Madeira aos 4 cantos do mundo e deu visibilidade a esta pequena ilha do Atlântico mediante um combate feroz aos poderes instituidos (e por vezes colonialistas) do continente.


Mas como não há bela sem senão, a maior nega vai para o pouco investimento no desenvolvimento social do madeirense. Investiu-se muito no aspecto material mas pouco no aspecto intelectual. Tal como um bom pai que quer dar tudo ao filho, tudo foi dado aos madeirenses. Tudo de bom é certo, mas tudo de material, entenda-se. Fizeram-se escolas mas investiu-se pouco nos programas. Fizeram-se instalações desportivas, jogaram-se rios de dinheiros para os clubes e associações com o objectivo de produzir resultados e não homens para a vida. Entregou-se a cultura a meia dúzia de iluminados que decidem o que deve ser ou não lido, o que merece ser ou não visto, o que vale a pena ou não.


Pior que isto foi criar um sociedade subsídio-dependente, que acha que não tem de trabalhar para ter a sua casa. Ou porque tem dificuldades, ou porque está desempregado ou porque tem mais coisas que fazer que trabalhar 8 ou 9 horas por dia, é o Governo é que tem a responsabilidade de dar a sua casinha. E de preferência pagar por ela. Ignorou-se problemas sociais e estruturais graves, como a toxicodependência, o alcoolismo, o abuso infantil e doméstico - apenas agora começamos a ver algum trabalho feito neste sentido.


Há um provérbio chinês que se pode muito bem aplicar a estes 30 anos de Jardim que, no meu entender, foi a grande pecha no seu plano: "antes de dares o peixe a quem tem fome, ensina-o antes a pescar".


 

sexta-feira, março 14, 2008

Ken Lee

 



Vem aí o fim-de-semana e com ele vem o descanso e... a minha menina de Lisboa! Portanto, estou alegre e contente! E como estou alegre e contente, quero alegrar o vosso final de semana, início de descanso.


E para tal, nada melhor que ouvir um original. E tão original, tão original, que a própria Mariah Carey nem sabia que tinha esta música no seu reportório!


Chama-se "Ken Lee". E vai ser interpretada com uma menina búlgara. Ora vejam lá! E divirtam-se... se quiserem fazer esse favor!



 





 

quinta-feira, março 13, 2008

Esclavagistas do séc. XXI

 



Na terça-feira passada, em declarações aos jornalistas no Fórum do "Diário Económico" sobre Banca e Mercados de Capitais, em Lisboa, Vítor Constâncio disse que, na sequência da crise do crédito hipotecário de alto risco ("subprime") nos EUA e da falta de liquidez nos mercados monetários, "o custo de financiamento para os bancos vai aumentar". Por outras palavras, os portugueses vão pagar os empréstimos à banca mais caros dentro de pouco tempo.


As declarações de governador do Banco de Portugal vêm em sintonia com o que tem sido avançando pelos vários presidentes de bancos portugueses, que apontaram para o aumento do custo dos empréstimos, para fazer face às despesas que os bancos têm assumido, nomeadamente devido ao encarecimento do dinheiro comprado e vendido entre bancos.


Nem queria acreditar no que estava a ouvir. Ou somos todos mesmo muito parvos ou já está estabelecido um cenário de impunibilidade face à cada vez mais descarada usura da banca, que tudo é permitido.


Quem pede empréstimos à banca e tem de pagar os seus eternos juros sabe perfeitamente que este pagamento é "taxado" de duas formas. Primeiro com a taxa de juro indexada ao Euribor (a 3 ou 6 meses) e ainda com o chamado "spread", que é a margem de lucro bruto da instituição que concede o crédito.


Quem paga empréstimos sabe perfeitamente que nos últimos dois anos, o juro indexado ao Euribor tem vindo a subir em flecha. Razão? O Banco Central Europeu já avançou várias explicações: necessidade de controlar a inflação no espaço europeu; devido à crise mobiliária dos EUA; a subida do custo do dinheiro, etc, etc, etc.


