quarta-feira, novembro 30, 2005

Danças com robôs

(Foto: Franck Robichon/EPA)

Um bailarino japonês dança com o protótipo PBDR (Partner Ballroom Dance Robot), um robô desenvolvido pela Universidade de Tohoku, na Feira Internacional de Robótica 2005, em Tóquio, que decorre até sábado na capital nipónica.

Pelo caminho mais longo

(Foto: Abed Al-Hafiz Hashlamoun/AP)

Um palestiniano e um soldado israelita discutem em Hebron, na Cisjordânia, por causa de uma barreira de blocos de cimento que foi erguida pelo Exército de Israel. Esta barreira impede a passagem de alunos palestinianos para a sua escola, que fica situada na parte da cidade controlada por Israel. Hoje, os soldados puseram arame farpado no mesmo local, obrigando as crianças a percorrer um caminho mais longo.

Os Documentos secretos sobre Timor-Leste

Os Estados Unidos sabiam dos planos da Indonésia para invadir Timor

Em Março de 1975 Portugal já tinha informado os Estados Unidos não ser sua intenção resistir a uma possível invasão de Timor-Leste pela Indonésia, revelam documentos secretos divulgados segunda-feira em Washingon.

Isto apesar de uma análise militar norte-americana ter concluído que Portugal, tinha a capacidade de «encurralar» os indonésios em Díli, devido à falta de apoio dos timorenses a uma invasão Indonésia e às dificuldades do terreno.

Os documentos mostram a frustração indonésia com a falta de resposta de Portugal à crescente crise em Timor durante 1975 e ainda a má informação sobre a situação política em Portugal por parte de um proeminente oficial indonésio.

Por outro lado, os memorandos revelam que em Novembro desse mesmo ano o actual ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, José Ramos Horta, contactou desesperadamente a embaixada norte-americana na Austrália para apelar à «ajuda política e económica à Fretilin» e a avisar que a invasão indonésia a Timor-Leste estava «iminente».

A "démarche" de Ramos Horta foi feita por indicação do Comité Central d a Fretilin e, segundo o documento «confidencial» do Departamento de Estado, o funcionário da embaixada norte-americana que recebeu Ramos Horta «ouviu a exposição sem comentário».

A Indonésia invadiu Timor-Leste em Dezembro de 1975 com conhecimento prévio dos Estados Unidos.

Os documentos foram dados a conhecer pelo Arquivo de Segurança Nacional (National Security Archive), um centro de estudos que se especializa em tentar angariar e publicar documentos governamentais, muitas vezes secretos.

fonte: DN Madeira

terça-feira, novembro 29, 2005

O Candidato Vieira


O músico dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita apresenta-se como «o único candidato que não precisa de assistência médica nos comícios», encontrando-se neste momento a tentar reunir as 7500 assinaturas necessárias para oficializar a corrida a Belém.

Os interessados em apoiar a proposta de Manuel João Vieira, «contra a corrupção, as inverdades, a gonorreia, o abuso de poder, a disenteria e o mijar oblíquo», devem visitar o site Vieira e imprimir e preencher as declarações disponíveis naquela página, enviando-as depois para a morada também exibida no site.

Manuel João Vieira agradece ainda a divulgação da sua candidatura, através de distribuição dos respectivos posters «em todas as esquinas, multibancos, na testa, nos autocarros, portagens, parques de estacionamento, nas mamas da namorada, nos cinemas, casas de banho, etc.».

Pelo menos boa disposiçao não faltará...

Os misteriosos vôos da CIA

Avião alegadamente ao serviço da CIA estacionado na base das Lajes

Um avião alegadamente ao serviço da CIA estava às 21h20 estacionado na base militar norte-americana das Lajes, (Açores), noticiou hoje a rádio TSF.

De acordo com aquela estação de rádio, o aparelho faz parte de uma lista elaborada pelo grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch como um dos meios de transporte utilizados pela agência norte-americana CIA para o transporte secreto de alegados terroristas.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à TSF que o avião foi inspeccionado pelas autoridades portuguesas, não foi encontrado qualquer passageiro a bordo e que se trata de um aparelho que faz escalas regulares naquela base, nomeadamente nas ligações Iraque/EUA e Afeganistão/EUA.

A rádio adiantou ainda que o aparelho foi inspeccionado por elementos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e da Brigada Fiscal e que foram apenas detectados a bordo os quatro elementos da tripulação, que seguirá mais tarde rumo às Bermudas.

Há duas semanas, a revista “Focus” noticiou a alegada utilização de aeroportos e bases aéreas em território nacional por aviões ao serviço da CIA.

A 17 de Novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, assegurou que "desde 12 de Março [data da posse do Governo PS], não houve qualquer voo deste tipo [com aviões ao serviço da CIA] sobre território português". Na semana passada o secretário de Estado da Cooperação João Gomes Cravinho afirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) estava a "ponderar a possibilidade" de abrir uma investigação sobre o caso.

O caso já motivou pedidos (do PCP e BE) de audição no Parlamento do ministro Freitas do Amaral, que foi já aceite pelo Governo, mas não tem ainda data marcada.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Mau tempo na Madeira já chegou

Capitania do Funchal emite aviso de mau tempo

A Capitania do Porto do Funchal emitiu no final tarde de hoje um aviso de mau tempo para o arquipélago da Madeira e recomendou a todas as embarcações que regressem aos postos de abrigo. Segundo a Capitania do porto do Funchal, os ventos que podem soprar entre os 62 a 74 quilómetros/hora.

Em declarações à Lusa, o capitão do Porto do Funchal, capitão-de-mar-e-guerra Raul Ramos Gouveia, disse não haver, de momento, "qualquer problema no mar". Raul Ramos Gouveia referiu ainda que estas condições de tempo intensificarão durante a noite de hoje até às 12h00 de amanhã. Por esse motivo, o navio patrulha "Save" não rumará amanhã até às ilhas Selvagens, onde faria a rendição dos dois guardas do Parque Natural da Madeira e desembarcaria os mantimentos para aquele posto, rendido de 21 em 21 dias. O "Save" aguardará por melhores condições meteorológicas, devendo fazer a viagem no próximo dia 1 de Dezembro.

O Serviço Regional de Protecção Civil (SRPC) emitiu também esta tarde um aviso de mau tempo informando da intensidade da pluviosidade, ventos fortes, com velocidades que podem atingir os 70 quilómetros/horários e rajadas de 80 quilómetros/horários e ondulação marítima que na costa Sul poderá ser de quatro a seis metros. O SRPC desaconselha a circulação nas zonas mais altas da Madeira e apela ao reforço de atenção às partes mais frágeis das habitações e às infra-estruturas da orla costeira.

Devido às más condições atmosféricas, resultantes da passagem, ao largo da Madeira, da tempestade Delta, a caminho das Canárias, o navio "Lobo Marinho" não fez hoje a sua ligação entre o Funchal e o Porto Santo, deixando em terra cerca de 100 passageiros. Entretanto, segundo o Instituto de Meteorologia, a tempestade "Delta" dissipou-se e tornou-se numa depressão tropical. Apesar da chuva em todo o território madeirense, apenas os Bombeiros Municipais do Funchal foram solicitados para a remoção de algumas pedras que caíram via de circulação da cota 40. As restantes corporações de bombeiros da Região não foram requisitadas.

De acordo com o Aeroporto Internacional da Madeira, o mau tempo não afectou hoje as aterragens e descolagens das aeronaves.

A verdade é que hoje ainda não parou de chover...

O melhor do mundo

(Foto: Andreu Dalmau/AP)

O avançado do Barcelona Ronaldo de Assis Moreira, conhecido no mundo do futebol como Ronaldinho, celebra efusivamente o golo que marcou contra o Racing Santander, ontem à noite. O brasileiro, considerado o melhor jogador da actualidade, apontou ontem o seu 50º golo ao serviço da equipa catalã.

domingo, novembro 27, 2005

Lembrar os que morreram

(Foto: Matt Slocum/AP)

Uma manifestante anti-guerra passa por um memorial temporário erguido para lembrar os militares norte-americanos mortos no Iraque. Os activistas decidiram manifestar-se num terreno próximo do rancho do Presidente dos EUA, em Crawford, no Texas, onde George W. Bush está a passar o fim-de-semana prolongado por ocasião do feriado de Acção de Graças. Ontem, Bush agradeceu às famílias dos militares mortos no Iraque.

O movimento das escolas laicas

Ministério da Educação mandou retirar crucifixos das escolas

O Ministério da Educação mandou retirar o crucifixo, enquanto símbolo religioso, das escolas, numa directiva de Abril. Desde Maio já foi enviado uma dezena de ofícios para a região Norte, noticia hoje o “Diário de Notícias”.

A directora regional da Educação do Norte, Margarida Elisa Moreira, citada pelo jornal, disse que “os ofícios invocam a lei e a Constituição e constituem uma ordem”. A orientação do ministério não se terá consubstanciado numa circular para todas as escolas mas apenas para aquelas onde foi detectada uma situação específica.