Assim, e com toda a lata do mundo, e depois de tudo o que tem vindo a público relativamente à subida dos lucros dos bancos (só no último ano foi na ordem dos 2892 milhões de euros), vêm com este discurso de coitadinhos, que os custos vão subir e que é preciso fazer face? Estamos claramente perante um acção concertada de todos os bancos portugueses, não para manter, mas sim para aumentar a sua já grotesca taxa de lucro!


A minha única esperança é que este governo tivesse bom senso e ordenasse a Caixa Geral de Depósitos a não seguir esta tendência de subida. Não acredito que tal aconteça, mas a esperança é a última a morrer... ou não!


 

quarta-feira, março 12, 2008

Subsídios e mais subsídios

 



Há coisas que vêm mesmo a propósito. Na semana passada estava eu à conversa com uns amigos sobre a última peça da Contigo Teatro, em particular de custos e receitas, quando ao baile veio a "estória" dos subsídios.


No caso concreto, reclamava eu que não havia propriamente uma igualdade de tratamento entre os vários grupos de teatro. Que, e a título de exemplo, apesar de nosso bom trabalho nos últimos anos e reconhecido publicamente (Birra do Morto, Despertar da Primavera, La Nonna, Sonho de Uma Noite de Verão), nós recebiamos uma miséria anual, enquanto que outros, recebiam autênticas "fortunas". Claro que fui contestado e, inclusive sugiram-me um tratamento ao osso intermédio do braço.


Na segunda-feira passada (e juro que não foi a pedido), o DN publicou uma reportagem intitulada a "Roda dos Milhões", onde publicava uma lista com os subsídios atribuidos às vários instituições e, em particular, na área da cultura, aos grupos, casas do povo, etc.


As constatações são no mínimo hilariantes. Fiquei a saber por exemplo que a o TEF em 2006 recebeu 155 mil euros. Que a "Geringonça" recebe 103 mil e a "Caneca Furada", 19.500 euros. Isto sem falar em outras "instituições" que nunca ouvi falar como o "José Manuel de Freitas" (68 mil), "Alice Rodrigues" (58 mil), entre outros.


Já agora... sabem quanto recebe o Contigo Teatro? Eu digo-vos: € 1.532,00. Repito: mil quinhentos e trinta e dois euros. Anuais. Tomei a liberdade de copiar parte da tabela para vossa consulta. Espreitem aqui. A versão integral podem ver aqui.


Mas é bom que isto seja assim, por um lado. A Associação Contigo Teatro orgulha-se de ter as suas contas em dia, graças a um controlo de despesas apertado, a uma boa gestão das receitas e investimentos nos trabalhos e pessoas. Por outro lado, é triste ver o que o facilitismo faz por outras bandas.


Como todas as obras, também esta fica à consideração do público. Nós por cá continuaremos a contar os tostões e a produzir qualidade.


 

segunda-feira, março 10, 2008

Vania, novamente...

Ontem vi o festival da canção de Portugal na RTP1. E as 10 canções concorrentes. E a única coisa que posso dizer é... que HORRÍVEL!!! Músicas aborrecidas e sem qualquer emoção, gente com dificuldades em cantar... enfim, muito mau.

Lá salvou-se a nossa Vânia Fernandes, com uma canção histérica, algures entre a "Canção do Mar" da Dulce Pontes, a roçar a Mariza/Amália e uma marcha militar. Salve-se a sua voz magnífica, que lhe deu o triunfo na Operação... Triunfo. Já são duas vitórias seguidas. Fará jus ao ditado popular?

Menos mal foi a "musiquita" pop do Ricardo Soler, finalista vencido da OT. Mas parece que o público não achou o mesmo. Enfim... gostos! Vamos então ver o que sai daqui. Entretanto, fiquem com a Vânia e a "Senhora do Mar"...