Em Abril, a Associação República e Laicidade (RL) denunciou ao ministério cerca de 20 casos de crucifixos nas salas de aula e pediu a sua retirada, de acordo com a Constituição e a Lei de Liberdade Religiosa. Como consequência, o ministério pediu um levantamento às direcções regionais.

Não podia estar mais de acordo com esta medida. Desde há muito que defendo que as escolas públicas, sejam escolas laicas, portanto, que não preguem, nem fomentem, qualquer tipo de religião. Logo, a presença de qualquer símbolo religioso, como a lecção de quaisquer aulas de pendor religioso (religião e moral, etc.), é contraditório a este princípio laico.

Para mim, o objectivo fundamental da escola, é dar a instrução necessária aos jovens alunos, no âmbito de formar profissionais capazes e competentes. É óbvio que não se pode dissociar desta, a necessidade da formação pessoal do jovem. No entanto, vejo como um papel secundário das escolas, cuja "religiosidade", bem como outros "ideais de pensamento", são fomentadas e desenvolvidas no âmbito da esfera privada de cada aluno, no seio da sua família e no seu círculo de amigos.

Reunião de vizinhos

Cimeira Euro Mediterrânica apoia diálogo de civilizações

Dirigentes políticos de 250 milhões de habitantes que têm em comum a bacia mediterrânea estão desde hoje reunidos na capital catalã para celebrar os dez anos do Processo de Barcelona. Esta Cimeira Euro Mediterrânica dará o seu beneplácito à proposta de diálogo de civilizações formulada pelo primeiro-ministro espanhol, Rodriguez Zapatero, que já teve o apoio da Liga Árabe e foi adoptada pelas Nações Unidas.

O projecto da declaração final afirma que os chefes de Estado e de Governo dos 38 países presentes estão dispostos "a actuar juntos contra o racismo, a xenofobia e a intolerância". O objectivo destes Estados (os 25 da União Europeia, mais Roménia, Bulgária, Croácia, Turquia e os da margem sul mediterrânica, Argélia, Autoridade Palestiniana, Egipto, Israel, Jordânia, Líbano, Marrocos, Síria e Tunísia) é promover o entendimento mútuo e melhorar o diálogo intercultural "em apoio do diálogo das civilizações da ONU".

Nada como ter boas relações de vizinhança. E tendo em atenção que num relativamente "curto" espaço geográfico, temos 4 ou 5 religiões diferentes, mais de 15 línguas diferentes, antagonismos histórico-sociais de grande relevo, etc, etc, etc. Se ao menos houvesse uma possibilidade de diálogo, quiçá um princípio de entendimento, poderiamos tornar este cantinho do universo, um lugar bem melhor de viver.

Do kabuki ao samba

(Foto: Shizuo Kambayashi/AP)

Actores de teatro japonês kabuki ensaiam a peça "Renjishi" (a dança do leão) em Naruto, arredores de Tóquio. A UNESCO acrescentou ontem mais 43 tradições à sua lista de Património Imaterial da Humanidade. O teatro kabuki do Japão e o samba do Brasil foram algumas das tradições escolhidas. A candidatura das tradições orais do Norte de Portugal e da Galiza foi rejeitada.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Morreu George "The" Best

(Foto: Paul McErlane/EPA)

O futebolista irlandês George Best, estrela do Manchester United na década de 60, morreu hoje, aos 59 anos de idade, vítima de doença provocada pelo excesso de consumo de álcool.

Afinal o que é um "Relógio Atómico"?

Um relógio atômico é um tipo de relógio que usa um padrão ressonante de frequência como contador.

Como o próprio nome diz, é um medidor de tempo que funciona baseado em uma propriedade do átomo, sendo o padrão a frequência de oscilação da sua energia. Como um pêndulo de relógio, o átomo pode ser estimulado externamente (no caso por ondas electromagnéticas) para que sua energia oscile de forma regular. Os elementos mais utilizados nos relógios são o césio (principalmente), hidrogénio e rubídio.

O seu funcionamento não é exactamente simples. Com base em estudos anteriores, os pesquisadores conhecem a frequência máxima com que esses átomos libertam energia, a sua frequência de oscilação. Os mecanismos do relógio estimulam os átomos por meio de microondas e ondas magnéticas, até atingir essa frequência, que é interpretada como tempo de acordo com os padrões já conhecidos. Por exemplo, a cada 9.192.631. 770 oscilações do átomo de césio-133 o relógio entende que se passou um segundo.

As agências nacionais responsáveis pelos horários oficiais zelam pela manutenção de uma precisão de 10-9 segundo por dia (isto é, 0,000 000 001 segundo ou ainda, um bilionésimo de segundo).

O primeiro relógio atômico foi construído em 1949 nos Estados Unidos. Uma versão aprimorada, baseada na transição do átomo de césio-133 foi construído por Louis Essen em 1955 no Reino Unido. Isto levou a uma definição internacionalmente aceita acerca do segundo baseada no tempo atômico.

Em Agosto de 2004, os cientistas do NIST (em inglês: National Institute of Standards and Technology) apresentam um relógio atômico do tamanho de um chip, que segundo eles, teria um milésimo do tamanho de qualquer outro modelo e consumindo apenas 75mW, tornando possível sua utilização em aparelhos movidos a pilhas ou baterias.

Desde 1967, a definição internacional do tempo baseia-se num relógio atómico, assim como os relógios, satélites e aparelhos de última geração. Ele é considerado o mais preciso já construído pelo homem e mesmo assim atrasa: 1 segundo a cada 3 mil anos. Assim, o Sistema Internacional de Unidades (SI) equiparou o segundo a 9.192.631.770 ciclos de radiação correspondendo à transição entre dois níveis de energia do átomo de césio-133.

O ano de 2005 vai ter mais um segundo

Um ano tem 86.400 segundos, mas 2005 vai ter mais um. Não é a primeira vez que isso acontece e o assunto gera debate entre os cientistas.

Um segundo pode parecer insignificante. Mas imagine que tem de entregar um documento em tribunal e que o prazo termina a 31 de Dezembro. Se o enviar pela Internet exactamente às 23 horas 59 minutos e 60 segundos completos, está ou não a cumprir o prazo? Rui Agostinho, do Observatório Astronómico de Lisboa, diz que sim, pois o dia 31 de Dezembro terá mais um segundo do que o habitual, devido à diferença entre a hora civil marcada pela precisão dos relógios atómicos e o movimento de rotação da Terra, "que não é uniforme".

"Os relógios atómicos mantém uma cadência do segundo de forma regular", explica Rui Agostinho. Para além disso, a hora civil deve também estar relacionada com o Sol, pois é em função do dia e da noite que as sociedades se organizam. Existe, no entanto, uma discrepância entre a hora civil dos relógios atómicos e a hora "real" marcada pelo movimento da Terra. "A rotação não é uniforme, daí haver a necessidade de introduzir um segundo a mais para reajustar as duas escalas.

"Pôr um segundo a mais no último dia do ano não é um facto novo, mas a última vez que aconteceu foi em 1999. Já foram acrescentados 22 segundos desde 1972. O Serviço Internacional de Rotação da Terra (IERS), ao qual compete decidir quando o segundo será introduzido, optou por acrescentá-lo no último dia de Dezembro.

A medição do tempo está relacionada com o movimento de rotação da Terra, que demora 24 horas. No entanto, esse movimento tem alguma irregularidade, ou seja, não é tão exacto como os relógios atómicos. Explica Rui Agostinho que, nos anos 70, foi definida a escala de tempo atómico, "que se vai adiantando em relação ao ciclo do planeta". A diferença não é muita, mas torna-se significativa com o passar do tempo. "Daqui a um milhão de anos teríamos, imagine-se, um milhão de segundos de diferença, o que é quase 12 dias.

"O relógio atómico usa como referência as ondas de radiação electromagnética emitidas por um elemento químico, o césio 133. "Manter o padrão do tempo é crucial", diz Rui Agostinho. Agora, os relógios atómicos em todo o mundo vão ter de ser acertados.

fonte: PUBLICO

O Plano Tecnológico

Uma das apostas estratégicas do XVII Governo Constitucional para promover o desenvolvimento sustentado em Portugal é o Plano Tecnológico. O Plano Tecnológico não é mais um diagnóstico. É um plano de acção para levar à prática um conjunto articulado de políticas que visam estimular a criação, difusão, absorção e uso do conhecimento, como alavanca para transformar Portugal numa economia dinâmica e capaz de se afirmar na economia global.

O Plano Tecnológico parte do pressuposto de que o mercado tem um papel fundamental como mecanismo dinamizador das actividades económicas. A maioria das inovações é fruto de trocas complexas de ideias, de produtos e de experiências, de projectos que dão frutos no tempo, de interacções entre agentes, num ambiente de concorrência que leva cada um a procurar a sua própria superação. A inovação envolve agentes variados, mas importa que chegue ao mercado e favoreça a modernização administrativa.

Contudo, reconhece-se a existência de falhas de mercado, nomeadamente ao nível do investimento em capital humano e nas actividades de Inovação, Investigação e Desenvolvimento (II&D). Essas falhas, motivadas pelo facto de os benefícios associados aos investimentos em educação e às actividades de investigação, desenvolvimento e inovação serem insuficientes ou não serem totalmente apropriados pelos agentes que os executam, conduzem a um sub-investimento nessas áreas que, no entanto, são críticas para o crescimento económico. No nosso país, essas falhas são tão mais importantes quanto se reconhece que entre os maiores entraves ao crescimento económico estão precisamente a qualidade dos recursos humanos, a capacidade tecnológica e a permeabilidade à inovação.

Reconhece-se, também, a existência de falhas no actual sistema nacional de inovação. Com o apoio dos anteriores Quadros Comunitários, construiu-se um vasto conjunto de infra-estruturas científicas, tecnológicas e de apoio à inovação. Falta, no essencial, uma maior articulação de todo esse sistema, interligação e cooperação entre os actores relevantes, nomeadamente, entre os laboratórios públicos de I&D, os estabelecimentos do ensino superior, as empresas e as associações empresariais.

No Plano Tecnológico, reconhece-se a necessidade de qualificar os portugueses e estimular a inovação e a modernização tecnológica, colocando no terreno políticas que acelerem o actual processo de mudança do padrão de especialização da economia portuguesa, no sentido da produção de bens e serviços diferenciados, apoiados em actividades de investigação e desenvolvimento e cada vez mais vocacionados para os mercados externos.

Alguém percebeu o que raio é o "Plano Tecnológico"? Um nome pomposo, para medidas que desde há muito deveriam ter sido adoptadas. Conseguirão praticá-las todas, ou isto é mais um projecto que ficará em "águas de bacalhau"?

quinta-feira, novembro 24, 2005

Nuno Markl no seu melhor

DE GUTENBERG A PIMPINHA
Por Nuno Markl

Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg. Nascido em 1398. Presume-se que tenha falecido a 3 de Fevereiro de 1468. Um operário metalúrgico e inventor alemão, a quem se deve, na década de 1440, a invenção da imprensa. O poder da criação de Gutenberg seria demonstrado em 1455, ano em que o inventor editaria a famosa Bíblia em dois volumes. Sim, a Bíblia de Gutenberg tornou-se num marco notável na História das palavras impressas. Até ao passado fim-de-semana.

No passado fim-de-semana, o semanário português O INDEPENDENTE publicou, discretamente, no seu suplemento VIDA, uma coluna de opinião da autoria de Catarina Jardim.

Quem é Catarina Jardim? Nada mais, nada menos do que a popular Pimpinha Jardim. Que fica desde já a ganhar a Gutenberg neste ponto - Gutenberg não tinha nenhum nome de mimo. Ele era capaz de gostar de ter um nome de mimo - não deve ser fácil ser Johannes Gensfleisch ZurLaden Zum Gutenberg - mas creio que ainda não era muito comum, na Alemanha do século XV, atribuirem-se nomes de mimo. Muita sorte se alguma das namoradas lhe chamou alguma vez JOGU, o único diminutivo aceitável de Johannes Gutenberg. E mesmo assim não é muito aceitável, porque soa demasiado próximo a iogurte, e isso é uma indústria completamente diferente daquela na qual Gutenberg se movia.

Voltemos então a Catarina Jardim e à sua coluna no jornal. O título do artigo é TODOS A BORDO, e trata-se - como o nome indica - de um relato detalhado sobre um cruzeiro a África que a jovem fez.

Ela diz, no início "O cruzeiro a África foi uma loucura, pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas - como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com MAIS UM BeOne on Board". Gosto da maneira como ela fala, sem explicações nem perdas de tempo, de pessoas e iniciativas sobre as quais boa parte dos leitores não faz a mínima ideia quem sejam ou no que consistem. Nada contra - isto faz com que qualquer leitor se sinta cúmplice e rapidamente imerso no universo Pimpinha. Adiante.

Ficamos a saber que ela esteve em Tânger, e que a experiência foi, possivelmente a mais marcante da vida desta jovem. Passo a ler o que ela escreve:

"Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador."

Nunca fui a Tânger, mas já fui a sítios parecidos e subscrevo inteiramente as palavras de Pimpinha. Malditas pessoas pobres, que só estragam o nosso planeta com a sua sujidade e o seu ar assustador! É preciso ser-se mesmo ruim para se escolher ser pobre, quando se pode ser tão limpo e bonito. Quando se pode ser, em suma, rico.

Eu penso que a Pimpinha acertou em cheio na raiz de todos os problemas mundiais da pobreza. Andam entidades a partir a cabeça em todo o mundo a pensar nisto, andou a Princesa Diana a gastar tantas solas de sapatos caros a visitar hospitais, capaz de apanhar uma doença, quando nós temos a Pimpinha com a solução. Se calhar basta lavar estas pessoas, e talvez - acompanhem-me neste raciocínio; Pimpinha vai ficar orgulhosa de mim - se calhar basta lavar estas pessoas, e em vez de gastar rios de dinheiro a mandar comida para África, porque não os Médicos Sem Fronteiras passarem a andar munidos de botox. Botox! Reparem: não é fazer cirurgias plásticas a toda esta gente feia que vive nestes países, porque isso seria demais. Mas, que diabo - botox? Vão-me dizer que não é possível ir de vez em quando a estes sítios e dar botox a estas pobres almas? Como o mundo ficaria mais bonito.

Adiante. Pimpinha desabafa, dizendo, sobre as pessoas de Marrocos, "apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim - e sendo eu loura, não me senti nada segura ou confortável na cidade". Talvez. Mas vamos supor que trocavam Pimpinha por, vamos supor, 10 mil camelos. Era um bom negócio para o Independente. Dos 10 mil, escolhia, vamos lá, 2 para passar a escrever a coluna - o que poderia trazer melhorias significativas de qualidade - e ainda ficava com 9 mil 998. O que, tendo em conta que Portugal está a ficar um deserto, pode vir a revelar-se um investimento de futuro.

Pimpinha prossegue: "Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor". Suponho que, para a Pimpinha Jardim, "uma festa marroquina com toda a gente trajada a rigor", tenha sido assim tipo uma festa de Halloween, tendo em conta que os marroquinos são - como a colunista diz umas linhas acima - gente feia como nunca se viu.

Adiante. Ela diz: "A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada". Calma - esclareçam-me só neste aspecto, para eu não me perder. Portanto, houve uma festa, não é? E a seguir, outra festa. OK. Uma pessoa corre o risco de se perder nestes cruzeiros, com toda esta variedade de coisas que acontecem.

Diz Pimpinha: "Desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos expulsos dos camarotes às 9 da manhã, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14 horas. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande, uma quebra inadmissível na segurança". Ora bom. Ora bom, ora bom, ora bom, ora bom.

Portanto, aqui a questão é: viagens a Marrocos e festas com pessoas vestidas de marroquinos, tudo bem. Agora, se pudessem NÃO ESTAR LÁ os marroquinos, isso é que era jeitoso. Malditos marroquinos, sempre com a mania de estarem em Marrocos. E como é que acontece esta quebra de segurança? Eu compreendo o drama de Pimpinha. É que o facto da segurança deixar entrar um estafermo marroquino vestido de marroquino, numa festa com gente bonita vestida de marroquina, isso só vem provar que, se calhar, os amigos da Pimpinha não são assim tão mais bonitos do que essa gente feia de Marrocos. E isso é coisa para deixar uma pessoa deprimida.
Temos nós a nossa visão do mundo tão certinha e de repente aparece um marroquino e uma brecha na segurança... Enfim - nada que uma ida às compras não resolva, ao chegar a Lisboa, certo, Pimpinha?

Adiante. Diz Pimpinha: "Já cá fora esperava-nos um grupo de policias com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais - e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!"

DROGA? NUMA FESTA DO JET SET PORTUGUÊS? NÃO! COMO? NÃO. Recuso-me a acreditar. Deve ter sido confusão, Pimpinha. Era oregãos. Era especiarias.

Pimpinha Jardim declara: "Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes".

Gosto desta Pimpinha interventiva. Sim senhor, diga tudo o que tem a dizer. Faça estremecer o mundo. E com assuntos que valham a pena. Aliás, era capaz de ser uma boa ideia escrever um e-mail ao Bob Geldof a tentar fazê-lo ver que essa história de organizar concertos para combater a pobreza em África... Para quê? Geldof devia começar era a organizar concertos para chamar a atenção do mundo para a falta de cruzeiros com festas. Isso é que era. Mania das prioridades trocadas. Que maçada.