A Marcha dos Professores

(foto: António Balbino Caldeira)

No sábado passado, cerca de 100 mil docentes marcharam pela cidade de Lisboa em protesto contra as medidas do Governo e do seu Ministério da Educação. A marcha começou pelas 15 horas na rotunda do Marquês de Pombal, seguindo em direcção ao Terreiro do Paço, naquela que terá sido uma das maiores manifestações políticas realizadas no Portugal pós-revolucionário.

Que me diz esta manifestação da indignação dos professores, a alguém que não partilha o desafio diário de enfrentar turmas e hordas de alunos e país deste país? Já abordei este assunto neste espaço e na altura referi que era necessária uma mudança estrutural no professorado, atendendo ao seu número elevado (cerca de 150 mil em todo o país), mas que sobretudo particularizasse a sua atenção em toda a programação do ensino.

Mas o que assistimos foi a opção pelo confronto com os professores, por uma via tecnocrática e burocrática, na contínua experimentação de novos métodos, fruto das várias reformas sucessivas, a desvalorização dos conceitos e técnicas nucleares das disciplinas e a promoção de matérias acessórias e ideológicas, na atribuição da guarda de crianças e adolescentes aos professores, através do prolongamento do horário escolar para a redução dos encargos dos pais (ATL's, aulas extras, etc.).

O resultado confirma-se nos programas extensos, muito difíceis e desadaptados da idade intelectual dos alunos, na contradição das posições relativas às reprovações e faltas dos alunos e no facilitismo administrativo nas passagens de disciplina e de ano.

Acusa-se a classe na praça pública e descura-se a indisciplina e as agressões nas salas de aulas. Congela-se a carreira e obriga-se o professor a mais horas de serviço, incluindo nas suas folgas, sem qualquer retribuição extra. Define-se quotas de progressão e critérios e modelos de avaliação completamente subjectivos, deixando os professores dependentes do julgamento de terceiros.

Assim, e naturalmente, assistimos a protestos contra uma política punitiva e incoerente, na defesa da dignidade dos professores, que quer refutar a preguiça e irresponsabilidade que o Governo generaliza a toda uma classe.

domingo, março 09, 2008

O mundo sem Mulheres...


Não, eu ontem não me esqueci que era o dia internacional das mulheres. Aliás, quem saiu ontem de casa, verificou isso com os seus próprios olhos. Foram muitos os grupos de senhoras, jovens e menos jovens, que foram em romaria celebrar o "seu" dia.

No entanto, é um facto que me põe sempre a pensar. Já algures disse por aqui que tinha pena que a condição de mulher tivesse a necessidade de reconhecimento através da celebração de um dia.

É verdade que continuamos a assistir (muitas vezes impavidamente) a abusos, torturas, desconsiderações e discriminações à mulher, quer seja no trabalho, quer seja em casa. Mas no fundo, o que está em causa não é propriamente a sua condição de mulher mas sim a "diferença", que a raça humana tem uma tendência absurda e auto-destrutiva de empolar e extrapolar! Apesar disto, não é justo esqueçamos que largo caminho já foi percorrido desde os primórdios em que as mulheres eram meros objectos úteis.

Pelo que, deixo esta consideração. Mesmo desconsiderando a sua óbvia importância orgânica, alguém acredita que o nosso mundo funcionaria sem o companheirismo, dedicação, beleza, sapiência, e "savoir-faire" das mulheres? Pois...

sábado, março 08, 2008

País de Exemplos...


Nem sempre aprecio o seu estilo, embora, sem dúvida, seja um dos mais discretos e sóbrios jornalistas portugueses, Mário Crespo atirou-se às feras políticas. E depois de ler o seu texto, alguém é incapaz de o contestar?

Ora leiam lá:

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso. Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.

Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal. Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.

Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.

Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

quinta-feira, março 06, 2008

Uma questão de confiança!