Mesmo no final, a colunista remata dizendo: "Devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes - já estamos todos fartos dos lançamentos, "cocktails" e festas em terra". Aprecio aqui duas coisas: a utilização do "já estamos todos", como se Pimpinha voltasse a acolher o leitor no seu regaço como que dizendo: "Sim, tu és dos meus e também estás farto de lançamentos, 'cocktails' e festas em terra. Excepto se fores marroquino, leitor. Se for esse o caso, por favor, exclui-te deste 'todos' ou então vai tomar banho antes, e logo se vê".

Depois, é refrescante saber que Pimpinha está farta de lançamentos, 'cocktails' e festas. Eu julgava que nos últimos dias a tinha visto em cerca de 250 revistas em lançamentos, 'cocktails' e festas, mas devia ser outra pessoa. Só pode ser. Confusões minhas.

Em suma: finalmente, há outra vez uma razão para ler O INDEPENDENTE todas as semanas. Tardou, mas não falhou. Pimpinha Jardim é a melhor aquisição que um jornal já fez em toda a História da Imprensa mundial.

Guardem os vossos meninos!

Casa Pia: Carlos Silvino vai ser libertado esta noite

O principal arguido do processo de abusos sexuais sobre menores da Casa Pia, Carlos Silvino, vai ser libertado esta noite, um minuto depois da meia-noite, no dia em que terminam os três anos de prisão preventiva previstos na lei.

Carlos Silvino, o único arguido do processo que ainda estava em prisão preventiva, deverá ir para a sua casa de Lisboa, mas ficará com segurança garantida pela PSP, que assegurará também o seu transporte para o tribunal nos dias de julgamento.

Acusado de 639 crimes, Carlos Silvino está preso preventivamente na zona prisional da Polícia Judiciária de Lisboa desde 25 de Novembro de 2002.

La Bu fica com a avó

(Foto: Michael Reynolds/EPA)

Jin Zi La Bu, de 4 anos, está sentado com a avó que está a cuidar dele desde que o pai morreu com sida. A doença foi contraída com o consumo de heroína na localidade rural chinesa de Liangshan Yi, província de Sichuan. O consumo de heroína, vinda da Birmânia, criou uma epidemia de sida em Liangshan, habitada por pessoas de etnia Yi, um grupo minoritário com milhares de infectados com o vírus HIV e órfãos a precisar de cuidados médicos e educação.

Sonda japonesa faz história

Sonda japonesa pousou na superfície de asteróide

A sonda espacial japonesa Hayabusa pousou domingo na superfície do asteróide Itokawa, durante um curto período de tempo, mas sem atingir o objectivo que tinha de recolher amostras, anunciou hoje a agência noticiosa nipónica Kyodo.

A missão da Hayabusa (falcão em japonês) era trazer pela primeira para a Terra amostras de um asteróide. Neste caso do Itokawa, que se encontra a 300 milhões de quilómetros de distância. Apesar de não ter consigo dar uso ao equipamento que procederia à recolha de material, durante os 30 minutos que esteve na superfície do asteróide, a sonda já fez história no seu país: foi o primeiro aparelho espacial japonês a pousar num corpo celestial.

De acordo com a Kyodo, a Hayabusa, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa, na sigla em Inglês), esteve na superfície do Itokawa, que tem um comprimento de 548 metros, durante 30 minutos, depois de uma viagem que durou dois anos, desde a Terra. Amanhã, a JAXA irá decidir se a sonda efecturá uma segunda tentativa de recolha de amostras do asteróide.

A importância do estudo destes corpos celestes prende-se com a convicção dos cientistas de que contêm rochas que permanecem na sua maioria inalteradas desde os primórdios do sistema solar e podem fornecer informações valiosas sobre a origem deste. Informações sobre a sua estrutura também podem tornar-se vitais no caso de se descobrir que algum destes corpos esteja em rota de colisão com o nosso planeta. A Hayabusa já enviou para a Terra uma série de imagens detalhadas do asteróide, entre elas uma onde se observa a sua sombra sobre a superfície do Itokawa.

fonte: PUBLICO

Algodão de qualidade

(Foto: LM Otero/AP)

O algodão das terras de Lubbock, no Texas, Estados Unidos, está pronto para ser colhido. Os produtores texanos afirmam que o algodão deste ano apresenta uma das melhores qualidades de sempre, contando com muita quantidade.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Aqui não entram padres "gay"...

Vaticano quer impedir acesso dos homossexuais ao sacerdócio

O Vaticano quer impedir os homens "com vincadas tendências homossexuais" e "os defensores da cultura 'gay'" de acederem ao sacerdócio católico, de acordo com um documento que deverá ser publicado na íntegra durante a próxima semana.

Um excerto do documento, denominado "Instrução" - e que não se aplica aos sacerdotes já ordenados -, foi hoje colocado online pela agência noticiosa católica Adista e a sua autenticidade foi confirmada por várias fontes do Vaticano, que pediram o anonimato. No documento lê-se que os homens "terão de ultrapassar claramente" as suas tendências homossexuais por um período de pelo menos três anos antes de poderem ingressar no caminho do sacerdócio.

Ao longo dos três capítulos, com 21 parágrafos, reitera-se que, segundo a visão da Igreja Católica, as tendências homossexuais "são objectivamente perturbadas" e que os actos homossexuais constituem "um pecado grave". Os candidatos a padre "não podem apresentar distúrbios de natureza sexual incompatíveis com o sacerdócio".

Redigida pela Congregação para a Educação Católica do Vaticano, a "Instrução" salienta que a Igreja Católica respeita os homossexuais, mas que não pode "admitir no seminário e nas ordenações sagradas aqueles que pratiquem a homossexualidade, que estejam enraizados em tendências homossexuais ou que apoiem a chamada cultura 'gay'". "Essas pessoas encontram-se, de facto, numa situação que representa um grande obstáculo a uma relação correcta com homens e mulheres. Não se deve ignorar as consequências negativas que podem advir da ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente enraizadas", lê-se no documento.

A "Instrução" admite que, a homossexualidade como "mera expressão de um problema transitório, por exemplo no caso de uma adolescência por terminar, deve ainda assim ser claramente ultrapassada pelo menos três anos antes da sua ordenação como diácono", um estatuto que precede a ordenação em cerca de um ano.

O documento já terá chegado aos seminários e às mãos dos bispos de todo o mundo, impondo-se como uma directiva que confirma a política vigente na Igreja Católica e que foi evidenciada pelos escândalos de décadas de abuso sexual na Igreja dos Estados Unidos.

Novamente, a Igreja Católica dá um tiro no pé. Com que então querem abafar os escândalos da pedofilia, usando os homossexuais como bodes expiatórios? Esta medida é no mínimo, hilariante. De modo algum quero eu aqui defender a homossexualidade. Creio que eles e elas, por si, saberão defender as suas opções. Aquilo que eu acho escandaloso é que a Igreja, ao mais alto nível, continue parada no século XIV.

O mundo evolui. O homem evolui. Só a Igreja fica parada no tempo. Eu não estou a dizer que os princípios devem mudar. Nada disso. Defendo é que a Igreja se actualize no tempo e na vivência social dos dias de hoje. Tem que se precupar com a vivência moral e social, é certo, mas tem de saber também que as medidas de outrora, hoje em dia, são retrógradas e anti-produtivas.

Que ganha a Igreja em "excomungar" os homossexuais do seu seio? Nada. Defendem que a Bíblia apresenta como relação certa a entre homem e mulher. Que o resto é anti-natura. Mas esquecem que a Biblia também diz "crescei e multiplicai-vos"! O que torna o celibato obrigatório uma medida anti-natura e, provavelmente, a maior responsável pelos actos abusivos que hoje se conhecem.

A verdade é que a Igreja está muito preocupada com a sua imagem. É se calhar muito mais grave ter padres pedófilos, que abusam das suas crianças, do que proibir o acesso ao sacerdócio de homens (visto que mulheres nem vê-las), homossexuais, com tendências homossexuais ou apoiantes de movimentos gay! Sinceramente, quero ver como vão fazê-lo e quem vai fazê-lo.

Somos todos OTA(rios)?

Governo espera lançar concurso para a construção da Ota em 2007

O Governo prevê lançar o concurso para a construção do novo aeroporto na Ota em 2007, afirmou hoje o secretário de Estado adjunto e das Obras Públicas, Paulo Campos, na apresentação pública do projecto.

O concurso será lançado em 2007 e deverá estar concluído em 2009 para a construção do novo aeroporto arrancar em 2010, segundo as contas do secretário de Estado. Em 2009, o Governo começará a definir o modelo de gestão dos terrenos da Portela, que será desactivada com a abertura do novo aeroporto, em 2017.

Pessoalmente, não sou contra a construção de um novo aeroporto em Lisboa. Como não sou contra a construção de quaisquer outras obras que melhorem a vida e respectiva qualidade de uma cidade e dos seus cidadãos. O que eu discordo é a forma como se quer impôr a OTA como o único sítio capaz de albergar o novo aeroporto.