Se algo que eu aprecio (e muito) são aquelas pessoas que pensam, maquinam, inventam e realizam estratégias para vender e publicitar. Em particular, os génios criativos que nos entretêm com a sua imaginação delirante. Deixo-vos com mais um exemplo...



PS... está quase! Está quase!!

terça-feira, março 04, 2008

Upgrade... para breve!


Quando, em Novembro de 2004, eu decidi criar este espaço, não tinha propriamente definido o que é que ele seria. Queria algo que fosse engraçado mas sério, trágico mas alegre (e não... não é a "Tristíssima história e ainda mais cruel morte de Píramo e de Tisbe"!!), que tivesse alguma qualidade (yeah, right!), e que fosse sobretudo a minha imagem.

Penso que, modéstia à parte, este projecto correspondeu à minha imagem. Ou não! Seja como for, achei que estava na altura de dominar ainda melhor este espaço, pelo que decidi comprar/arrendar/alugar/sub-locar (é uma situação cujos contornos não são bem definidos... só sei que sai dinheiro... é um pouco ao estilo da "Camorra" siciliana, tão a ver?), um domínio e alojamento para albergar as minhas humildes e histéricas ideias e considerações sobre o mundo.

Por isso, caros amigos, está para breve a inauguração do meu novo espaço. Contará obviamente com a presença de personalidades oficiais importantes como o... como o... e o outro... aquele... e tal..., uma fanfarra, a Banda do Além (não confundir com a de cá), uma estrela internacional (paletes, paletes... a pedir), comes e bebes e fogo de artifício (sobretudo estrelinhas, muito giras).

Fiquem atentos... está quase!

segunda-feira, março 03, 2008

Atenção!


Os consumidores vão deixar de pagar o aluguer de contadores de água, luz ou gás a partir de 26 de Maio, passando também a ser proibida a cobrança bimestral ou trimestral destes serviços, segundo a Lei n.º12/2008, já publicada em Diário da República (e que vem alterar a Lei n.º 23/96, de 26 de Julho, que cria no ordenamento jurídico alguns mecanismos destinados a proteger o utente de serviços públicos essenciais).

Para além deste pormenor interessante, o diploma trás ainda algumas curiosidades: passa a considerar o telefone fixo, as comunicações móveis e Internet, como um serviço essencial (juntando-se ao gás natural, serviços postais, gestão do lixo doméstico e recolha e tratamento dos esgotos). Assim, vem prolongar o prazo para suspensão destes serviços, por falta de pagamento, que passa a ser de dez dias após esse incumprimento, mais dois dias do que o actual regime. Outra mudança importante é o facto de o diploma abranger também os prestadores privados daqueles serviços, independentemente da natureza jurídica da entidade que o presta.

sábado, março 01, 2008

Outra forma de... rapinar!


Por falar em terrorismo... alguém que me faça o favor e explique-me uma coisa. Como é que, atendendo a que a maior economia do mundo está em recessão, o preço dos combustíveis fósseis sobe, o farinácios e lacticínios duplicam nos custos de produção, os ordenados não acompanham a subida dos preços... como é que, os maiores bancos a operar em Portugal registaram, só no ano passado, lucros na ordem dos 2892 milhões de euros (mais 8% que em 2006).

Sou só eu que acha que estamos todos à mercê da gula das instituições bancárias? Que age a seu bel-prazer, sem qualquer intervenção reguladora do Estado, numa acção concertada para, cada vez mais, fazer subir à sua margem de lucro...

Eu sei a resposta. Mas fica a pergunta...

Não há condições!

(clicar para aumentar)

Portanto, senhores terroristas, tenham juízo e vão fazer explodir bombas para países mais atinados. Para além de que, dá pouco estilo fazer explodir coisas em lugares como... sei lá, tipo... na Buraca ou na Parede. Já imaginaram o título? "Edifício governamental explode em Freixos de Espada-À-Cinta"! Ou então, "avião choca com a bicicleta com sr. Manel em Massamude!". Enfim... não tá com nada.