E custos de construção? E Custos com acessos? O que vão fazer com o da Portela, que bem recentemente sofreu obras de melhoramento. Será a OTA realmente mais barata? Qual a sua viabilidade comercial? Estará o roteiro internacional/regional bem estudado? Diz o governo que a construção do aeroporto será suportada na íntegra pelos privados? Que privados são esses? E vão igualmente suportar as linhas férreas que já se falam? Ou os novos acessos rodoviários? Quem os paga?

Parece-me que se quer por "o carro à frente dos bois". Num país tão financeiramente apertado, não se pode dar ao luxo de construir mais "elefantes brancos". De tornar a vida das pessoas mais complicada do que já o é. Aeroporto novo, sim! Mas pensado, planeado, estruturado, contabilizado e, só depois, concretizado.

terça-feira, novembro 22, 2005

Marítimo em exposição no Aeroporto

No piso das "partidas" no Aeroporto da Madeira, está presente, desde sábado passado, uma exposição sobre o rico historial do Clube Sport Marítimo. Desde alguns troféus importantes, a fotos antigas, folhas de jornais da altura, camisolas, galhardetes, em alguns metros quadrados é possível ter uma pequena visão da grandeza que é este clube.

Fiquem com algumas fotos que tirei da exposição. (cliquem nas imagens para aumentar)




segunda-feira, novembro 21, 2005

Marítimo vence fora de portas

Manduca deu a primeira vitória do Marítimo fora de portas

O Marítimo venceu hoje o Belenenses por 1-0, no jogo que encerrou a 11ª jornada da Liga portuguesa de futebol, disputado no Estádio do Restelo, em Lisboa. O único golo da partida foi da autoria de Manduca, na conversão de uma grande penalidade aos 37 minutos. O Marítimo ocupa agora a nona posição, somando 14 pontos, numa lista que é liderada pelo Sporting de Braga, que totaliza 26 pontos.

Plano bastante complicado...

Flightplan - Pânico a Bordo
Título original: Flightplan
De: Robert Schwentke
Com: Jodie Foster, Peter Sarsgaard e Sean Bean


Voando a 40 mil pés, no modelo E-474 que ajudou a construir, Kyle Pratt (Jodie Foster) enfrenta o pior pesadelo de qualquer mãe quando a sua filha Julia, de seis anos, desaparece sem deixar rasto a meio do voo entre Berlim e Nova Iorque. Emocionalmente devastada pela inesperada morte do seu marido, Kyle luta desesperadamente para provar a sua sanidade mental à tripulação e aos passageiros, que não acreditam nela, enquanto enfrenta a real possibilidade de estar, de facto, a perder a lucidez. Embora o Comandante Rich e o marechal do ar Gene Carson tentem não duvidar dela, tudo indica que a filha de Kyle nunca entrou a bordo do avião. Sozinha, Kyle pode apenas confiar na sua própria astúcia para resolver o mistério e salvar a sua filha.

Comentário: Eis um filme cujo argumento inverosímel, não influi drasticamente no resultado do final do filme. Com um desempenho bastante prático e interessante ao nível da realização, bem como um desempenho notável dos actores, onde se destaca naturalmente Jodie Foster, salva-se a película. Apesar de tudo, vale a pena.
Nota: 6,5/10

Queimadas IV


Novamente, lá fomos nós de abalada, para mais um fim de semana nas Queimadas. Aos poucos e poucos, este evento binual do círculo da "ARCO", tem-se tornado uma tradição cujas raízes estão em franco crescimento.

Para o ano há mais!

Ovelhas protestam em Madrid

(Foto: Daniel Ochoa de Olza/AP)

Centenas de ovelhas passam pela Puerta del Sol, em Madrid, durante o desfile anual contra a destruição das antigas rotas de transumância, utilizadas para levar os animais para pastagens mais altas nos meses de Verão e mais baixas no início do Inverno. O sistema acabou por ser abandonado com a industrialização e o movimento das pessoas que trabalhavam no campo para as cidades.

Maior árvore de Natal da Europa iluminada em Lisboa

(Foto: António Cotrim/Lusa)

Mais de dois milhões de luzes iluminaram-se esta noite na Praça do Comércio, em Lisboa, na maior árvore de Natal da Europa. Com 72 metros de altura, uma altura que corresponde a 23 andares, e 170 toneladas de peso, a montagem da estrutura envolveu 350 pessoas, ao longo de 44 dias consecutivos de trabalho.

Motins em El Salvador

(Foto: Alexander Pena/EPA)

Sexta-feira passada, em Santa Tecla, nos arredores da capital de El Salvador, pelo menos seis pessoas ficaram feridas na sequência de distúrbios iniciados quando dezenas de vendedores ambulantes foram removidos das zonas onde exerciam a sua actividade sem licença. Na foto, vendedores lideram a insurgência contra os agentes municipais.

sexta-feira, novembro 18, 2005

2 milhas caminhadas...


Cansada? Eu também não! Continuemos...

Feira do sexo em Singapura

(Foto: Law Kian Yan/EPA)

A primeira feira de sexo em Singapura, a Sexpo 2005, que decorre até domingo, vai apresentar várias exposições sobre a cultura ancestral chinesa. A feira é vista como um sinal de abertura das autoridades, depois da liberalização dos bares de "strip", há dois anos, e da autorização para a abertura de dois casinos, prevista para 2009.

Duplo atentado em Bagdad

(Foto: Hadi Mizban/AP)

Uma mulher, com o filho ao colo, reage ao cenário de caos à sua volta, depois de dois carros armadilhados terem hoje explodido no centro de Bagdad, matando pelo menos seis pessoas e ferindo 43.

O Cantinho já tem 1 ano...


Realmente... são estas situações que fazem lembrar o quão depressa o tempo passa. Ainda parece que foi ontem que abri o Cantinho. Mas o tempo não mente e um ano já passou mesmo. Com muitas histórias, muitas notícias, muitas curiosidades. Mas, como podem imaginar, este ano foi apenas o início. O Cantinho ainda tem muito para dar e mostrar. Sempre com força, sempre interessante.

Obrigado a todos que têm tornado este espaço, num pequeno melhor Cantinho do Mundo...

quinta-feira, novembro 17, 2005

Moda espiritual

(Foto: Greg Baker/AP)

Uma modelo passa um vestido com motivos religiosos na competição de jovens designers durante a China Fashion Week, em Pequim. O evento é organizado duas vezes por ano com o objectivo de promover a indústria da moda chinesa.

O massacre de Wiryamu

Hoje em dia quando falamos de genocídios, massacres e chacinas, pensamos logo em África, ex-Jugoslávia (Balcãs), Tchechénia, o conflito israelo-árabe, e alguns outros países asiáticos.

E nós? Alguém, que não da geração pré-revolução, já ouviu falar do episódio da "guerra colonial" que ficou conhecido como o "Massacre de Wiryamu"?

Foi uma chacina levada a cabo por elementos da 6ª Companhia de Comandos do Exército Português, em 16 de Dezembro de 1972, às populaçöes civis de três aldeias da zona de Tete: Wiryamu, Chawola e Juwaua, tendo sido mortas centenas de pessoas, e as suas respectivas aldeias, riscadas do mapa.

É dito que não sobrou ninguém para contar a história. Mulheres, crianças, velhos, ninguém escapou. Os corpos foram enterrados, as casas destruídas e queimadas. Diz-se que quem por lá passou depois, não encontrou qualquer vestígio que fosse da existência de uma aldeia.

Foi o massacre da guerra colonial que causou mais impacto a nível mundial, tendo sido denunciado pelos Padres de Burgos (Ordem religiosa católica) e depois pelo Padre Adrian Hastings, em Londres, que publicou um livro: "Wiryamu".

O impacto internacional deste caso deveu-se à cobertura jornalística que o memso teve nas páginas do jornal londrino "Times", no dia 10 de Julho de 1973, que o denunciou nas vésperas da chegada à capital britânica de Marcello Caetano, na altura Presidente do Conselho de Ministros de Portugal.

Na altura do massacre, Kaúlza de Arriaga, instaurou um inquérito militar que, como se previa, a nada conduziu, acabando apenas por afastar o comandante miltar da zona de Tete.

Este episódio foi sempre negado, até hoje, pelas autoridades portuguesas.

HISTÓRIAS SECRETAS DA PIDE/DGS: o golpe de 25 de Abril

O que sabemos do 25 de Abril? Nas minhas navegações pela net, descobri uma entrevista com Óscar Cardoso, ex-inspector da PIDE durante o período quente em Portugal.

Óscar Aníbal Piçarra de Castro Cardoso, nascido a 10 de Junho de 1935, em Lisboa. Pertenceu à Mocidade Portuguesa, tendo ingressei na Legião Portuguesa quando frequentava o Instituto de Estudos Ultramarinos. Mais tarde pertenceu à GNR, até 1965, altura em que ingressou na PIDE. Em 1966, foi para Angola, onde mais tarde em Serpa Pinto, criou os "Flechas", uma força para militar, constituida por "bushmen" do Cuando-Cubango, treinados no campo de trabalho do Missombo, ex-campo de recuperação de terroristas, e que nada tinha a ver com a PIDE. O seu objectivo era a recolha de informação vital, infiltração em unidades terroristas e se fosse preciso em ataques localizados.

Quando regresseou a Lisboa, em fins de 1973, com o posto de inspector-adjunto, foi colocado na Direcção dos Serviços de Informação, coordenando a informação em Angola e Moçambique. Foi preso em 1975, aquando da "Revolução dos Cravos". Após ter sido libertado, viajou para a Rodésia onde trabalhou na formação dos "Sealous Scouts", uma versão rodesiana dos Flechas e no CIO (Central Inteligence Organisation). Em 1977, foi para a África do Sul, onde serviu nas forças armadas, força aérea, saindo com o posto de coronel. Trabalhou igualmente nos Serviços de Inteligência Militar do Exército sul-africano. Hoje em dia vive em Portugal.

Pois bem. Aqui fica este interessantíssimo registo histórico:

"E eis-nos que chegou o mês de Abril de 1974. Dia 25, o golpe de Estado que derrubou um regime com cerca de meio século de existência. Anteriormente: o golpe falhado das Caldas (16 de Março). Falhado, mas um importante prenúncio.

Debrucemo-nos, então, nas palavras de Óscar Cardoso.

Bruno Oliveira Santos: Que acções foram adoptadas para fazer abortar o golpe das Caldas?

Óscar Cardoso: Foi tudo muito fácil. Accionou-se o dispositivo militar e aquela movimentação parou toda.

B.O.S: A PIDE prendeu todos os spinolistas e o MFA passou a ser controlado pela facção esquerdista.

O.C: Isso não é bem assim. A PIDE nunca prendeu militares. Foram os próprios militares que prenderam os seus colegas golpistas. O único momento em que as coisas não se passaram dessa forma foi por causa de uma reunião que estava convocada para 16 de Março em casa do Almeida Bruno. Ora, como eu morava perto, no Monte Estoril, os militares pediram-me para deitar a mão ao Almeida Bruno e aguentar as coisas enquanto eles não chegassem. Dirigi-me então para lá. Ele morava num bloco com vários apartamentos. Já estavam todos lá dentro. Identifiquei-me então como inspector-adjunto da DGS a um morador do prédio e pedi-lhe para me deixar telefonar para a António Maria Cardoso. Já não sei com quem falei, mas lembro-me de ter dito ser necessário os militares virem depressa porque os outros já estavam todos reunidos e eu não podia fazer nada sozinho. E vim para a rua.

Entretanto, saiu de casa do Almeida Bruno o capitão Farinha Ferreira. Eu disse-lhe o que estava ali a fazer e enganei-o dizendo que aquilo estava tudo cercado, que havia militares em vários telhados vizinhos e que, por isso, era melhor para ele manter a calma. Contudo, ele estava excitadíssimo, mas não havia maneira de acalmá-lo. Disse-lhe: Eu não lhe quero fazer mal nenhum, mas olhe que os tipos que estão nos telhados ainda lhe dão um tiro!... Pedi-lhe então para se encostar a uma árvore, abraçando-a, e pus-lhe as algemas. Dali ele já não saía. Só se arrancasse a árvore pela raiz! E o tipo diz-me: Senhor inspector, eu sou um oficial do Exército e nunca me senti em toda a minha vida tão humilhado como neste momento. Disse-lhe que, desde que ele me desse a sua palavra de honra em como não saía dali, eu lhe tirava as algemas. Respondeu-me que sim e eu tirei-lhe as algemas. Entretanto chegaram os militares e levaram-nos a todos para o governo militar de Lisboa.

Também me mandaram ir prender o major Manuel Monge, que morava ali para Miraflores. Eu cheguei lá com mais dois agentes, bati à porta e a mulher disse-me que ele não estava. Respondi-lhe que tínhamos de verificar. Entrámos então na residência, abrimos todas as divisões e verificámos que uma delas estava fechada. A mulher do Monge disse que era o quarto da criada. Está bem, minha senhora, mas temos de verificar- respondi-lhe.

Mas também não estava lá ninguém. Parece que o Monge estava pendurado na varanda... Se nós estivessemos muito empenhados naquela operação, teríamos sido mais rigorosos e provavelmente o Monge não se escapava. A verdade é que estávamos ali todos um bocado contrariados. Olhe, quem conta este episódio é o Otelo no livro Alvorada em Abril. Escreveu lá, por outras palavras, que o inspector Óscar Cardoso revistou a casa, sempre com toda a correcção, mas a dada altura perdeu o verniz e insinuou que o major Monge estaria na cama com a criada... Ora, não foi nada disso, é tudo mentira.

B.O.S: Conheceu o Otelo?

O.C: O Otelo estudou comigo no Liceu Camões, mas depois perdi-lhe o rasto. Até ao 25 de Abril... A última vez que o vi foi em Luanda, em 1992. Eu tinha constituído com um sócio uma empresa que vendia aviões, e estava justamente em Angola a negociar a venda de aviões. Sabe que aquela malta do MPLA sempre me tratou com toda a correcção. Ora, no hotel onde eu estava hospedado vi o Otelo. E vi também o general Tomé Pinto. Não quer dizer que estivessemos juntos, mas vi-os lá. E o Otelo vinha todo lançado para me cumprimentar! Eu é que nem o cumprimentei a ele nem ao general Tomé Pinto, que foi meu comandante de Batalhão. Mais tarde, expliquei pessoalmente ao general Tomé Pinto que só não o cumprimentei para não o comprometer.

B.O.S: A PIDE ou o Governo já sabiam que ia ocorrer uma revolução a 25 de Abril?

O.C: É claro que sabiam. Principalmente depois do golpe das Caldas, a 16 de Março, controlávamos todos os movimentos dos militares subversivos. São eles próprios que hoje o dizem. Sabe o que é que nos enganou? Estávamos convencidos que o Spínola dominava a situação. É que o Spínola ainda nos inspirava alguma confiança, não era comunista. Sabíamos que ia dar-se o 25 de Abril, o que não sabíamos é que o 25 de Abril teria o desfecho que teve...

B.O.S: Acha que Marcello Caetano pode ter combinado com Spínola o 25 de Abril?

O.C: Tenho praticamente a certeza. Na manhã do dia 25 o director da PIDE, major Silva Pais, estabeleceu um contacto telefónico com Marcello Caetano, que já estava no Quartel do Carmo, e acordaram que uma brigada da polícia iria buscar o presidente do Conselho. O Sílvio Mortágua, o Abílio Pires e o Agostinho Tienza e eu. O Pires foi no seu próprio carro, atrás de nós. Seguimos em dois carros para que, em caso de necessidade, um deles pudesse executar uma qualquer manobra de diversão. Íamos esperar o presidente do Conselho à Rua do Carmo. Existe uma ligação- eu não quero ser romanesco e dizer que há uma passagem secreta- entre o Quartel do Carmo e a Rua do Carmo. E essa ligação ainda deve existir hoje, concerteza. O major Silva Pais combinou o nosso encontro com Marcello Caetano para esse local. Seguindo as suas instruções, parámos o carro mais ou menos a meio da Rua do Carmo, uns metros acima dos pilares do elevador de Santa Justa.

Como o Marcello nunca mais aparecia, eu disse aos outros para permanecerem ali, subi a Rua do Carmo, virei na Rua Garrett, subi a Calçada do Sacramento e apresentei-me no Quartel do Carmo. Fui recebido pelo comandante-geral da GNR, que me conduziu até ao Marcello. Disse-lhe que estávamos à sua espera na Rua do Carmo, de acordo com o que havia sido combinado com o major Silva Pais e o Marcello respondeu-me que não era preciso porque já tinha tudo tratado com o general Spínola!...

B.O.S: Que horas eram?

O.C: Não posso precisar, mas ainda era de manhã.

B.O.S: Isso derruba a versão oficial, segundo a qual o Spínola só é contactado a meio da tarde, por iniciativa do Pedro Feytor Pinto, depois de falar com Marcello Caetano.

O.C: Sim, sim. Eu lembro-me de que era de manhã porque depois disso ainda fui almoçar com o Tienza. Encontrámos uma tasquinha aberta na Travessa do Ferragial e comemos uns pastéis de bacalhau.

B.O.S: É verdade que Marcello Caetano foi informado na madrugada de 25 de Abril de que a PIDE podia fazer calar o Rádio Clube Português, posto de comando do MFA, mas nunca se mostrou muito interessado em qualquer acção de contra-ataque?

O.C: O Marcello Caetano não tinha nada a ver com isso. Nós podíamos de facto calar o Rádio Clube Português, mas para isso não era preciso o Marcello. Precisávamos era de um morteiro. Eu e o Alpoim Calvão tentámos encontrar um no Arsenal da Marinha, mas não estava lá ninguém. Se naquela altura tivéssemos arranjado um morteiro, talvez o 25 de Abril morresse ali. Não foi possível... Mas foi uma decisão do Alpoim Calvão, o Marcello não sabia de nada.

A dada altura, recebemos a informação que os militares de Cavalaria 7 vinham com carros de combate e autometralhadoras tomar a sede da PIDE. Era uma situação aborrecida porque ficávamos ali isolados, sem poder fazer nada. Então eu decidi bloquear os acessos à António Maria Cardoso, impedindo assim que os Payton de Cavalaria 7 chegassem lá. Pus um carro eléctrico na esquina da Rua Vítor Córdon com a Rua António Maria Cardoso, pus outro na entrada do Chiado Terrasse e pus ainda uma camioneta a tapar a Travessa dos Teatros.Quando chegaram os militares a dizer que vinham tomar as instalações, eu, o meu director e o Alpoim Calvão fomos falar com eles e rapidamente os demovemos das suas intenções. Lá se foram embora...

B.O.S: Por que motivo aparece o Alpoim Calvão na António Maria Cardoso?

O.C: O Alpoim Calvão ia ser o próximo director-geral da PIDE. Era uma coisa que já se sabia.

B.O.S: Mas a verdade é que Marcello Caetano nunca esboçou o mínimo gesto de contra-ataque. O próprio Salgueiro Maia podia ter sido apanhado entre dois fogos no Largo do Carmo.

O.C: Nunca recebemos na PIDE qualquer ordem para atacar o Salgueiro Maia e as tropas estacionadas no Carmo. O que se esperava, aliás, era que as tropas fiéis ao governo pusessem cobro áquela situação irregular. Não puseram... E repare que a GNR aquartelada no Carmo era, só por si, uma força, um esquadrão de Cavalaria que tinha certamente autometralhadoras e que, sem necessitar de mais ninguém, podia acabar com aquilo. O Marcello Caetano é que nunca permitiu que a PSP ou a GNR actuassem. Se tivesse dado ordens concretas à PSP e à GNR nesse sentido, aquilo acabava tudo em cinco minutos.

B.O.S: Lembra-se da ocupação da sede da PIDE pelos militares?

O.C: As Forças Armadas só entraram na sede da PIDE no dia 26, dirigidas pelo comandante Costa Correia. Até essa altura, tinham permanecido no exterior, juntamente com a população que andava por ali aos berros. Olhe, uma das frases gritadas na altura era esta: Vamos deitar fogo a isto tudo! Isso era um grande problema porque nós tínhamos um depósito de gasolina com muitos milhares de litros, cuja existência não era certamente conhecida pela população. Se o depósito se incendiasse, ia o Chiado todo pelos ares...

Foi por isso que o nosso director-geral mandou dar uns tiros para o ar. Acredito que um ou outro agente, mais nervoso ou mais atemorizado com a situação, tenha atirado para baixo. Mas, como estava a contar-lhe a propósito do Costa Correia, ele chegou lá no dia 26 e disse-nos: A população está um bocado agitada. É melhor vocês entregarem as armas e serem evacuados para Caxias até as coisas serenarem. Repare que até isto suceder, nós tivemos todas as possibilidades de nos safarmos. Saíamos muitas vezes para tomar café, para ir ali ou acolá... Bom, a verdade é que aceitámos ser evacuados para Caxias, com a garantia de que a detenção era temporária, até a situação acalmar. Mal chegámos a Caxias, vimos que afinal as promessas feitas não eram para cumprir. Mandaram-nos entregar os relógios e os atacadores dos sapatos. Enfim, deram-nos o tratamento de um prisioneiro normal. Vimos logo que não íamos ficar ali só enquanto as coisas não acalmassem...

B.O.S: O director de serviços Pereira de Carvalho e muitos dos seus subordinados que trabalhavam na Secção Central ficaram mais algum tempo com os militares na António Maria Cardoso, entretidos com os arquivos...

O.C: Ficaram lá mais um mês, pelo menos.

B.O.S: E dormiam lá?

O.C: Eu não sei como é que as coisas se passaram. Não sei até se o Pereira de Carvalho não iria dormir a casa, porventura sob vigilância. Os militares revolucionários queriam fundamentalmente que eles lhes indicassem onde estavam os ficheiros, como estavam organizados...

B.O.S: Mas a PIDE queimara já muitos ficheiros.

O.C: Sim, sim.

B.O.S: E nenhum dos funcionários da polícia aproveitou a confusão da altura para levar ficheiros para casa?

O.C: Não. Sabe porquê? Os que queriam ficheiros pessoais já os tinham levado para casa há muito tempo. Aliás, isso é uma coisa que não dignifica muito a minha antiga organização, mas a verdade é que havia na PIDE alguns monstros sagrados muito dados a colecções de ficheiros pessoais. (...)"

fonte: http://historiaeciencia.weblog.com.pt/arquivo/2003_10.html

quarta-feira, novembro 16, 2005

Diga lá outra vez, sr. Dr.

Na passada segunda feira o dr. Manuel França Gomes, instado a comentar o curso de Medicina leccionado na Universidade da Madeira, e uma possível construção de um Hospital Universitário, sobraceiramente sublinhou que «devemos reduzir-nos à nossa "insignificância" porque não podemos alargar as nossas fronteiras» e lembrou que a Organização Mundial de Saúde recomenda que os hospitais universitários sejam construídos em regiões com pelo menos um milhão de habitantes.

Então eu peço ao Dr. França Gomes que me explique porque razão a Universidade de Coimbra, na cidade de COIMBRA, tem um Hospital Universitário. Caso esteja esquecido, sr. Dr., eu recordo-lhe o que é COIMBRA:

Coimbra é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Coimbra, situada na região Centro e subregião do Baixo Mondego, com cerca de 106 800 habitantes. A pouco mais de 200 km de Lisboa e a 100 km do Porto, é banhada pelo rio Mondego. Foi capital nacional da cultura em 2003. É sede de um município com 316,83 km² de área e 148 443 habitantes (2001), subdividido em 31 freguesias. Contando com a população estudantil, a cidade terá uma população superior a 157 510 habitantes, o que faz dela a terceira do país. O município é limitado a norte pelo município de Mealhada, a leste por Penacova, Vila Nova de Poiares e Miranda do Corvo, a sul por Condeixa-a-Nova, a oeste por Montemor-o-Velho e a noroeste por Cantanhede.

Por sua vez, o FUNCHAL, é uma cidade portuguesa na ilha da Madeira, capital da Região Autónoma da Madeira. A cidade coincide com o seu concelho, e tem 76,25 km² de área e 103 961 habitantes residentes (2001), subindo o número para 111 155 habitantes se contarmos com os "flutuantes", subdividindo-se a cidade em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Santana, a nordeste pelo Machico, a leste por Santa Cruz e a oeste por Câmara de Lobos, sendo banhado pelo Oceano Atlântico a sul.

Atendendo ainda se quisermos, ao facto de que a Ilha da Madeira regista uma das maiores taxas de natalidade no país na última década, creio que o ex.mo sr. Dr. terá que forçosamente repensar este seu argumento.

A sentença do "Caso Joana"

Sexta feira passada, o Tribunal de Portimão condenou a mãe e o tio da pequena Joana a 20 anos e 4 meses e 19 anos e 2 meses de prisão, respectivamente, e considerou que os réus revelaram «especial perversidade».

Leonor e João Cipriano, condenados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, usaram da «sua força desproporcional relativamente à de uma criança de oito anos só parando (de bater) quando a mataram, apesar de ela sangrar pelo nariz, boca e têmpora», mostrando-se incapazes «de se controlar e de reger pelas motivações éticas mais básicas», diz o acordão.

«Dificilmente se encontrará um caso mais grave de homicídio», observa o acórdão que considerou provado que os arguidos agiram com plena consciência das consequências dos seus actos ao espancarem violentamente a pequena Joana na noite de 12 de Setembro de 2004.

Agora permitam-me dar a minha modesta opinião do ponto de vista jurídico. Creio que esta decisão, pela forma como decorreu o julgamento, é extremamente perigosa.

O corpo nunca apareceu. Ou seja, não existe objecto do crime.

Não houve confissão dos arguidos. Aliás, as suas versões, altamente publicitadas nos meios de comunicação social, foram mudando conforme o dia. No entanto, em processo penal, toda a prova tem que ser produzida em audiência de julgamento. E nela os arguidos mantiveram-se em silêncio, sendo um direito que lhes assiste. Sendo assim, não houve produção de prova relativamente aos depoimentos, até porque não são permitidas as reproduções das declarações à PJ ou MP, quando os arguidos recusam prestar declarações em audiência, excepto em situações específicas previstas na lei, o que não foi o caso.

Não houve testemunhas presenciais. Ou seja, nenhuma testemunha arrolada pelo MP, viu o corpo, viu os arguidos. Pelo que sei, e pelo que é confirmado no Acordão condenatório do Tribunal, este baseia-se naquilo que as testemunhas "ouviram dizer", ou que "os arguidos lhes disseram".

O resultado dos exames períciais foram inconclusivos. Ou seja, o sangue encontrado na arca frigorífica, em roupas, e nalgumas paredes, não foi provado, por provas científicas claras, que pertencesse à menina Joana. Logo, a lei obriga que se atente à presunção de inocência dos Arguidos.

Neste sentido, e do meu ponto de vista jurídico, esta condenação é fraca. E põe em causa toda a segurança jurídica de um normal desenrolar processual em matéria de produção de prova. Isto simplesmente quer dizer que se pode ser condenado em Portugal, sem provas!

Estou bastante curioso para ver o que dirá o Tribunal da Relação em matéria de recurso. Prevejo, talvez, uma revogação desta sentença.


Dito isto, e agora de um ponto de vista pessoal, sem quaisquer considerações jurídicas, não tenho dúvidas que eles mataram a pequena Joana, e que a pena aplicada é justa.


terça-feira, novembro 15, 2005

Tibete em Madrid

(Foto: Daniel Ochoa de Olza/AP)

A visita do Presidente da China, Hu Jintao, a Espanha não foi bem recebida por todos. Em Madrid, um grupo de manifestantes concentrou-se em frente à embaixada chinesa em protesto contra a violação dos direitos humanos no país asiático, apelando à libertação do Tibete, invadido em 1959.

Pílula do dia seguinte gratuita

Distribuição em centros de saúde e hospitais começa no próximo mês

A pílula do dia seguinte começa a ser distribuída gratuitamente nos centros de saúde e hospitais a partir do próximo mês, no âmbito de uma lista de contraceptivos aprovada pelo Ministério da Saúde.

Este anticoncepcional é uma pílula contraceptiva de emergência que contém uma hormona chamada Levonorgestrel que, se usada até 72 horas após o acto sexual desprotegido, reduz o risco de uma gravidez não desejada. Até agora, esta pílula só podia ser adquirida nas farmácias e, mais recentemente, em postos de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica.

A lista que contém a pílula do dia seguinte foi hoje homologada pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, no âmbito dos contraceptivos para distribuição gratuita nos centros de saúde e hospitais.

De fora desta lista, a que a Lusa teve acesso, ficaram os preservativos femininos. Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse à Lusa que a distribuição gratuita destes contraceptivos nos centros de saúde e hospitais vai iniciar-se a 1 de Dezembro e durante um ano.

Num país em que a despenalização do aborto é o "drama" que se conhece, em que se apregoa aos sete ventos padrões morais obsoletos, é com algum espanto que eu tomo nota desta decisão executiva. Até porque creio que as pessoas, sobretudo as jovens, não estarão preparadas para a sua toma correcta. Quando, ainda por cima, há bem pouco tempo, foi publicado uma estudo onde cerca de 70% das jovens admitia que "se esquecia" de tomar a pílula normal...

Isto vai representar uma corrida à "pílula do dia seguinte". Um método que deveria ser utilizado apenas com último recurso, aos poucos tornar-se-á na forma anti-concepcional preferida dos portugueses. Até porque, basta apenas uma toma, é eficaz e é... gratuita. Mais, irá provocar naturalmente uma redução no uso da pílula normal, visto que é "mais" complicada de tomar e, em virtude da subida dos preços, é mais cara!

Que efeitos terá a toma exagerada da "pílula do dia seguinte" na jovem mulher? Que efeitos terá no ciclo mestrual da mulher? Creio que são questões muito importantes que ainda ninguém focou.


Lisboa foi a melhor para a MTV

Lisboa distinguida como melhor cidade anfitriã dos prémios MTV

Lisboa foi distinguida como a melhor cidade anfitriã dos prémios europeus de música do canal MTV, que decorreram dia 03 no Pavilhão Atlântico, uma distinção atribuída até agora a três das doze cidades organizadoras do evento.

"Este prémio pretende reconhecer que uma tarefa tão complicada e tão desafiante só foi possível graças a um país que cumpriu exactamente todos os trabalhos necessários para atingir o nosso objectivo", afirmou hoje o director da MTV Portugal, Lorenzo di Stefani, durante a entrega do galardão, nos Paços do Concelho.

Na opinião do responsável, Lisboa "está absolutamente mais preparada, é mais eficiente e mais rápida a fornecer respostas".

A par de Lisboa, apenas Dublin (Irlanda) e Edimburgo (Escócia) receberam este galardão, entre as 12 cidades que já acolheram cerimónias de entrega dos prémios de música.

Chat's são um perigo para as crianças

Estudo revela que os mais pequenos são presas fáceis dos pedófilos

As raparigas curiosas e inteligentes, entre os 10 e os 12 anos, são as mais vulneráveis às investidas de pedófilos em salas de conversação na Internet, de acordo com um estudo revelado esta terça-feira em Lisboa.

A pesquisa desenvolvida pela Associação Internacional de Análise Criminal, sedeada em Roma, traça o perfil do comportamento das crianças em salas de conversação na Internet e foi fornecida à Polícia Judiciária portuguesa com o objectivo de servir de modelo à actuação de agentes sob disfarce. "Os pedófilos jogam muito na natural curiosidade das crianças por temas sexuais e assumem o papel de uma espécie de professor sexual para elas", disse aos jornalistas a psicóloga criminal Roberta Bruzzone, vice-presidente da Associação Internacional de Análise Criminal.

De acordo com o estudo, "sobretudo para raparigas entre os 10 e os 12 anos de idade", o pedófilo representa à partida, "uma pessoa experiente com quem podem falar abertamente". Segundo revelou Roberta Bruzzone, "estão em risco mais elevado as raparigas que são suficientemente curiosas e suficientemente inteligentes para falarem sobre sexo com um adulto pedófilo, mas não com a maturidade com que uma mulher normal fala sobre sexo". "O pedófilo on-line tem de continuar a sentir-se na liderança da conversa, quer sentir-se em controlo da relação", explicou a psicóloga italiana. Estas raparigas sentem-se à vontade para falar das suas necessidades e interesses, informação que o pedófilo recolhe sistematicamente para ser melhor sucedido na marcação de um encontro.

Falta de diálogo em casa é uma vantagem para o pedófilo

Para a especialista, "a falta de comunicação entre pais e filhos representa sempre uma vantagem para o pedófilo", que acrescentou que o estudo mostra que "uma das razões pelas quais as crianças não contam aos pais ou professores as investidas destes potenciais pedófilos é porque não acreditam na sua capacidade de compreender a situação, não confiam neles". A prevenção assenta, assim, na comunicação entre educadores e crianças: "Os pais devem falar com os seus filhos, inclusivamente sobre sexualidade, claro que numa forma que seja conforme à idade das crianças e de uma forma serena". "As crianças são curiosas, precisam de respostas e irão procurá-las onde for preciso", sublinhou.

Contudo, as raparigas mais susceptíveis à abordagem de um pedófilo através de salas de conversação na Internet podem pertencer a famílias funcionais em que existe diálogo. "Hoje, uma rapariga ajuizada, educada e que respeita os adultos é um alvo porque pode conhecer quem possa manipular este tipo de características no seu próprio interesse", afirmou. O pedófilo que actua na Internet é sobretudo um homem entre os 20 e 30 anos, com uma boa posição profissional e uma boa remuneração, que transmite uma imagem de respeitabilidade e não tem cadastro criminal.

Pessoa "invisível"

"Sociologicamente, estamos a lidar com uma pessoa invisível", declarou Roberta Bruzzone acerca do perfil destes homens. Apesar de não acreditar que existam muitas diferenças entre pedófilos de diferentes países, a psicóloga revelou que a associação pretende estender as suas investigações a Portugal.

O estudo, apresentado num hotel de Lisboa, foi desenvolvido por psicólogos criminais que se fizeram passar por potenciais pedófilos durante seis meses nas principais salas de conversação italianas. Esta nova pesquisa, patrocinada pela multinacional de segurança on-line Symantec, foi feita a partir da informação recolhida num estudo anterior realizado em 2003 e 2004 com 5000 crianças de escolas italianas com idades entre os oito e os 13 anos.

A Associação Internacional de Análise Criminal (Internacional Crime Analysis Association) é um instituto de pesquisa e formação profissional não lucrativo, presidido pelo psicólogo da Polícia Estatal italiana Marco Strano, que reúne operacionais do sector criminal e leva a cabo estudos na área forense, criminal e da psicologia criminal.

fonte: SIC Online

Harriet, a Anciã

GOLD COAST, Australia (CNN) -- Harriet, a tartaruga gigante que acredita-se ser a criatura viva mais velha do planeta, celebrou o seu 167º aniversário, na passada sexta-feira, num zoo australiano.

Harriet recebeu os parabéns de um grupo de crianças de uma escola local, e os seus tratadores trouxeram-lhe flores coloridas e um bolo de aniversário para celebrar o grande dia. Ela de imediato comeu as flores.

Testes genéticos mostraram que Harriet provavelmente nasceu em 1830. Conta-se que com apenas 5 anos, ela foi levada da sua casa nas Ilhas Galápagos para Londres, por nada menos que o não menos famoso naturalista Charles Darwin.